O marginal que se foi de mim

Seu nome era o meu, sua voz era a minha, ele me falou que não éramos os piores bandidos do mundo.

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Como um ser que andou comigo por tempos vividos em pequenos infernos. Levamos tiros, facadas, socos, entre drogas e amores, entre versos e dores existenciais.

Seu nome era o meu, sua voz era a minha, ele me falou que não éramos os piores bandidos do mundo.

Eu tipo por poesia procurava o submundo pra um dia subjugá-lo a um mundo bom; a música que eu fazia doía de alguma forma e ia bater nos corações feridos, entrava na mente de quem buscava algo real num mundo de fantasias exóticas.

Lavamos nossos rostos ensanguentados nas poças de água da chuva após as brigas, falamos com Yaohushua o tempo todo, e choramos por ele; não sabíamos como sofrer um pouco daquela dor, daquele medo que temperado com tanto amor sabia da morte certa e necessária para redimir um mundo de gente cruel. Quando entrávamos nas tavernas íamos aos fariseus, pois é nessa mesa que a palavra era melhor discutida.

Ficamos andando juntos por muito tempo, quase nos matamos.

Então numa noite quente de verão caiu uma estranha chuva, e ele se despediu de mim. Foi aí que percebi que era um anjo, muito ferido e com as roupas rasgadas e sujas; ele trocou seu tempo de estadia comigo com outro anjo que me chegou dizendo: “Agora vamos tomar banho num rio de água corrente, e vamos trabalhar”.

Passei a fazer poesia e vender pra Deus. Por cada poesia escrita com sangue ele me dava uma nota de vinte e um remédio que aliviava minhas dores.

Hoje fico escrevendo sobre esse tempo de ruas escuras; fico cantando coisas que aprendi nesse lado da vida que passei e sobrevivi, graças ao anjo.

Digo a meu filho, não ande sem Deus, nem sem os anjos, e aprenda que Yaohushua está para o mundo como a luz pra clarear o mais sombrio dos corações.

Bom domingo.


 
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