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Oiapoque tem ‘filhos’ dispostos a destravar o progresso na fronteira

O município possui defensores com visão de águia para o crescimento da região.

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A cidade de Oiapoque tem filhos legítimos e adotivos que estão dispostos a arregaçar as mangas e trabalhar pelo progresso do município. São pessoas geradas pela sensação de pertencimento a uma terra que tem muito a se desenvolver. Gente com visão de águia capaz de enxergar todos os elementos que travam o crescimento da fronteira do Amapá com a Guiana Francesa.

Um desses filhos chama-se Joacy Rabelo, 27 anos, sócio-administrador de uma loja de materiais de construção. Natural de Macapá, ele foi para Oiapoque ainda garoto com os pais. Por lá ficou e se apaixonou pelo lugar. Voltou à capital amapaense para estudar, onde se formou bacharel em direito. Após a conclusão do curso, deu ‘meia volta’ e retornou ao extremo norte do Amapá, de onde não pretende sair. “Eu amo esta cidade. É um lugar muito bom para se viver”, declarou o empreendedor.

Ao falar de negócios, o jovem demonstra um conhecimento sólido sobre a administração de empresas. “Isso vem da vivência de mercado. Da prática do dia a dia”, diz ele, com modéstia. Joacy é entusiasta de iniciativas que qualifiquem a mão de obra e faz um apelo para que entidades como o Senac ou a Fecomércio tragam capacitações voltadas aos funcionários das empresas. Ele diz isso, referindo-se ao apoio que os empreendedores locais já recebem das entidades que integram o Centro Empresarial de Oiapoque.

“Informação nós temos em todo o lugar se quisermos empreender em qualquer ramo de atividade. É só investir em qualificação, planejamento e organização. E isso nós encontramos em Oiapoque. Já os nossos funcionários são carentes de capacitações. Se tivessem mais cursos voltados para a qualificação da mão de obra, seria um ganho excepcional para as empresas. Aqui na loja, nós temos toda a boa vontade de implantar projetos de primeiro emprego ou de jovem aprendiz. Mas, se os candidatos chegassem aqui já tendo uma noção da função que irão exercer, seria muito melhor para todos”, avaliou o jovem, citando que entidades como o Sebrae, vão além do que podem fazer no apoio às empresas, oferecendo alguns cursos voltados para a mão de obra.

Uma crítica que ele faz quando alguém diz que os produtos e serviços no interior do Amapá são muito caros, é em relação à Área de Livre Comércio de Macapá e Santana (ALCMS). “É um crime contra qualquer empresário, contra qualquer política econômica. É uma concorrência desleal. Preço não é problema. O problema é a tributação”, reclamou Joacy Rabelo, falando que a isenção de tributos deveria ser estendida a outros municípios amapaenses e não se restringir a duas cidades.

Ele contabilizou que a diferença de preços de produtos no Oiapoque em relação a Macapá e Santana é de 21,25%, em média. O jovem empreendedor fez outro apelo a respeito da ALCMS: o aumento nas fiscalizações de produtos isentos de tributos e comercializados fora da área de livre comércio. “Isto, sim, desestimula qualquer empresário. Pois, além de não podermos competir de igual pra igual, ainda somos lesados na mercadoria enviada para a comercialização nos municípios do interior”, lamentou.

Apesar dos entraves, a vontade de transpor as barreiras para o progresso fala mais alto que qualquer dificuldade no percurso.

 
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