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Mais de 85% das rodovias do Amapá são consideradas regulares, ruins ou péssimas, diz CNT

A CNT calcula que, para adequar a malha rodoviária brasileira, com obras de duplicação, construção, restauração e solução de pontos críticos, seriam necessários investimentos de R$ 292,54 bilhões.

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Paulo Silva

Da Editoria

 

A 20ª Pesquisa CNT (Confederação Nacional do Transporte) de Rodovias revela que 85,6% (427 km) das rodovias avaliadas no Amapá apresentam algum tipo de deficiência e foram avaliadas como regulares, ruins ou péssimas. Apenas 14,4% (72 km) da extensão pesquisada no estado são considerados ótimo ou bom. Os dados são de 2016.

O levantamento da CNT avalia o estado geral da malha rodoviária pavimentada de todo o país, considerando pavimento, sinalização e geometria da via. A Pesquisa da Confederação Nacional do Transporte percorreu 499 km no Amapá. Em todo o Brasil, foram 103.259 km analisados.

Devido às deficiências apresentadas no pavimento das rodovias do Amapá, o custo operacional do transporte no estado sofre acréscimo de 26,8%, uma vez que rodovias com deficiência reduzem a segurança, além de aumentar o custo de manutenção dos veículos e o consumo de combustível. A média nacional é de 24,9%. Na região Norte, o índice chega a 34,3%. Na avaliação da CNT, para a reconstrução, a restauração e a manutenção dos trechos danificados nas rodovias avaliadas no Amapá é necessário investir R$ 260,65 milhões.

 

DETALHAMENTO DAS CONDIÇÕES

Pavimento – No Pavimento, são consideradas as condições da superfície da pista principal e do acostamento. A Pesquisa classificou o Pavimento como Regular, Ruim ou Péssimo em 51,9% da extensão avaliada no Amapá, enquanto 48,1 % foram considerados Ótimo ou Bom. 46,9% da extensão pesquisada apresentam a superfície do pavimento desgastada. Sinalização – Nessa variável, são observadas a presença, a visibilidade e a legibilidade de placas ao longo das rodovias, além da situação das faixas centrais e laterais. O estudo apontou que há problemas de Sinalização em 81,6% da extensão avaliada (classificação Regular, Ruim ou Péssima). Em 18,4%, é Ótima ou Boa. Ao analisar os trechos onde foi possível a identificação visual de placas, 11,7% apresentara m placas desgastadas ou totalmente ilegíveis.

Geometria da Via – O tipo de rodovia (pista simples ou dupla), a presença de faixa adicional de subida (3ª faixa), de pontes, de viadutos, de curvas perigosas e de acostamento estão incluídos na variável geometria. A Pesquisa constatou que 58,9% da extensão pesquisada não têm condições satisfatórias de Geometria. 41,1% tiveram classifi cação Ótima ou Boa. O Amapá tem 94,4% da extensão das rodovias avaliadas de pista simples de mão dupla. Pontos críticos A pesquisa identificou um trecho com erosão na pista e seis trechos com buracos grandes.

 

PELO PAÍS – A 20ª edição da Pesquisa CNT de Rodovias constatou que, dos 103.259 km analisados, 58,2% apresentam algum tipo de problema no estado geral, cuja avaliação considera as condições do pavimento, da sinalização e da geometria da via. Em relação ao pavimento, 48,3% dos trechos avaliados receberam classifi cação regular, ruim ou péssimo. Na sinalização, 51,7% das rodovias apresentaram algum tipo de deficiência. Na variável geometria da via foram constadas falhas em 77,9% da extensão pesquisada.

De 2015 para 2016, houve aumento de 26,6% no número de pontos críticos (trechos com buracos grandes, quedas de barreiras, pontes caídas e erosões), passando de 327 para 414.

De acordo com a pesquisa, somente os problemas no pavimento geram um aumento médio de 24,9% no custo operacional do transporte. O estudo da CNT e do SEST SENAT abrange toda a extensão da malha pavimentada federal e as principais rodovias estaduais pavimentadas. A má qualidade das rodovias é reflexo de um histórico de baixos investimentos no setor.

Em 2015, o investimento federal em infraestrutura de transporte em todos os modais foi de apenas 0,19% do PIB (Produto Interno Bruto). O valor investido em rodovias (R$ 5,95 bilhões) foi quase a metade do que o país gastou com acidentes apenas na malha federal (R$ 11,15 bilhões) em 2015. Já em 2016, até setembro, dos R$ 6,55 bilhões autorizados para investimento em infraestrutura rodoviária, R$ 6,34 bilhões foram pagos. “Essa distorção nos gastos públicos tem causado graves prejuízos à sociedade brasileira, desde o desestímulo ao capital produtivo, passando pelas difi culdades de escoamento da produção até a perda de milhares de vidas”, avalia o presidente da CNT, Clésio Andrade.

 

 
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