Política Nacional

Lula era ‘popstar’ e ‘cartão de visita’ para a Odebrecht no exterior, diz delator

Alexandrino Alencar afirmou que a empreiteira investiu para passar imagem de que tinha ‘relação diferenciada’ com o ex-presidente

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O ex-executivo da Odebrecht Alexandrino Alencar, afirmou em depoimento que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era considerado um “popstar” em países da América Latina e da África, onde a construtora mantinha negócios. Por isso, disse ele, a Odebrecht investiu para passar ao governo desses países a impressão de que tinha uma “relação diferenciada” com o petista.

Alencar deu o depoimento ao Ministério Público Federal em acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato. O relato de Alencar é sobre o período em que Lula já havia deixado a presidência, ou seja, após 2010.

“Isso era um negócio extremamente importante. O Lula é uma figura, nos países que eu ia, geralmente América Latina e África, era uma figura, é, quase um popstar, entendeu? Com respeito. Então, ele levava uma imagem positiva. E o que nós combinávamos, e que é muito público, que todo lugar que ele ia, ele fazia uma palestra, uma palestra de vender o Brasil. Logicamente que nosso pessoal lá estava por trás, convidando formadores de opinião, convidando jornalistas, para mostrar essa relação nossa com ele”, disse Alencar no depoimento.

Questionado pelos investigadores se Lula abria portas para a empresas, Alencar respondeu: “Eu não digo abria portas. Não chegou a isso aí, mas ele, para nós, era um cartão de visitas muito importante, para o presidente do país saber que ele tinha uma relação diferenciada com o grupo [Odebrecht]”, afirmou.

O delator afirma que a Odebrecht preparava materiais com informações sobre o país para onde Lula ia viajar e os negócios da Odebrecht no local, e que esse material era entregue ao ex-presidente.
“Quando [Lula era] ex-presidente, quando a gente ia para o país, muitas vezes eu viajava junto com ele, aí eu levava: ‘presidente, dê uma lida aqui, que vai acontecer, o senhor vai ver isso, nós estamos trabalhando, tal'”, explicou.

Palestras
Após a saída de Lula do Palácio do Planalto, passou a desenvolver uma relação mais próxima com o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto.

Ele relata que passou a conversar com Okamotto no início de 2011 para viabilizarem novas formas de Lula ser remunerado, que não o salário que recebe como ex-presidente. Dessa forma, passaram a discutir a realização de palestras do ex-presidente pelo mundo.

“No inicio de 2011, já com Lula no Institiuto, Okamotto também já no operacional, desenvolvi junto com ele a questão das palestras do presidente Lula, Sempre nós focamos no exterior essas palestras e aí realmente nossa relação ficou bem mais proxima”, disse Alencar.

 
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