Política

Isaias Carvalho se desfilia do PT e diz que partido se transformou em feudo familiar no Amapá

Ex-petista com 22 anos de militância acusa Antônio Nogueira de “priorizar familiares, “apequenando o PT em troca do conforto de cargos e gabinetes acarpetados do governo do Amapá”.

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Militante histórico do PT há mais de duas décadas e ex-vereador por Pedra Branca, Isaias Carvalho confirmou na manhã desta quarta-feira (06) no programa LuizMeloEntrevista (DiárioFM 90,9) a sua desfiliação do partido. Segundo ele, que nos últimos 12 anos foi secretário agrário e secretario de formação política da sigla, a sua saída é porque “o PT se transformou em feudo familiar” do atual presidente regional, ex-deputado federal e ex-prefeito de Santana Antônio Nogueira, que na opinião dele “apequenando o PT em troca do conforto de cargos e gabinetes acarpetados do governo do estado”.

“O PT do Amapá tem uma história muito bonita no Amapá, onde foi criado em 1981; em 1983 a gente já disputava a prefeitura de Macapá com o companheiro Braga; em 88 disputamos a prefeitura com o finado Correa Neto e em 1990 o PT do Amapá foi 1º no Brasil a disputou o 2º turno de uma eleição a governador com companheiro Gílson Rocha, que perdeu para o Barcellos. Em 1994 o PT conheceu o Poder como vice e em 1998 assumiu o governo com a então vice-governadora Dalva Figueiredo. Em 2002 disputou eleição ao governo e chegamos ao 2º turno e perdemos por muito pouco; em 2006 a gente teve aquele chamado ‘candidato acerola’, que foi o Errolflynn, que teve uma péssima votação justamente porque nem ele pedia voto pra ele, por isso foi um ‘candidato acerola’, isto é, é 10 vezes mais laranja, mas de qualquer maneira nós tivemos candidato ao governo… Em 2010 a gente assumiu o comando do estado com a então vice Dora nascimento e disputamos o Senado, como também ocorreu em 2014. Hoje, porém, o PT se apequena de tal forma que vamos a eleições 2018 sem sequer cogitar como vice ou ao governo, fazendo o partido se apequenar, trocar o calor da rua, do povo em pelo conforto dos cargos e gabinetes acarpetados do governo do estado”, desabafou.

Para o agora ex-petista, o presidente da sigla no Amapá transformou o pasrtido em ‘nicho’ familiar: “Quando o Antônio Nogueira era presidente do PT municipal de Santana ele colocou pra fora do partido a deputada Marcivânia, que é uma liderança importante no estado e também os vereadores Zé Roberto e Richard. Em vez dele reunir para discutir um projeto alternativo para o estado, ele caminha para eleger parentes. Agora, por exemplo, ele quer eleger a irmã dele, Socorro Nogueira; como se não bastasse o sobrenome ser priorizado sempre, tanto que a 2ª conselheira tutelar mais votada em Santana é Maria nogueira, outra irmã dele; ele teve duas indicações para diretorias de escolas e foram nomeadas a esposa dele Neide nogueira e outra irmã, Ely Nogueira; o Antonio Nogueira indicou para assumir uma secretaria de estado a mulher do irmão dele, Jose Luiz nogueira; agora emplacou outro nogueira, o Bernardino Nogueira, que é primo dele (para a Sema), significando dizer que, para ele, se não tem DNA tem que ter o sobrenome Nogueira. Pra nós é muito ruim se apequenar muito diante da historia que o partido tem no estado; temos um candidato a presidente com 35% da preferência popular, um bom tempo de TV e trocar tudo isso por uma secretaria de governo é muito pequeno. Por essas e outras razões é que a gente tomou a decisão de pedir desfiliação do PT.

Perguntado se ele já tem partido definido para se filiar, Isaias afirmou que ainda está analisando o quadro político: “tenho recebido vários convites, como da deputada Marcivânia (PcdoB), do senador Randolfe (REDE), que representam a nova política, um novo horizonte que se apresenta para o Amapá com práticas que entendo serem éticas e que hoje dão orgulho para o estado, tanto que quando chega em qualquer estado ligam logo o nome do senador Randolfe. Uma questão interessante também é que uma vez perguntei ao senador Randolfe como ele se via depois de ter deixado o PT e ele foi muito enfático dizendo que se ele não tivesse saído do partido no máximo ele seria deputado federal e o Clecio (também ex-PT e atualmente na REDE) não seria prefeito. Todos que saíram do PT se viabilizaram politicamente. Hoje as pessoas tem mais espaço quando saem do partido porque se encastelou uma elite política no PT cujos projetos pessoas se sobrepõem aos projetos do partido. Mas não é certo que vamos para a REDE porque eu não estou saindo sozinho, é um grande numero de pessoas que saem comigo e vamos discutir para decidirmos o nosso futuro político”.

 

 
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