Política Nacional

Tiririca se diz envergonhado da política e anuncia que é seu último mandato

Decepcionado com atuação pífia do Parlamento e aplaudido por muitos parlamentares, artista de mais de 1 milhão de votos cala o plenário da Câmara e pede “aos poucos que prestam” que se dediquem ao povo brasileiro.

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Ramon Palhares
Correspondente em Brasília

O deputado Tiririca fez nesta quarta-feira o primeiro e único pronunciamento nos 7 anos que se manteve como deputado federal e comoveu a população brasileira. Em discurso de improvido, ele, que foi eleito duas vezes consecutivas com mais de 1 milhão de votos do eleitorado de São Paulo, pediu que “os poucos, no máximo oito parlamentares, entre os quais me incluo” se dediquem a “trabalhar para que a população brasileira  seja assistida das forma como merece”. Assumindo sua posição de artista, Tiririca disse que é “um palhaço”, mas está “envergonhado” pela forma como a classe política trata a população.

Tririca não esclareceu se a afirmação significa que ele renunciará ou deixará de disputar as próximas eleições. No entanto, segundo a assessoria do político, ele não quer mais se candidatar, mas deverá cumprir o mandato conquistado em 2014. Nas eleições de 2010 ele foi o deputado mais votado do País, com mais de 1,3 milhão de votos. Em 2014, ele ficou em segundo, com 1 milhão de votos.

Este é o primeiro discurso de Tiririca desde que foi eleito, pela primeira vez, em 2010. !Subo nesta tribuna pela primeira vez e pela última vez, não por morte, [mas] porque estou abandonando a vida pública”, disse. Em seu segundo mandato, o deputado ressaltou que deixará a vida pública por estar “bem chateado” com a política. E justificou: “É triste e o que vi nesses sete anos, saio totalmente com vergonha, não vou generalizar, não são todos, tem gente boa como em qualquer profissão”.

Ao afirmar que é um dos oito deputados mais assíduos da Câmara, Tiririca disse que sempre cumpriu o seu papel, inclusive alocando emendas parlamentares “que não são divulgadas”, beneficiando os estados e municípios “que de fato precisam”, independentemente do quantitativo de votos que recebeu nas duas últimas eleições.

– Estou saindo triste para caramba! Estou muito chateado, muito chateado mesmo com a nossa política, com o nosso parlamento. Eu, como artista popular que sou e político que estou, estou bem chateado. Não com os meus 7 anos aqui na política. Não fiz muita coisa, mas, pelo menos, fiz o que sou pago para fazer, estar aqui e votar de acordo com o povo. – Concluiu.

 

 

 
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