“Ficha suja” na internet

Ruy Guarany Neves
da equipe de articulistas

Associação dos Magistrados Brasileiros, interpretando o pensamento da grande maioria dos seus filiados que atuam nos 26 estados, visando moralizar o processo eleitoral, tomou a decisão de divulgar em seu site www.amb.com.br a lista dos candidatos à eleição municipal 2008 com nomes na chamada "ficha suja". Eles respondem processo na Justiça. Inicialmente, a lista apresenta nomes de candidatos que concorrem aos cargos de prefeito, vice e vereadores, das capitais. Mas à proporção em que os TREs forem enviando os "fichas sujas" de outras cidades, serão inseridos na lista. Começando por São Paulo, a AMB lançou no site, Marta Suplicy e Paulo Maluf, ambos candidatos a prefeitura da capital. A primeira, responde processo na justiça, por haver desrespeitado a lei de licitações, quando exerceu o cargo de prefeita de São Paulo. O segundo, responde processo crime junto ao STF, peculato, lavagem de dinheiro e desvio ilícito de recursos públicos,depositados em conta, no Paraíso Fiscal.
A decisão do TSE por 4x3, estabelecendo que somente os candidatos que tiverem processo com trâmite em julgado, no, estão impedidos de concorrerem as eleições e a manifestação de repúdio do ministro Gilmar Mendes, presidente do STF, não impediram que a AMB tomasse a inédita iniciativa, que, além contribuir para passar uma "esponja" no processo eleitoral, conta com o maciço apoio da sociedade brasileira, que quer ver, de uma vez por todas, o seu voto conferido à cidadãos de bem, dotados de espírito público isento de mácula e compromissados com os mais altos interesses dos seus municípios, estados e a Nação, como um todo. O Brasil, pelo que hoje representa no cenário internacional, precisa mostrar ao mundo, que também temos eleições limpas. A AMB, deu a arrancada. Que a grandeza de decisão e a vontade imensurável dos seus magistrados, faça com que, a lisura e a transparência dos pleitos eleitorais, possa prevalecer, como forma de dar ao eleitor, a garantia, de que o seu voto será conferido à quem merece.

RUY GUARANY NEVES
Jornalista
E-mail: rui.neves@uol.com.br

 
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O papel do caranguejo na abordagem amorosa

Renivaldo Costa
DA EQUIPE DE ARTICULISTAS

As mulheres que já não estão na faixa etária do, digamos, sub-30, compõem o que a demógrafa Elza Berquió, do IBGE, chamou em seu livro, de Pirâmide da Solidão. São mulheres autônomas, profissionais liberais, com independência financeira e competência sexual, separadas ou solteiras, que não encontram sua metade da laranja, nem um homem pra chamar de seu.
É certo que o início cada vez mais precoce da vida sexual feminina, além do impacto no aquecimento global, ampliou a oferta no mercado da sedução e do acasalamento, facilitando aos homens resolverem com duas de vinte, e módico investimento, as necessidades dos quarenta, mas não é só isto que está deixando estas mulheres sem parceiros para reconstruir uma família.
Decerto, também, que não é só culpa desse papa nazista e imbecil de convicções neanderthais que disse ser o segundo casamento uma praga social, mas a verdade é que passado a fase do canibalismo e desforra - ou atualização muscular como dizem algumas-, sexual que as mulheres costumam vivenciar na pós-separação fica quase impossível encontrar um homem que esteja disposto a construir uma relação permanente mesmo com casa, comida e roupa lavada. Aliás, a famosa atriz Zsa Zsa Gabor costumava dizer que não perguntassem a ela nada sobre sexo pois sempre fora casada.
Estas mulheres sozinhas que rolam pelos sites de relacionamentos, exposições, rega-bofes, festas na Saudosa Maloca, se não esperam mais o príncipe no cavalo branco, não perderam a ambição suprema de suas almas, que é o amor. Elas se cuidam, malham como atletas, tratam-se como modelos, usam os me-lhores cremes e, vá lá que seja, usam um botox aqui e ali. Vestem-se com elegância e são capazes de conversar sobre o declínio da civilização ocidental com a mesma facilidade que trocam uma dieta infalível, ou uma receita diet.
Livres e experientes são capazes de prometer e cumprir com esmero os desejos masculinos, mas exigem em troca companheirismo, bom gosto, indispensavelmente uma conversa inteligente, se possível alguma habilidade culinária, sensibilidade e - que elas nunca deixarão de gostar- firmeza de intenções. Enfim, um parceiro master-plus.
A diversidade de informação, ganhos e liberdade tem elevado o padrão de satisfação das mulheres, fazendo com que os homens, mais lentos nas adaptações, como dinossauros urbanos, tenham dificuldades em conquistá-las. Como não há bula, nem re-treinamento, os homens continuam abordando erroneamente as mulheres com padrão de exigência mais elevado.
Recentemente, almoçava com um grupo e uma amiga, advogada, viajada, bem sucedida, mantinha agradável conversa sobre cinema e literatura, dois inte-resses que temos em comum. Até que o papo tomou o rumo dos relacionamentos e a queixa geral foi a dificuldade, a escassez de homem no mercado, corroído pela banalidade e pela crescente onda gay. E, entre um suspiro de desilusão e riso, me contou sua última experiência.
Estava com amigas em um aniversário na casa de um desembargador aqui do TJAP, elegantíssima, vestido longo, a base da taça de vinho presa entre os dedos, como convém, quando foi apresentada a um homem que lhe pareceu atraente, tendo iniciado aquele rito de investigação desinteressada e casual que faz toda mu-lher antes de aceitar a cantada. A coisa já tinha meio caminho andado, embora ainda não o suficiente para dilacerar o vestido, quando ele atirou no próprio pé.
- Escuta, adorei te conhecer, porque não saímos amanhã pra comer um caranguejo na orla do Santa Inês?
-Agora imagine meu amigo, eu, depois deste investimento todo que fiz em mim, no sol de meio dia, com um porrete na mão- tac, tac, tac-, quebrando patinha de caranguejo, toda lambuzada? Nada contra os braquiúros mas no primeiro encontro? Que futuro isto pode ter? Com um mês eu vou tá onde? Encarando um baile da saudade ou me acabando em cima da mesa no pagode do Maurinho?
Nunca mais reclamei por ser alérgico a caranguejo. Deus, agora creio, realmente escreve certo por linhas tortas...

Renivaldo Costa
Jornalista e Professor
E-mail: tgmafra@gmail.com

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Porque Marta não assina documento

Gilberto Dimenstein
da equipe de articulistas

Tenho publicando na Folha Online cartas dos candidatos à Prefeitura de São Paulo se comprometendo, caso eleitos, a cumprir integralmente seu mandato. Marta Suplicy (PT) informa, por meio de sua assessoria, que não vai atender ao pedido de assinar o compromisso, por considerá-lo desnecessário.
Para garantir espaço tanto aos que assinam como aos que não assinam, exponho aqui a justificativa que me foi enviada pela candidata. Ela volta a afirmar que cumprirá seu mandato, como já tinha dito em entrevista à Folha. "Não há razão para esse ritual de assinaturas e Marta não parti-cipará dele. Ficará com sua palavra, que é o que vale, e que ela tem honrado ao longo de sua vida pública."
"Documentos assinados são habitualmente usados para, no caso de ruptura de compromisso, ensejar recursos de natureza judicial para impor seu cumprimento ou punir quem não o fez. No caso dos mandatos eletivos, não tem eficácia, como ficou demonstrado."
Juridicamente e politicamente, a argumentação está correta aliás, reconheço ser defensável. Assinar não significa cumprir uma promessa (como vimos no caso José Serra) e deixar de assinar não significa descumpri-la.
Mas, em se tratando de promessas de campa-nha, considero mais prudente esperar pelos fatos do que confiar nas palavras. Não estou, por enquanto, convencido de que os demais candidatos favoritos (Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab) não cedam à tentação de dar um salto para governador ou mesmo presidente, no meio do mandato. Assim como não estava quando Serra era apenas um postulante à prefeitura.
Já tinha entregado, na eleição passada, cartas aos candidatos à prefeitura, inúteis para impedir o rompimento da promessa, mas que serviram para acentuar a diferença entre o que se promete e o que se faz. Mas a inutilidade política quem sabe tenha servido para pedagogicamente ajudar a formar o juízo do eleitor sobre o debate municipal.

Gilberto Dimenstein
Jornalista
E-mail: palavradoleitor@uol.com.br