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Quem nos deu
o sentimento
do justo e do
injusto? Os
crentes afirmam
que foi D’us,
que nos deu
um cérebro
e, digamos assim,
um coração.
Mas, - e essas
são as
perguntas que
mais afligem
o pensador -
quando a sua
razão
lhe ensina que
há vício
e virtude? O
conhecimento
inato não
existe, pela
mesma razão
que não
há árvore
que produza
folha e frutos
ao sair da terra.
Dizia Voltaire
que, “o
que se chama
inato não
é nada,
isto é,
não nasceu
desenvolvido
e que D’us
nos faz nascer
com órgãos
que, à
medida que crescem,
nos fazem sentir
tudo o que nossa
espécie
deve sentir
para a conservação
dessa mesma
espécie.”
A outra pergunta
que se faz absolutamente
necessária
é: De
que modo se
opera esse estranho
mistério?
Quem de responder
há? Os
africanos, os
americanos do
norte, os asiáticos,
Cícero,
Platão,
Epicteto, o
homem simples
e rude, a cortesã,
a mulher índia,
o bravo guerreiro,
o covarde assumido,
quem, quem,
quem? Responda
quem souber
a tão
intrigante questão.
A verdade é
que todos sentimos
que é
melhor ajudar
os necessitados
que cegá-los
ou tomar o pouco
que têm,
principalmente
quando se tem
muito. Acreditamos
todos que isso
é justo.
É essa
a noção
que temos do
justo. Sabemos,
também,
que um benefício
é mais
honesto e honroso
que um ultraje,
que a brandura
é preferível
à exaltação.
Disso sabemos
como que instintivamente.
O mesmo Voltaire
dizia que, “basta
nos servirmos
da razão
para discernir
os matizes do
honesto e do
desonesto.”
O mal e o bem,
muitas vezes
são vizinhos;
nossas paixões
os confundem.
Quem nos há
de esclarecer?
A resposta é
simples: nós
mesmos. Isso,
evidentemente
se nossa estrutura
interna, mental,
espiritual e
emocional for
do bem. Quem,
em qualquer
momento e em
qualquer parte
do mundo escreveu
sobre nossos
deveres, escreveu
com sua razão,
com bom senso.
Sócrates,
Epicuro, Confúcio,
Lao-Tsé,
Marco Antonino
ou Amurat II
tiveram a mesma
moral. Na verdade,
precisamos nos
convencer, e
a Igreja que
me perdoe, a
moral é
uma coisa que
vem de D’us;
os dogmas, diferentemente,
vêm de
nós.
Apenas como
exemplo, e esse
não poderia
ser melhor,
“Jesus
não ensinou
nenhum dogma
metafísico;
não escreveu
cadernos teológicos;
não disse:
“Sou consubstancial;
tenho duas vontades
e duas naturezas
numa só
pessoa.”
Séculos
depois, coube
aos franciscanos
e aos dominicanos
que chegariam
1.200 anos depois
dele, a tarefa
de argumentar
para saber se
sua mãe
foi concebida
sem o pecado
original. Jesus
nunca disse
que o casamento
é o sinal
visível
de uma coisa
invisível;
não instituiu
monges nem inquisidores,
nada ordenou
do que vemos
hoje”,
ensina François-Marie
Arouet, também
conhecido como
Voltaire.
D’us nos
deu noção
e mais que isso,
perfeita compreensão
do que é
justo e injusto.
D’us não
mudou e não
pode mudar.
De nada adianta
usar distinções
de qualquer
natureza, mesmo
as teológicas,
para perseguições
fundamentadas
em dogmas. A
natureza se
revolta contra
essas coisas
e clama, tal
qual a sabedoria,
“Sejam
justos e não
sofistas perseguidores.”
No compêndio
das Leis de
Zoroastro, também
chamado Zaratustra,
pode-se ler
esta sábia
máxima:
“Quando
estás
em dúvida
se uma ação
que te é
proposta é
justa ou injusta,
abstém-te.”
E aos “donos
da vida”,
os poderosos,
os arrogantes,
os que se embriagam
de álcool
e de poder que
não esqueçam:
“Não
matarás”;
“Não
adulterarás”;
“Não
furtarás”;
“Não
dirás
falso testemunho
contra o teu
proximo”,
porque assim
é que
deve ser e porque
assim está
escrito. E assim
será
feito, porque
a mão
de D’us
Todo Poderoso
não perdoará
os que usam
a límgua
bifurcada da
serpente e nem
os que praticam
atos que contrariam
a justiça.
A verdadeira.
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