Impugnações: lamentável perda de tempo

O impressionante número de impugnações de candidaturas em todo o País está sendo o dife-rencial nas eleições municipais deste ano. Só no Amapá são mais de cem candidatos que estão tendo que concentrar o início da campanha em intermináveis e angustiantes reuniões com advogados, que, por sua vez, nunca trabalharam tanto em início de campanha como na atual. Isso é explicável: mesmo sem amparo legal, promotores de justiça e juízes eleitorais de todos os Estados fecharam questão em torno do assunto: prometeram pedir a impugnação de todos os candidatos que possuem “ficha suja”. E, ao final do prazo para impugnações, constata-se que eles não hesitaram em cumprir a promessa.
Em Mazagão, nada menos que 44 candidatos, entre os quais todos os candidatos a prefeito, e em Macapá, meia centena estão respondendo a ações de impugnação. Na terra de São Tiago, o martelo já foi batido pelo juiz eleitoral, restando aos impugnados apresentarem recursos junto ao Tribunal Regional Eleitoral, processos esses que prometem se arrastar até o Supremo Tribunal Federal, por conta da irresignação das partes (Ministério Público e candidatos).
Na realidade, sabe-se que essas brigas judiciais em absolutamente nada vai interferir no pleito, os candidatos impugnados continuarão candidatos e, ao final, terão as candida-turas confirmadas, porque o próprio presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto, já deixou bem claro que a Corte não pode impedir que candidatos que tenham “fichas sujas” disputem as eleições municipais de outubro, até porque é matéria constitucional.
O que pode acontecer, entretanto, é a possibilidade de candidatos impugnados perderem prazos para recursos, por conta da falta de assessoria jurídica e acabarem ficando fora da disputa. Como está acontecendo, por exemplo, com o prefeito José Carlos Marmitão, de Mazagão, que apesar da experiência do primeiro mandato, não aprendeu a ter assessoria competente: perdeu o prazo legal para o re-gistro da candidatura, foi impugnado por isso, e corre sério risco de sequer concorrer ao pleito e, caso permaneça na justiça, pode abrir brecha para que o vice assuma.
A divulgação de listas com nomes de políticos que fi-guram em processos nos quais tenham sido condenados em primeiro grau pela prática de crimes, que está acontecendo pela primeira vez na história política do País, sem nenhuma dúvida dificultará a ascensão de políticos corruptos ao poder. É censurável, porém, as proliferação de tantas impugnações feitas pelo Ministério Público, corro-boradas pelos juízes, por causa da tal “ficha suja”, porque essa tentativa de moralizar politicamente o Brasil acaba por gerar enormes e irreparáveis despesas necessárias, tanto com a valiosa mão de obra dos promotores públicos e juízes, quanto no que diz respeito ao desperdício de papel, tinta de impressoras e o valioso tempo dos magistrados das instâncias superiores.

"Na realidade, sabe-se que essas brigas judiciais em absolutamente nada vai interferir no pleito, os candidatos impugnados continuarão candidatos e, ao final, terão as candidaturas confirmadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE)."