A
atuação
do General Ivanhoé
Gonçalves
Martins, como
governador do
Território
Federal do Amapá,
caiu como um
balde de água
fria no caldeirão
fervente da
política
local. Seu antecessor,
o General Luiz
Mendes da Silva,
assumiu o governo
no dia 15 de
maio de 1964
e encontrou
os ânimos
bastante exaltados
entre os partidários
do Coronel Janary
Gentil Nunes,
líder
do Partido Social
Democrático
e seus adversários,
a maioria filiada
ou simpatizante
do Partido Trabalhista
Brasileiro.
À época,
o Amapá
tinha apenas
um representante
na Câmara
Federal, exatamente
o ex-governador
Janary Gentil
Nunes, eleito
em 1962, que
viveu momentos
de incerteza
quanto à
continuidade
de seu mandato.
Ele foi acusado
de ter prestado
ampla solidariedade
ao Presidente
João
Belchior Marques
Goulart, destituído
do cargo em
decorrência
do movimento
revolucionário
iniciado no
dia 31 de março
de 1964. Seus
adversários
e inimigos políticos
bem que tentaram
incriminá-lo,
pleiteando a
cassação
de seu mandato.
Entretanto,
Janary Nunes
sabia como agir
num momento
tão delicado,
inclusive licenciando-se
do cargo que
foi assumido
interinamente
por Dalton Cordeiro
de Lima. Por
ser militar
e saber como
agir em situações
adversas ganhou
a alcunha de
“Camaleão”,
bicho que sabe
como se camuflar
para escapar
dos perigos.
O General Luiz
Mendes da Silva
era o governador
do Amapá
quando ocorreu
a eleição
de 1966, ocasião
em que os partidários
de Janary Nunes
adotaram a música
“A Banda”,
do Chico Buarque
de Holanda,
como canto de
identificação
da Aliança
Renovadora Nacional-ARENA.
Proibida de
ser executada
na Rádio
Difusora de
Macapá,
a única
emissora de
rádio
do Amapá,
“A Banda”
era executada
à exaustão
antes dos comícios
do candidato
Janary Nunes
e atraia muita
gente que gostava
da composição
musical. No
carnaval de
1967, na terça-feira
gorda, dia 2
de março,
os integrantes
do Bloco de
Sujos do Amapá
Clube resolveram
sair às
ruas tendo a
música
“A Banda”
como marcha
exaltação.
Tudo foi feito
de forma proposital,
para mostrar
ao governo revolucionário
a preferência
política
dos lideres
do bloco. Surgido
no carnaval
de 1965, o bloco
do Amapá
Clube evoluiu
pela Avenida
FAB sem problemas
no citado ano
e em 1966, mas
esbarrou na
Guarda Territorial
em 1967. A ordem
tinha partido
do Secretário
Geral, Economista
Roberto Rocha
Souza, que estava
como governador
interino. O
General Ivanhoé
sabia de todos
estes detalhes
e chegou ao
Amapá
decidido a manter
absoluta neutralidade
nas questões
político-partidárias
locais. No Relatório
que encaminhou
ao Ministro
do Interior,
relativo ao
período
de 20 de abril
a 31 de dezembro
de 1967, o general-governador
é enfático
quando aborda
a situação
político-social
do Território
do Amapá:
“O Território
do Amapá,
a despeito de
seu pequeno
contingente
eleitoral (não
vai além
de 20.000 eleitores),
há bastante
tempo não
vinha gozando
de paz política.Antes
da eclosão
do movimento
revolucionário
brasileiro,que
deitou por terra
a inquietação
política
e social, esta
Unidade Federada
era sacudida
pelas mesmas
ondas de agitação
e inconformismo.Dois
partidos políticos
atuavam em nosso
Território:
PSD e PTB, ambos
sem programa
definido,aliás
como acontecia
em todo o Brasil.Os
próprios
partidos, despersonalizados,
não eram
bandeira, nem
inspiravam a
confiança
do eleitorado,
que se colocava
em volta de
pessoas, às
quais seguia
cega e incondicionalmente.
Daí ter
surgido no Amapá-lugar
pequeno, onde
o entendimento
entre os homens
responsáveis
deveria leva-lo
ao progresso,rapidamente-
uma política
sustentada pelo
ódio
e vingança.
Os erros apontados
por uns eram
por eles mesmos
praticados tão
logo assumiam
o poder. Com
a extinção
dos partidos
políticos
em todo o País,
dois outros
foram criados
em substituição.Os
elementos desses
partidos passaram
a integrar os
dois recém
criados; ARENA
(Aliança
Renovadora Nacional)
e MDB (Movimento
Democrático
Brasileiro).
No Amapá
ambos existem,porém,
sòmente
a ARENA participou
do pleito eleitoral
passado. O eleitorado
amapaense, desse
modo, pertenceu
todo ele a esse
partido. Porém,
a rivalidade
antiga continuou.Não
houve partido,
legenda ou sublegenda.
Houve, isto
sim, luta de
vida ou morte
entre interesses
contrários.
A situação
permanecia como
há tempos,
bastante tensa.
Chegando ao
Território,
fizemos, com
clareza absoluta,
patético
apelo ao povo
amapaense no
sentido do desarmamento
dos ânimos.
Não concedemos
privilégios
a quaisquer
grupos. Procuramos,
pelo contrário,
proporcionar
tratamento equânime,
sem distinção.
O Govêrno
fez questão
de provar à
população
do Território
que, sem prescindir
ao cumprimento
dos preceitos
constitucionais
e de inteira
liberdade e
harmonia dos
Podêres
da República,
era possível
governar com
isenção
de ânimo.
As relações
entre o Executivo
e o Judiciário
locais foram
imediatamente
normalizadas.
As atitudes
do Govêrno
tem sido de
imparcialidade
absoluta. |