As jazidas de ferro do rio Vila Nova

No dia 25.4, o governador Janary Gentil Nunes foi recebido em audiência pelo Presidente Eurico Gaspar Dutra, apresentando-lhe um relatório dobre o aproveitamento das jazidas de ferro do Amapá

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Em 1946, sem medir as consequências de seu gesto, o deputado federal João Café Filho iniciou uma campanha no âmbito da Câmara Federal com o propósito de obter o cancelamento do contrato entre o governo do Amapá e a empresa norte-americana Hanna Exploration Company para exploração dos depósitos de ferro do rio Vila Nova (Anauerapucu). Café Filho julgava que o ferro existente no Amapá deveria permanecer intocável, como reserva nacional, para ser explorado por empresas brasileiras. No momento em que Café Filho iniciou a campanha o Território Federal do Amapá ainda não tinha representatividade na Câmara Federal, que então funcionava na cidade do Rio de Janeiro.

No dia 25.4, o governador Janary Gentil Nunes foi recebido em audiência pelo Presidente Eurico Gaspar Dutra, apresentando-lhe um relatório dobre o aproveitamento das jazidas de ferro do Amapá, com as propostas firmadas pelas companhias norte-americanas The Hanna Exploration Company e Companhia Meridional de Mineração, com os pareceres de aprovação unânime do Conselho de Minas e Metalurgia, Departamento de Produção Mineral do Ministério da Agricultura e Conselho de Segurança Nacional.

O Presidente Eurico Dutra assinou o Decreto-lei nº 9.198, referendado pelo ministro Neto Campelo Júnior, autorizando o governo do Território Federal do Amapá a contratar o aproveitamento da jazida de minério de que for confessionário. Diante desse ato do chefe do país, espera-se, a todo o momento, que seja assinado o contrato com a Hanna Company, que apresentou condições que assegurarão uma situação excelente para o futuro da região. Alem da exploração, a contratada deveria construir uma estrada de ferro e um porto fluvial em Macapá. No dia 26/4, obedecendo aos termos do decreto do presidente da República, o governador Janary Nunes e o vice-presidente da Hanna Company, senhor Harry Leroy Pierce assinaram o contrato em rápida solenidade realizada na Representação do governo do Amapá, no Rio de Janeiro. Participaram do importante momento o senhor Carl Kimcaid, advogado da contratada, Glycon de Paiva, geólogo do Ministério da Agricultura, o coronel Simpson, do Exército norte-americano, o major Omar Emir Chaves, o ministro Gastão de Oliveira, diretor geral do Banco do Povo, o sr.André Cacinelli, diretor da A Equitativa, o jornalista Roberto Groba, o Vitor Leinz,geólogo,dr.Djalma Cavalcante, representante do governo do Guaporé(Rondônia), Coaracy Gentil Nunes, representante do governo do Amapá, Leal Ferreira, além de outras autoridades, jornalistas, etc.O fato foi repercutido pelos jornais cariocas “Jornal do Brasil”, “Jornal do Comércio”, “O Radical”, “A Manhã” e a “Tribuna Popular”,que fez restrição apenas ao prazo do contrato, considerando-o larguíssimo.

O jornal “O Globo”, que não se fez presente na solenidade de assinatura do contrato, daí não conhecer suas clausulas, evidenciou que a ferrovia e o porto ficariam controlados pelos capitais estrangeiros. O sr. G.M. Humphrey, presidente da Hanna Company, afirmou a empresa faria prospecções mais apuradas.Se elas fossem satisfatórias, justificar-se-ia a instalação do vultoso equipamento de mineração,bem como a construção da estrada de ferro e do porto. Sem conhecer os termos do contrato e agindo embalado por sua aversão aos yankees, o Deputado Federal pelo Rio Grande do Norte, Café Filho, manifestou-se contra o contrato e concitou seus pares a agirem de igual modo. Não convenceu ninguém e ainda recebeu manifestações de apoio ao Amapá. Em Macapá, no dia 13.6.1946, ocorreu uma ruidosa manifestação organizada pela Associação Comercial, Agrícola e Industrial, compreendendo uma caminhada pelas principais ruas da cidade, com saída da Praça da Matriz. À frente iam 4 bandeiras do Brasil, seguidas por uma banda de música e manifestando portando cartazes com diversos dizeres: “Concorrência só existe entre nações.Dentro de um país, o amparo deve ser dado ao que mais precisa e maiores vantagens oferece,” “Não vendemos aos estrangeiros a nossa borracha? Por que não podemos vender o nosso ferro?” “O Amapá não se vende! Vende o seu ferro para alicerçar a grandeza do Vale Amazônico.”


 
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