Camerata Musicale

A Camerata não cobrou cachê por suas apresentações, mas os patrocinadores tiveram que arcar com as despesas de hospedagem, alimentação e transporte em âmbito local.

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À conta de um importante intercâmbio cultural musical entre o Brasil e a Alemanha, a Freundeskreis der Musikschule Giengem (Escola de Música Giengem), sediada na cidade de Munique, regida pelo maestro Horst Guggenberg e coordenada pelo engenheiro Piter Kraus, apresentou-se em Macapá, nos dias 17 e 18/6/2005. Acostumada a fazer a rota Nordeste/Sul, a Camerata Musicale acatou as sugestões do maestro cearense Poty Fontenele e do tenor Mauro Luiz, este último amapaense que então residia na capital alencarina e participava de uma orquestra em Fortaleza, para iniciar a costumeira turnê artística exibindo-se no setentrião brasileiro. A importante orquestra realizava essas excursões anualmente para divulgar seu trabalho e aperfeiçoar os conhecimentos de seus integrantes.

A Camerata não cobrou cachê por suas apresentações, mas os patrocinadores tiveram que arcar com as despesas de hospedagem, alimentação e transporte em âmbito local. As passagens aéreas foram pagas pelos próprios músicos. A Varig, Viação Aérea do Rio Grandense S.A. prestou memorável apoio aos alemães, concedendo-lhes um trecho grátis em cada três trechos comprados. Depois que a Varig encerrou suas atividades entre o Brasil e a Alemanha, a excursão da Camerata Musicale se tornou impraticável. A vinda da Camerata a Macapá só foi possível graças ao empenho do Nilson Montoril de Araújo Júnior, que se desdobrou na tarefa de conseguir patrocinadores no estado do Amapá. A busca por patrocínio foi penosa. Acostumados a promover apenas eventos regionais, quase sempre apadrinhados por políticos com poder de mando no governo, os órgãos gestores da cultura amapaense custaram a decidir-se pelo apoiamento ao empreendimento. Muito persistente, o jovem Montoril Júnior não esmoreceu e manteve permanente contato com as entidades convidadas para patrocinarem o show de música erudita. Outro detalhe interessante no trabalho que ele realizou precisa ser evidenciado. Por exigência dos alemães, as apresentações da Camerata Musicale, no Teatro das Bacabeiras foram franqueadas ao público e o promotor não obteve sequer um centavo de vantagem financeira.

No decorrer das apresentações da Camerata Musicale apresentaram-se em destaque os solistas Bertholdo Guggenberger (violino), Roman Guggenberger (violoncelo), ambos filhos do maestro Horst Guggenberg. Hospedados no Hotel San Marino, no bairro Jesus de Nazaré, os músicos tiveram como vizinho o bioquímico Rugatto Boettger, radicado em Macapá desde 17/2/1968. Embora o coordenador da Camerata, Piter Kraus falasse fluentemente o português, pois trabalhou nas obras da Hidrelétrica da Itaipu, o catarinense Rugatto foi encarregado de falar à platéia do Teatro das Bacabeiras traduzindo as palavras proferidas pelo Maestro Horst Guggenberger. Rugato é natural de Blumenau, Santa Catarina, fala a língua germânica, pois descende de alemães. Seu sobrenome significa “fabricante de barril”. Aliás, o Rugato teve uma atuação valiosa em termos de apoio logístico aos esforços do Nilson Montoril Júnior. Os músicos alemães também se apresentaram no Tribunal de Justiça e na Igreja de São José. No templo católico fizeram uma homenagem ao Bispo Diocesano D. Pedro José Conti. Em todos os momentos marcou presença o tenor Mauro Luiz que atualmente reside em Macapá e sempre é requisitado para cantar em solenidades especiais.

Os patrocinadores foram: a operadora de telefonia celular TIM, o Tribunal de Justiça do Estado do Amapá e o Governo do Estado. Os músicos alemães ficaram encantados com a recepção do povo amapaense e com as belezas naturais de Macapá. Utilizando o barco “Tribuna”, do Tjap, eles tiveram a oportunidade de singrar as águas barrentas do braço norte do Rio Amazonas e saborear iguarias regionais.

A Camerata Musicale permanece desenvolvendo suas atividades em Munique, mas o Maestro Horst Guggenberger, aposentado, passou a batuta e a regência ao filho Bartholdo. A vinda da Camerata Musicale a Macapá provou que os amapaenses curtem sim a música erudita. Ao deixar a cidade de Macapá, a Camerata Musicale exibiu-se em Fortaleza, Maceió, Aracaju e São Paulo.


 
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