Governo do Amapa precisa preserva a Difusora – Parte I

Havia entre os habitantes da área desmembrada do Estado do Pará, que foi transformada no Território Federal do Amapá, o hábito de ouvir as emissoras paraenses, notadamente a Rádio Clube do Pará, que operava (e ainda o faz), nas ondas média e curta/tropical. A faixa de Amplitude Modulada (AM) tinha mais receptividade ã noite.

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A data de 11 de setembro de 1946 evidencia o dia da inauguração do Broadcast da primeira emissora de rádio a ser implantada no Amapá. Não se refere à fundação do importante veículo de comunicação e sim ao início das irradiações sequenciadas. Antes disso, eventualmente, a estação entrava no ar e não funcionava além de duas horas. Havia entre os habitantes da área desmembrada do Estado do Pará, que foi transformada no Território Federal do Amapá, o hábito de ouvir as emissoras paraenses, notadamente a Rádio Clube do Pará, que operava (e ainda o faz), nas ondas média e curta/tropical. A faixa de Amplitude Modulada (AM) tinha mais receptividade ã noite.

A Onda Curta “entrava arrebentando” a qualquer hora do dia. Sem uma estação de rádio própria, o governo do Amapá se valia da Rádio Clube para transmitir atos administrativos ao funcionalismo e ao público em geral. Atuava como Diretor do Departamento Segurança Pública e Comandante da Guarda Territorial, o cidadão Paulo Eleutério Cavalcante de Albuquerque, Tenente da Reserva do Exército Brasileiro, Advogado e Jornalista vinculado à Folha do Norte de Belém, que recebeu do Governador Janary Gentil Nunes, a incumbência de desenvolver estudos visando à fundação de um jornal semanal e de uma estação de rádio OC/AM. Para ter mais tempo dedicado a empreitada atribuída, Paulo Eleutério passou a dirigir a recém criada Agencia de Imprensa e Propaganda. A primeira providencia que ele tomou foi requerer a compra de um amplificador de som, um microfone, quatro alto falantes tipo corneta e um potente radio receptor de ondas curtas, Em um pequeno espaço disponível no prédio da antiga Intendência Municipal, que, desde o dia 25 de janeiro de 1944, vinha abrigando os órgãos da Prefeitura Municipal de Macapá e do Governo do Território Federal do Amapá, Paulo Eleutério Filho instalou seu diminuto estúdio informativo. Às dezessete horas, o serviço de alto falantes entrava no ar, executando a marcha Continental. Em seguida, eram narradas as medidas administrativas do governo territorial e do governo federal. Ele mesmo fazia a locução e conectava ao amplificador o som da BBC de Londres, levando ao conhecimento das pessoas que se concentravam na então Praça Capitão Augusto Assis de Vasconcelos, a maioria constituída por servidores públicos e operários. Na época, Macapá era pequena e quase todo mundo morava no bairro central. Uma significativa parcela da população não precisava sair de casa para ouvir o que “as bocas de ferro” diziam. Enquanto isso acontecia, tramitava no Rio de Janeiro, sede do Governo Federal, a documentação gerada pelo Governo do Amapá, requerendo autorização para instalar, em Macapá, uma emissora de Rádio em amplitude modulada (AM).

O acompanhamento do fluxo da papelada histórica estava a cargo do Advogado Coaracy Gentil Monteiro Nunes, o representando do governo amapaense na cidade maravilhosa. A nível local, a Divisão de Obras Públicas tocava a construção de um prédio destinado a Rádio Difusora de Macapá. A área tinha pertencido ao casal Leão Zagury e Sara Rofé Zagury, na então Rua Barão do Rio Branco (Cândido Mendes), sentido leste, local próximo ao Igarapé da Companhia (Igarapé das Mulheres. Um pouco mais adiante, a esquerda, onde temos o Super Fácil, foi erigida a casa do transmissor. Tudo era área de serrado. Com muito entusiasmo, os macapaenses acompanhavam a evolução dos trabalhos aqui desenvolvidos. Aos poucos, as novidades foram surgindo. O prefixo da emissora ZYE 2 agradou em cheio. Também despontou o slogan, “A Voz Mais Jovem do Brasil”, que não vingou. Em fase experimental, a emissora entrava no ar a noite. Inicialmente apenas uma hora. Depois, duas horas, das 20 às 22 horas. Até transmissão de um jogo de futebol, ocorrido no campo da Matriz, foi irradiada com a acelerada narração do Professor Gabriel de Almeida Café. Antes desse feito, o povo havia ouvido a voz do Dr, Marcilio Felgueiras Vianna, técnico destacada da Divisão de Educação e Cultura, que, no dia primeiro de junho de 1945, realizou uma transmissão alusiva ao aniversário do governador Janary Nunes.


 
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