Rompendo laços com o Pará

O ato presidencial, que tomou o nº 5.812 foi assinado no dia 13/9/1943. Para governar o Amapá, o presidente da República nomeou o então capitão Janary Gentil Nunes, paraense da cidade de Alenquer.

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Quando o Presidente dos Estados Unidos do Brasil, Getúlio Dorneles Vargas decidiu criar mais cinco Territórios Federais, um com a denominação Amapá, o Estado do Pará tinha 53 municípios, figurando no meio deles Macapá, Mazagão e Amapá. A decisão de Getúlio Vargas visou à ocupação e o desenvolvimento de áreas de fronteira, à época muito vulneráveis. No caso do Território Federal do Amapá, a fronteira com a Guiana Francesa contava com a presença da Colônia Militar de Clevelândia do Norte, mas aventava-se a possibilidade de que tropas alemãs pudessem ser enviadas para a colônia da França, país então ocupado por tropas de Adolf Hitler.

O ato presidencial, que tomou o nº 5.812 foi assinado no dia 13/9/1943. Para governar o Amapá, o presidente da República nomeou o então capitão Janary Gentil Nunes, paraense da cidade de Alenquer. Esta nomeação ocorreu no dia 27 /12 /1943 e a posse do governador aconteceu no dia 29, na sede do Ministério as Justiça e Negócios interiores. O titular da administração amapaense se estabeleceu provisoriamente em Belém, a fim de poder tomar as medidas expressamente necessárias para a instalação do governo. Através dos jornais e das emissoras de rádio divulgou notas a respeito da contratação de mão-de-obra qualificada para construção civil, segurança pública, magistério, medicina, enfermagem, motoristas terrestres e navais. Carpinteiros, marceneiros, vigilantes, pessoal burocrático. Como não havia agência bancária em Macapá, a dotação orçamentária para o exercício de 1944, da ordem de dez milhões de cruzeiros foi depositada na Agência Central do Banco do Brasil, na capital paraense.

No dia 25/1/1944, uma terça-feira, ao alvorecer, o avião Douglas DC 3, do Aero Clube do Pará, decolou de Belém com destino a Macapá. Além da tripulação, estavam a bordo o Governador Janary Gentil Nunes, o Advogado Raul Montero Valdez, o Advogado e Político João Guilherme Lameira Bittencourt, Secretário-Geral do Pará. O Interventor Federal do Estado do Pará era o então Coronel Joaquim de Magalhães Cardoso Barata, investido do cargo desde o dia 8/2/1943. Barata era membro destacado do Partido Liberal e “amigo de farda” de Janary Nunes. Seu apoio ao jovem gestor do Território Federal do Amapá foi importantíssimo. No momento em que se deu a instalação do governo, o municípios de Macapá contava com uma população de aproximadamente 9 mil habitantes.Em 1920, o contingente populacional do município de Macapá era de 18.387 pessoas.Nesta época a jurisdição de Macapá se estendia à região das Ilhas do Pará e o canal norte do rio Amazonas não figurava como limite territorial entre ele e vizinho estado.

A cidade de Macapá, carente de assistência médica, sem energia elétrica, esgoto, água encanada, agência bancária, tinha apenas 1.936 almas. O grosso da população vivia na zona rural. A criação do Território Federal do Amapá tirou do Estado do Pará os municípios de Macapá, Mazagão e Amapá. Conseqüentemente, restaram 50 municípios. Na Região Norte havia dois Estados: Pará e Amazonas e o Território Federal do Acre, com população de 1.593.100 pessoas. O censo demográfico de 1940 demonstrou que o crescimento vegetativo da população foi mais expressivo na faixa etária de zero a 29 anos, assim distribuído: 0 a 9 anos igual a 272.933; 10 a 19, em torno de 215.913; de 20 a 29, aproximadamente 171.181 habitantes.Em 1943, a população do Pará era de 1.022.100 habitantes. Viviam 484.100 indivíduos no Amazonas e 86.900 almas no Acre.

A exemplo da maioria dos municípios paraenses, as unidades municipais do Amapá enfrentavam sérios problemas de saúde. Se a coisa era complicada na cidade de Belém, imagine no interior. O índice de alfabetização das pessoas com 18 anos para mais era de 46,6%, correspondente a valor absoluto de 229.831 cidadãos, de um montante de 493.666 pessoas residentes na capital. A taxa de crescimento da população variava de 38,49% a 46,51%. A relação das doenças que mais matavam por ano indicava os seguintes dados: Infecciosas e parasitárias (5.042); câncer e outros tumores (286); aparelho circulatório (1.206); urinárias e aparelho genital, exceto doenças venéreas, gangrenas e puerperais (2.820); respiratórias, não incluindo tuberculose (1.278).


 
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