Uma filha de Cabralzinho na cidade de Amapá

A ilustre visitante chegou a Macapá no dia 19 de julho de 1950, viajando em avião do Correio Aéreo Nacional-CAN, sendo festivamente recepcionada pelas autoridades, estudantes e populares.

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No inicio do mês de julho de 1950, o Governador Janary Gentil Nunes formulou convite a Sra. Altamira Cândida da Veiga Cabral Cacela para que ela viesse conhecer Macapá, capital do Território Federal do Amapá e a cidade de Amapá, onde seu pai, Francisco Cabral da Veiga Cabral, o Cabralzinho, liderou a reação dos brasileiros contra as pretensões dos franceses. Altamira Veiga Cabral era a terceira filha do casal Francisco Xavier da Veiga Cabral e Altamira Waldomira Vinagre da Veiga Cabral. Seu avô Pedro Augusto de Oliveira Vinagre descendia do tenente da Guarda Nacional, Francisco Pedro Vinagre, o 2º Presidente Cabano do Pará. Altamira Cândida já estava viúva do jurista e homem público do Pará, depurado estadual na década de 1920 e ex-prefeito de Belém na década de 1930, Dr. Alcindo Comba do Amaral Cacela. Dentre as filhas de Cabralzinho foi a que conviveu por mais tempo com o herói do Amapá. Sabia detalhes históricos da refrega entre brasileiros e franceses que o próprio pai lhe contou. Muitos destes detalhes foram repassados aos estudantes de Belém que a procuravam frequentemente. Desta feita ela iria conhecer a antiga vila do Espírito Santo do Rio Amapá Pequeno, local onde seu pai, a 15.05.1895 se notabilizou impedindo que os franceses consolidassem a ambição de dominar a região entre a margem esquerda do rio Araguary e a margem direita do rio Oiapoque. A ilustre visitante chegou a Macapá no dia 19 de julho de 1950, viajando em avião do Correio Aéreo Nacional-CAN, sendo festivamente recepcionada pelas autoridades, estudantes e populares.

Às 17 horas, a Sra. Alcindo Cacela, participou de uma solenidade realizada no Cine-Teatro Territorial, entregando ao governador Janary Nunes a farda de General Honorário do Exército Brasileiro, que Cabralzinho usava nas solenidades cívicas, espada, cinto e insígnias. Também passou ao governador uma bandeira brasileira e uma francesa, ambas rasgadas, bandeira do Estado do Pará e do Triunvirato do Território Amapaense. Compareceu à solenidade o senhor Bernardo Batista da Silva, então com 63 anos de idade, mas que, segundo Otávio Meira, autor de “Fronteira Sangrentas”, tinha 8 anos em 1895. Ele era natural da vila de Amapá e recebeu grave ferimento no punho esquerdo devido a um tiro desferido pelos invasores. Bernardo Batista da Silva faleceu em Macapá no dia 7 de dezembro de 1979, com 99 anos. Até o dia 21 de julho a senhora Altamira da Veiga Cabral ficou em Macapá como hóspede do governo territorial, alojada no Macapá Hotel. Dia 21, pela manhã, a ilustre visitante tomou o avião do CAN, que fazia a linha Rio de Janeiro-Caiena e seguiu para o Município de Amapá, desembarcando na pista da Base Aérea. Na cidade de Amapá ela foi saudada pelo Dr. José da Silva Castanheira, Juiz de Direito da Comarca local e pelo Prefeito Vitorino Luna. Algumas pessoas que participaram do ato de reação contra os franceses mantiveram demorada conversa com dona Altamira. No dia 22 de julho, aproveitando a escala que o avião do CAN fez em Amapá, com destino a capital da Guiana Francesa, com nova parada em Oiapoque, a filha de Cabralzinho seguiu para a cidade fronteiriça onde recebeu homenagens das autoridades e do povo. Ali conheceu outro cidadão que lutou ao lado de seu pai: Guilherme da Luz. Em 1950, Guilherme da Luz contava 79 anos de vida e deve ter nascido em 1877. Faleceu em Oiapoque com 97 anos. Quando o avião retornou de Caiene e pousou em Oiapoque, dona Altamira Cândida da Veiga Cabral Cacela nele embarcou e voltou para Belém.

Os objetos que a senhora Altamira entregou ao governo do Amapá foram repassados ao Museu Territorial instalado no interior da Fortaleza de São José. A bandeira do Triunvirato correspondia a um retângulo dividido em três faixas horizontais de igual dimensão, nas cores vermelho branco e vermelho. A bandeira francesa é butim de guerra e foi tomada do soldado Etyenne depois que Cabralzinho o feriu com um tiro no rosto.

O uniforme de General Honorário foi vestido em um manequim cujo rosto tinha as feições de Cabralzinho. Nele estavam colocadas as insígnias do herói. A espada de Cabralzinho também estava colocada no manequim. A farda que Cabralzinho usava nas solenidades cívicas lhe foi concedida pelo Exército Brasileiro no Rio de Janeiro, dia 11 de junho de 1896.


 
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