Um barco para o céu

A Sodoma do deserto ainda existe, e o justo está morto nas almas afogadas. Agora diga ao anjo que destrua o mal pela raiz. Quem foi que escreveu a fome e a fraqueza de quem foge com o filho no colo e os calos nos pés?

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Ao ver o corpo de uma criança na praia dormindo seu sono eterno, o que podem dizer os poemas?

As mulheres numa tentativa de travessia parece que levaram bóias infantis. Aquelas bóias coloridas são brinquedos feitos de súplica a um mar furioso onde as mães pedem desesperadas para que ele tenha piedade da vida de seus filhos.

A Sodoma do deserto ainda existe, e o justo está morto nas almas afogadas. Agora diga ao anjo que destrua o mal pela raiz. Quem foi que escreveu a fome e a fraqueza de quem foge com o filho no colo e os calos nos pés?

Leva daqui pra lá não sei pra onde na base de água ou fogo toda essa dor, porque as lágrimas formam um oceano de tristeza e medo nesse tempo de fim.

Deus pai, o que fizeram em teu nome? Não vês que tememos ficar fora deste céu tão egoísta? De que é feito o coração das guerras? Será feito da busca pelas tuas promessas? Será feito daqueles que se declaram incluídos nas hierarquias celestes e donos da chave do paraíso? Agora, igrejas, recolham os feridos das guerras, sem dízimo, por favor.

Mortos os ditadores e os crápulas da religião, ficam os xenófobos apedrejadores, os neonazistas e a covardia das nações do mundo. Fica o comércio de armas e a mente frágil da juventude recrutada pela tela de um computador.

Agora põe um barco no mar e leva os inocentes pro teu céu. Leva desse mundo de desperdício e fome, de pouca paz, desde Jerusalém até a África, onde morre gente que nem nasceu ainda. Agora o mar parece um aquário de crianças que procuram pelas mães que choram na travessia.

Bom Domingo.


 
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