As famílias acolhem as famílias

Entre tantos projetos, chamou minha atenção, em particular, o testemunho da Caritas Ambrosiana da arquidiocese de Milão, em que famílias acolhem outras famílias. Esse projeto tem o título “Refugiado na minha casa”, que visa ao acolhimento de pessoas que veem, sobretudo, do continente africano. Desse jeito, o projeto permite dar uma proteção internacional aos refugiados e também viver a fraternidade com culturas diferentes. Os escolhidos, por meio do projeto, têm a garantia de um acolhimento seguro, com vistas à promoção da autonomia dos refugiados.

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Nessa minha estadia na Itália, para uma missão pastoral, tenho percebido um grande problema no país: o fenômeno do racismo. Ele parece aumentar e já é grande ameaça à sociedade. A imprensa italiana divulga amplamente essa praga quase que diariamente. Diante de tantos fatos, o que mais me chama a atenção é ver como muitos cristãos reagem ao crescente racismo. Naturalmente, além de ficar atraído pelas palavras sempre sábias do nosso papa Francisco, eu pude ver de perto os projetos promovidos pela Caritas italiana, que têm o objetivo c0ncreto de combater o ódio racial.

Entre tantos projetos, chamou minha atenção, em particular, o testemunho da Caritas Ambrosiana da arquidiocese de Milão, em que famílias acolhem outras famílias. Esse projeto tem o título “Refugiado na minha casa”, que visa ao acolhimento de pessoas que veem, sobretudo, do continente africano. Desse jeito, o projeto permite dar uma proteção internacional aos refugiados e também viver a fraternidade com culturas diferentes. Os escolhidos, por meio do projeto, têm a garantia de um acolhimento seguro, com vistas à promoção da autonomia dos refugiados.

Assim sendo, esse acolhimento permite aos italianos conviver com pessoas que chegam de outros países e experimentar a solidariedade e a partilha, que por sua vez é compartilhada com o resto da comunidade. Assistindo à televisão italiana, pude constatar, através de um documentário, esses momentos fraternos de várias famílias reunidas para comemorar um evento especial de um refugiado. As pessoas de raças e cores diferentes unidas e com o sorriso estampado nos rostos deles compartilhavam a refeição. Todos felizes. De imediato, conclui: que pontapé ao ódio e ao racismo!

Eu penso também como o Brasil repete essa experiência de compartilha, alimentado pelo ideal cristão. Conheço muitas pessoas que praticam essa caridade. Quero dar um destaque, nesse momento, ao grupo “Madre Teresa de Calcutá”, que conheço muito bem, em que várias senhoras se preocupam com o acolhimento e, na medida do possível, tentam viver essa verdade de comunhão com os mais desamparados. Acho que os brasileiros têm de ter mais coragem de viver o testemunho cristão para acolher e compartilhar situações de emergências de pessoas que estão confinadas na sociedade.

Para os cristãos, a única maneira de combater a desigualdade, o racismo, a homofobia, os preconceitos, é praticar a lei do amor de Jesus: fazer-se próximo desses irmãos abandonados ou excluídos. A lei do cristão, portanto, mais que palavras, é ação. O testemunho do ‘bom samaritano’ é o exemplo para cada um de nós. E creio que esteja ao alcance de todos e todas. O papa Francisco disse às claras nesses dias que os excluídos e marginalizados, não reconhecidos, antes de tudo, são pessoas e não ameaças. São dons. O santo padre sempre nos surpreende com as palavras.

É verdade que, às vezes, todos sentimos preocupação, desconfiança, um mal-estar diante dos excluídos, mas precisamos nos deixar levar pela Palavra de Deus para vencer tudo isso. Necessitamos nos deixar invadir pela presença de Deus para vivermos a verdadeira justiça entre as pessoas. Por exemplo, a onda de violência que parece aumentar a cada dia no Brasil, principalmente nos grandes centros urbanos, não é a falta de uma maior vivência da lei do amor que Jesus nos prega? Será que toda essa onda de violência não seja um grito de desespero das pessoas em ficar longe de Deus?

As famílias que aqui na Itália estão experimentando a caridade cristã demonstraram ser muitos felizes e minimamente preocupadas com os perigos do mundo. Quem vive reconhecendo o outro, compartilhando com o outro ameaçado, tem mais possibilidades de ter uma visão objetiva da realidade e, portanto, viver a maravilha da vida. Veja o que diz o santo padre papa Francisco: “A misericórdia promove a vida. Ela não faz rodeios para salvar o ser humano. A vida está em primeiro lugar. Salvaguardar a vida, seja de quem for, é a Lei Máxima! E quando se fala em vida não se restringe à vida física, mas se compreende também a moral, a psíquica, a espiritual. Fala-se da vida do Homem. Tudo deve estar subordinado a esse valor, porque Deus é vida e Ele assim determinou que fosse. Ao se solidarizar com o marginalizado, o samaritano encontrou Deus e a verdadeira religião.”

Quando a gente assiste a testemunhos de amor entre as pessoas, podemos alimentar a esperança de uma vida que ninguém pode ameaça-la. A nossa vida se encara diferentemente. Não ponhamos limites a nossa capacidade de ajudar as pessoas que precisam de nós. É a nossa caridade que salva a nossa sociedade, tanto da Itália quanto do Brasil e de todos os países do mundo. Este é o segredo da vida eterna.


 
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