Às margens dos rios de Babilônia, nos assentávamos chorando

Os primeiros, de 1 a 4, têm como grande cenário os rios de Babilônia. No entanto, os versículos 5 e 6 transmitem a saudosa lembrança de Jerusalém.

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O salmo 136 das Sagradas Escrituras lembra a tragédia vivida por Israel pela destruição de Jerusalém no ano 586 antes de Cristo e, sucessivamente, o novo exilio em Babilônia. Essa lembrança foi misturada com música, poesia e literatura da tradição judaica. Ao todo, o salmo se confecciona com nove intensos versículos. Os primeiros, de 1 a 4, têm como grande cenário os rios de Babilônia. No entanto, os versículos 5 e 6 transmitem a saudosa lembrança de Jerusalém.

Enfim, os últimos versículos se concentram de novo sobre Babilônia, manifestando toda a vingança sobre ela. Porém, é a partir dessa saudade de Sião, onde envolve todos os membros do corpo e suas manifestações: “Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, que minha mão direita se paralise! Que minha língua se me apegue ao palato, se eu não me lembrar de ti”. E se formos analisar todos esses detalhes, podemos dizer: as mãos são determinantes para os tocadores de harpas, mas o fato que elas ficaram penduradas nos salgueiros daquela terra ficou evidente que o silêncio de luto tomou conta do povo em exilio. Uma tristeza absoluta. E as línguas? São indispensáveis para os cantores.

Por isso, o autor do hino diz: “Que minha língua se me apegue ao palato, se eu não me lembrar de ti, se não puser Jerusalém acima de todas as minhas alegrias.” Inutilmente, os nossos opressores tentaram violentar o nosso silêncio de tristeza, exigindo cânticos de alegria. Os cantos de Israel não são folclore, exibição espetacular, mas hinos de culto no Templo de Sião. E, enfim, os versículos de 7 a 9 são uma violenta execração contra os inimigos de Israel. Porém, a maldição é confiada a Deus, porque Ele mesmo fará justiça ao seu eleito, é Ele o verdadeiro defensor.

Aqui se refere em particular aos edomitas, quais descendentes de Esaú, irmão de Jacó e filho de Isaque, emparentados com os hebreus. Eles se aliaram com as forças invasoras de Babilônia, cujo rei era Nabucodonosor, no ano 586 a.C. e conquistaram Israel. Portanto, tornaram-se traidores. Mas a grande maldição é reservada para a “filha de Babilônia”. Como? “Ó filha de Babilônia, a devastadora, feliz aquele que te retribuir o mal que nos fizeste! Feliz aquele que se apoderar de teus filhinhos, para esmagá-los contra o rochedo!”

Perante toda essa violência, Deus quer conduzir o seu povo, além de tudo isso, na espera que se revele junto à justiça também a força do amor que supera todas as incompreensões, desafios e vinganças. E para ajudar entender melhor isso, podemos citar o evangelho de Mateus em que diz: “Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direi¬ta, oferece-lhe também a ou¬tra…Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem.” O amor prevalece sobre toda violência e ajuda a ter horizontes infinitos.


 
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