Enciclica do papa Francisco: ‘Fratelli tutti’

“Fratelli tutti” (Todos irmãos), do santo padre Francisco, nos convida a ter um coração aberto ao mundo inteiro para trabalhar em prol da fraternidade universal.

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“Mesmo depois do céu cinzento da pandemia, esta encíclica abre um horizonte de esperança: todos nós somos chamados a nos tornarmos irmãos e irmãs. Surge um sonho pelo qual devemos viver e lutar, mesmo com as mãos nuas”. Assim falou o professor Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Sant’Egidio, docente de História Contemporânea, sobre a nova encíclica do papa.

“Fratelli tutti” (Todos irmãos), do santo padre Francisco, nos convida a ter um coração aberto ao mundo inteiro para trabalhar em prol da fraternidade universal. Como? Em síntese: acolher as pessoas migrantes e todos os marginalizados, desenvolver a consciência de que ou nos salvamos todos ou não se salva ninguém e buscar um ordenamento jurídico, político e econômico mundial que tenda para o desenvolvimento solidário de todos os povos.

Precisamos, diz o papa, abrir as nossas mentes e os corações para que nos ajude a perceber o diferente na comunhão universal de cada grupo humano que encontra a sua beleza. O ser humano é o ser fronteiriço que não tem qualquer fronteira. “Todos irmãos”, expressão do grande santo Francisco, aponta um projeto de fraternidade bem claro e substancial para toda a humanidade, meio perdida. E um dos obstáculos para essa fraternidade é a guerra. “A guerra – diz o Papa alarmado – não é um fantasma do passado, mas se tornou uma ameaça constante”.

O professor Riccardi comenta que “a encíclica alarga o nosso olhar sobre o mundo à luz da fraternidade: o que está distante de nós, diz-nos respeito. O olhar da fraternidade nunca é míope. É evangélico e humano, mas também muito mais realista do que muitas ideologias ou políticas que a si mesmas se autodefinem como realistas.” As guerras não podem melhorar a vida das pessoas e dos povos, alias abalam o ser humano como um todo.
Lembro-me quando meu pai me contava sobre os seus momentos trágicos que viveu na II Guerra Mundial e que nunca conseguiu delatar de sua memória. Dizia-me que a vida dele foi marcada por essas bombas e projéteis que passaram perto dele. O seu psicológico foi prejudicado para sempre, tanto que uma vez, chorando, ele me pediu para compreendê-lo, quando se alterava demais. E, por isso, concordo com o papa quando ele diz: “Cada guerra deixa o mundo pior do que o encontrou”. A guerra, escreve o santo padre “é um fracasso da política e da humanidade, uma rendição vergonhosa, uma derrota diante das forças do mal”.

A encíclica “Fratelli tutti” insiste sobre a responsabilidade de todos como construtores da paz. Portanto, desperta em todos nós o lado protagonista, o ser promotor de um mundo da paz. “Fratelli tutti” envolve também todas as religiões a testemunhar o diálogo, a promover a paz, mensageiras de amor transcendente a um mundo faminto e sem escrúpulos.

Papa Bergoglio escreve ainda na encíclica: “Procurar a Deus com o coração sincero, contudo, sem o macular com os nossos interesses ideológicos ou instrumentais, ajuda-nos a reconhecer-nos como companheiros de caminho, verdadeiramente irmãos”.

Este belíssimo documento nos exorta, enfim, a sermos mais próximos uns dos outros para compreendermos a beleza do Criador, da vida e sermos arquitetos da paz. E termino com essa frase tão significativa do papa Francisco: “Se consegues ajudar uma só pessoa a viver melhor, isso já justifica o dom da tua vida.”.


 
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