Louvai, ó servos do Senhor!

A graça, portanto, não nos autoriza a soberba, não nos autoriza a nos sentirmos melhor que os demais. Graça é dom de Deus em sua liberdade e em seu amor, para nós, filhos e filhas.

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A graça, dom de Deus para nós, reconduz-nos à condição de filhos e filhas amados. Nós tínhamos nos apartado dessa condição com o pecado original. Com Cristo, o Novo Adão, somos chamados a fazer parte da Nova Criação. Todos, independentemente de nossos méritos, somos alvo da graça de Deus. A graça, portanto, não nos autoriza a soberba, não nos autoriza a nos sentirmos melhor que os demais. Graça é dom de Deus em sua liberdade e em seu amor, para nós, filhos e filhas.

Fazer a graça frutificar, traduzir a graça recebida em obras e em amor fraterno, depende de nós, de nossa participação! Temos visto como Maria, que encontrou graça no Senhor, deu o seu sim e participou, assim, de nossa transformação rumo ao bem, por meio de seu filho Jesus. Assim, te convido a louvar o nosso Deus com o salmo 112 das Sagradas Escrituras.

“Aleluia. Louvai, ó servos do Senhor, louvai o nome do Senhor. 2. Bendito seja o nome do Senhor, agora e para sempre. 3. Desde o nascer ao pôr-do-sol, seja louvado o nome do Senhor. 4. O Senhor é excelso sobre todos os povos, sua glória ultrapassa a altura dos céus. Quem se compara ao Senhor, nosso Deus, que tem seu trono nas alturas, 6. e do alto olha o céu e a terra? 7. Ele levanta do pó o indigente e tira o pobre do monturo 8. para, entre os príncipes, fazê-lo sentar, junto dos grandes de seu povo. 9. E a mulher, que, antes, era estéril, ele a faz, em sua casa, mãe feliz de muitos filhos.”

Agora vamos tentar entender um pouquinho o salmo. Esse hino faz parte da liturgia judaica da Páscoa e também da Pentecostes e das Cabanas. Seguindo as indicações seja da Mishnah que do Talmud, as grandes coletas das tradições hebraicas, os salmos ‘112 e 113 A’ eram recitados antes da ceia pascal, e no final da ceia se orava os salmos ‘113 B e 117’. Esses salmos do louvor têm ou no começo ou no fim o famoso ‘Aleluia’, isto é, ‘louvai Deus’.

É um salmo sucinto e podemos dividi-lo em três estrofes. A primeira que vai dos versículos de 1 a 3 é dedicada ao louvor do nome santo de Deus, da sua pessoa. Isto é celebrado e hosanado pelos fiéis, em forma de ladainha, por três vezes, sempre repetindo ‘nome do Senhor’. A segunda estrofe dos versículos de 4 a 6, no entanto, exalta a transcendência cósmica de Deus. Isso porque Deus domina não somente as realidades materiais que nos pertencem, mas também os seres que vão além, isto é, os celestiais. Tudo lhe pertence e tudo controla. E a terceira estrofe dos versículos de 7 a 9 Deus de cima do cosmo, da sua imensa transcendência se abaixa para “levantar do pó o indigente e tirar o pobre do monturo” e, assim, tira-los da humilhação.
Esse salmo celebra Deus imenso nas alturas e, ao mesmo tempo, tão próximo das pessoas e das suas realidades. Um Deus transcendente e um Deus presente. Um Deus presente, sobretudo com as criaturas que sofrem e humilhadas. Você se lembra do canto do Magnificat? Muito bem, nele encontramos dois desses versículos: “Lançou os olhos para a baixeza da sua escrava” e “Depôs do trono os poderosos, e elevou os humildes.” E o papa João Paulo II, na audiência geral de quarta feira, 26.02.2003, disse o seguinte:

“Devemos apenas deixar-nos atrair pelo insistente apelo a louvar o Senhor: ‘Louvai ao Senhor… louvai-O… louvai-O!’. Na abertura, Deus é apresentado sob dois aspectos fundamentais do seu mistério. Ele é, sem dúvida transcendente, misterioso, distinto do nosso horizonte: a sua habitação real é o “santuário” celeste, o “firmamento do seu poder”, semelhante a uma fortaleza inacessível ao homem. Contudo, Ele está próximo de nós: está presente no “santuário” de Sião e age na história através dos seus “prodígios” que revelam e tornam experimentável “a sua imensa grandeza”. Por conseguinte, entre a terra e o céu estabelece-se como que um canal de comunicação em que se encontram a ação do Senhor e o cântico de louvor dos fiéis. A Liturgia une os dois santuários, o templo terrestre e o céu infinito, Deus e o homem, o tempo e a eternidade.

Durante a oração, nós realizamos uma espécie de subida para a luz divina e, ao mesmo tempo, experimentamos uma descida de Deus que se adapta ao nosso limite para nos ouvir e nos falar, para se encontrar conosco e nos salvar. (…) Portanto, está envolvida no louvor divino, antes de mais, a criatura humana com a sua voz e o seu coração. Com ela, são idealmente interpelados todos os seres vivos, todas as criaturas que respiram (cf. Gn 7, 22), para que elevem o seu hino de gratidão ao Criador pelo dom da existência.”


 
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