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Pe. Claudio Pighin

O analfabetismo digital


A comunicação, o grande desafio do nosso tempo, é o fundamento existencial da relação humana, que tem o poder de fazer passar tal relação da essencial à existência, do intemporal (sem tempo) ao histórico. O destinatário assim procede em direção à meta de se tornar, não somente o que recebe comunicação, mas também que comunica. É um sujeito que procura e cria, determinado aprender a ser. É um laboratório de cor, sentimento, fantasia, razão, que o faz sujeito receptor e transmissor.

Como destinatário da comunicação audiovisual e das redes sociais, vive hoje imergido numa realidade flutuante, composta e heterogenia, experimentado o assim chamado conhecimento empírico. No entanto, não pode se tornar um recipiente, mas um filtro. Este é possível, se sabe se tornar no mesmo tempo comunicador e receptor. Este é o desafio que se apresenta hoje. Porém, não podemos negar também a grande importância que têm os instrumentos da comunicação social em promover a unidade e o progresso da família humana.

Porém para saber desafiar essa ferramenta digital precisamos conhecê‒la. No entanto percebo que é mais uma satisfação de mercado, onde as pessoas simplesmente adquirem sem ter uma preocupação de conhecer o seu uso, e se por acaso tiver um conhecimento é muito pouco. Assim sendo torna‒se escravo da tecnologia, isto é não tendo a capacidade de fazer um reto uso dela e no mesmo tempo recepcionar tudo o que ela pode conter. Efetivamente hoje podemos constatar em geral que não existe uma cultura, uma educação do mundo digital e suas ferramentas. É um grande vazio que toma conta de todos os setores da nossa sociedade. É o analfabetismo digital. Por isso existe cada aberração na fala das pessoas quando se referem a esse tipo de comunicação virtual.

Da mensagem de S. João Paulo II para a 25ª jornada mundial para as comunicações: “O uso dos meios de comunicação, hoje, a total disposição dos seres humanos, requer um alto sentido de responsabilidade com o qual se faz o seu uso”.

Não obstante, o progresso da tecnologia precisa reconhecer que o nosso tempo, e também a mídia, é marcado por um difuso sentido de insegurança. É a insegurança que gera os seus medos.

O tempo da telemática é, portanto, contraposto por um sentido geral de mal estar existencial, que constitui aquilo que chamamos de medo do ser humano contemporâneo. Ocorre, portanto, sermos preparados mentalmente e culturalmente para enfrentar esta situação de poder que seduz e, ao mesmo tempo, faz medo.