Ter consciência dos nossos limites da identidade

O que está em jogo é a própria identidade pessoal. Nesse sentido, questionar-se é como um espelho que mantém viva a sua capacidade de não perder de vista o conhecimento de ‘SI’. Do ponto de vista psicológico, podemos dizer que muitos elementos da vida mental não conseguem ter uma constância. Ou seja, temos componentes que vão e vem, conforme as circunstâncias da vida.

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Hoje em dia, qual é a sua identificação? Quem acha de ser?

 

O que está em jogo é a própria identidade pessoal. Nesse sentido, questionar-se é como um espelho que mantém viva a sua capacidade de não perder de vista o conhecimento de ‘SI’. Do ponto de vista psicológico, podemos dizer que muitos elementos da vida mental não conseguem ter uma constância. Ou seja, temos componentes que vão e vem, conforme as circunstâncias da vida.

Além do mais, há componentes, inclusive, que agem por si mesmo, iludindo que sejam decisões do nosso ‘si’, da nossa consciência. Esse grande questionamento da nossa identidade pessoal a revista New Scientist demonstrou, por meio de uma pesquisa, que a identidade é um conjunto de componentes. Agora a questão é essa: como esses componentes ficam unidos entre eles? De outro jeito, faltando essa unidade, continuidade, não teríamos capacidade de nos conceber como pessoa única. Portanto, psicologicamente falando, o que nos tem unidos na percepção de tantas informações que vem tanto do corpo quanto do mundo externo da gente?

Justamente, o que mantém unido tudo isso, é a nossa personalidade, o ‘si’, a própria identidade. Na verdade, trata-se de uma ação bem complexa, em que o cérebro faz a parte dominante, e que na maioria das vezes a gente não tem consciência. Além do mais, existe também a ilusão de sermos os autores conscientes das nossas ações.

É bom dizer também que a nossa percepção identifica o presente como algo reconstruído que tinha acabado de passar. Ou seja, talvez não exista o presente em ‘si’. Os pesquisadores dizem que não temos capacidade mentais de conhecer o futuro porque não percebemos, de fato, o presente, mas, sim, o passado imediato que o transformamos como presente. Com isso, podemos dizer que chegamos atrasados na percepção da realidade. Com essa margem de diferença, por quanto possa ser mínima, não podemos dizer que conhecemos 100% o presente. Porém, segundo o psicólogo Bruce Hood, da Universidade de Bristol, é por meio das relações com os outros que damos mais consistência ao próprio ‘si’.

Naturalmente, para poder interagir com os outros, precisamos ter consciência dos nossos limites da identidade. Isto nem sempre é alcançável. Veja bem, no caso das pessoas que sofrem autismo há maior dificuldade nesse relacionamento, e também de compreender as ações dos outros. Além disso, segundo alguns psicólogos, incide muito a interação social na construção e sustentabilidade do ‘si’. E essa interação social se diferencia em contextos culturais diferentes.

Essa diferença nos testemunha que, em contextos culturais diferentes, se formam ‘Si’ não iguais, cada um com a sua bagagem que mantém a identidade pessoal. Outro elemento importante que foi relevado por um grupo de pesquisadores americanos é que a saudade teria o papel principal de manter a condição psicológica de continuidade do próprio ‘Si’. Veja como acontece tudo isso. Na medida em que tens o prazer de lembrar o passado, na realidade estás dando valor às próprias identidades passadas e também às pessoas, aos lugares e fatos da vida transcorrida. A saudade está a serviço da unidade do ‘Si’.


 
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