O pó dos Sonhos

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– Poeta angustiado, pretenso escritor de sucesso, autodidata, boêmio, viciado em tudo, do sexo as drogas, mais inexplicavelmente firme, matutino, e assíduo em suas atividades de conquistador de almas, figura muito popular.
Era José Razo de Castelo, um desses homens importantes da literatura que a humanidade perdeu de vista, como milhares e milhares de outros.
O que contarei sobre esse poeta é especifico, pois não posso biografa-lo.
– Carmem Teresa o conheceu, o seduziu e o conquistou com suas facilidades sexuais e sociais, além de algum e ilusório dinheiro.
Castelo , como era conhecido nas noites e também nos meios intelectuais, tinha o desapego que a maioria dos homens da arte tem, caminhava pelo mundo distraído, cheio de sonhos, era simpático e fácil de atrair companhias femininas.
Daremos agora um salto, pois isto aqui é apenas um ensaio.
_ Era primavera em Veneza, e os recursos financeiros e de saúde da linda Carmem agora se esgotavam, eram os pequenos trabalhos de tradução e artigos arranjados com amigos boêmios ricos e influentes que Castelo sustentava a vida difícil do casal nesse tempo. Então como de praxe Carmem começou a despejar sua ira em Castelo, chamando-o de vagabundo , inútil, que aquele sonho com aquele livro que nunca saía era idiotice.
– Arranje trabalho de homem, dizia ela, e quanto mais a doença lhe consumia , mais ela se tornava uma megera.
O expediente de um escritor é o pensar, o contemplar, a pesquisa e o escrever, podem chamar de vadiagem, pois é uma forma de expressar aqueles que trabalham com o prazer.
Eram essas brigas advindas da estupidez que implodiram um bloqueio criativo na mente de Castelo, mais ele não desistia de criar uma familia com Carmem, algo completo com dialogo, filhos, problemas e risos.
Então Carmem foi internada com graves problemas pulmonares, ele ficou ao lado de seu leito enquanto escrevia desesperadamente o romance, mais ele tinha que pagar a conta do hospital. Então recebe uma proposta de venda do titulo, ou seja vender sua ideia para um pseudo escritor rico e famoso.
Já em casa, ela pergunta como ele pagou a conta da internação , ele responde , com o pó dos sonhos.
– Mais o pó dos sonhos era o nome do seu romance.
– Ele responde , pois é.
Bate a porta e some pela noite veneziana.

Bom domingo


A arrogância e a fera

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Arrogante! Tu não percebes que jogou a rede e lutou com unhas e dentes pela captura da fera?

Agora tu tens uma fera domada que não vê sentido em voltar para a vida selvagem; está amedrontada e ferida, e boa parte de sua vida lhe foi roubada.
Agora pegas a fera e queres submetê-la a maus tratos, e a natureza diz, tu és eternamente responsável pelos teus desejos, não maltrates aquilo pelo qual lutastes tanto, pedistes tanto, fizestes oferendas aos santos pela fera, vendestes a tua alma.

Lembra das horas em que teu desespero foi grande e rogaste para vencê-la? Lembra que trancastes a jaula? Lembra dos gritos e depois do prazer que tivestes em possuí-la?

Lembre das coisas que tirastes dela, o verde da mata, o azul do céu, o cheiro do mar. Lembre de quando ela era viçosa e tinha forças para correr pelos campos.

Agora tu a humilhas e a deixas no canto, amarrada, sem saber o que poderia ser a vida em liberdade; agora a fera gorda e sem brilho no olhar é triste e nem sabe que é triste, olha a lua e chora, e nem sabe porque chora, dizem que chora pela certeza de estar vencida.

Conhecias os segredos e os costumes da fera, ficastes de tocaia noites e noites, esperando com tua isca e armadilha para atraí-la.

Olha, mulher, desde o início sabias da maçã e da língua da serpente; sabias que serias estátua de sal se na fuga de Sodoma olhasses para trás; sabias que não esconderias nada de Deus, e riste, tu não acreditastes que a luta tem seus dias e suas conquistas, e que isso seria a verdade da tua vida inteira. Tua, da tua arrogância e do teu desprezo pelo amor conquistado.

A Lua, a única coisa que preenche o vazio da fera, queres apagá-la, queres cegar a fera, cutucar suas feridas; agora ameaças matá-la, e matar o amor que a fera deixa cair dos olhos por ti, quando sozinha no escuro.

Vou rogar para que a fera alimentada pela luz da Lua num surto de força se erga e quebre a jaula e corra pela última vez para a beira do riacho de águas doces e límpidas para morrer e matar da memória seus dias perdidos, e quando estiver deitada em plena relva verde e úmida fixe seu olhar na Lua acesa pelo Sol e deixe que tudo seja o fim.

Osmar Jr.


Sol de Primavera

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– Um Sol de Primavera virá em breve iluminar as esperanças do Brasil.

É a anunciação de um movimento rumo a um novo horizonte que talvez as ciências políticas teorizem, mas agora começa a aparecer como prática de uma nova mentalidade, que é a organização social que cria um movimento dos cidadãos que querem saber o destino dos impostos que pagamos.

Eu sempre soube que o problema do brasileiro é cultura, porque nós ainda pensamos cultura como somente a arte e a fomentação dela. Acontece que cultura é cidadania também, é quando o povo tem sua parcela intelectual conscientizada, para não passar por bobo da corte, que é como nos veem os políticos de mentalidade medíocre, pois o brasileiro não luta por seus direitos por não conhecê-los e não exigi-los. Isso não vai mais acontecer!
São mais de oitocentos bilhões em impostos que desaparecem, deixando-nos sem serviços básicos, como saúde e educação. Se pagássemos menos impostos viveríamos bem melhor, e o salário daria para nos fazer mais feliz.

A grande verdade é que pagamos com a vida e o sofrimento as regalias dos três poderes, do paletó à moradia dos homens poderosos.

Estão mostrando na televisão pra todo o Brasil ver como funciona a organização escusa de políticos no Brasil; são facções que riem da gente o tempo todo, e se revelam em telefonemas grampeados, e poucos se salvam.

Nessa semana ouvi no programa do meu amigo Ivo Canutti, na Diário, uma entrevista com a jovem Jessica Pereira anunciando essa ideia de conscientização da população mediante a exploração que sofremos todos os dias; trabalhamos mais de 150 dias só pra pagar impostos. Houve uma campanha nacional semana passada promovida pela CDL Jovem, onde a gasolina aqui em Macapá foi vendida sem impostos mostrando à população quanto seria pagar combustível sem os impostos. Pasmem! Sairia por R$ 1,60 o litro. O problema não é pagar imposto, disse Jessica, é receber isso de volta em forma de benefício.
Os homens estão cometendo aquele erro que cometeu a rainha Vitória, a Louca, que disse ao povo da França a frase que lhe levou a ser decapitada: “O povo tem fome? Dê brioches a eles”.

Temos que dar um jeito de decapitar as verbas desses vampiros do poder, e suas cabeças doentias.

Um Sol de Primavera anuncia um Brasil mais culto, um Brasil que cansou de ser enganado.

Osmar Jr.


O amazonismo na música e na literariedade de Osmar Júnior

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Osmar Junior Gonçalves de Castro nasceu em Macapá-AP, no dia 14 de junho de 1963. Autodidata, tornou-se poeta, compositor, cantor, cronista e produtor cultural em sua cidade situada no extremo norte do Brasil, na Amazônia brasileira. É um dos principais nomes da música ideológica preservacionista da região. Seus temas se tornaram conhecidos pelas letras com expressões regionais e suas mensagens de denúncia às agressões do meio ambiente e da identidade cultural da Amazônia.

Índiso, negros e caboclos são poeticamente citados em suas canções. Na déca dos anos 1980 fundou junto aos seus parceiros Amadeu Cavalcante, Val Milhomem e Zé Miguel o Movimento Costa Norte para investigação, divulgação e presrvação da música produzida no Amapá e consecutivamente na Amazônia, mudando, assim, o panorama de música local. Compôs, nessa época, um álbum com dez músicas que falam da ecologia e injustiças sociais sofridas pelo povo amazônico.

Era um novo tempo pós a ditadura militar no Brasil. O Álbum chamado Sentinela Nortente tornou-se referência na voz de Amadeu Cavalcante. Coproduziu o vinil Vida Boa de Zé Miguel e logo após lançou seu álbum solo Revoada, que traz o clássico Igarapé das Mulheres.

As fusões rítmicas universais trabalhadas em suas obras retratam a música amapaense de raiz com um toque bem popular, a partir do seu violão e canto.

Osmar Junior tem 18 álbuns lançados entre solos, coletâneas e parcerias. Seus múltimos trabalhos são audiovisuais. Os documentários musicais Piratiba, a Cantoria no Lago,em defesa dos rios e biomas do Amapá, e Indiera, que fala sobre a invasão do capitalismo na alma indígena.

Sua música perlustra as devastações, as extinções, a biopirataria e a morte das culturas tradicionais da Amazônia, mas também é compositor de baladas românticas famosas na região. Por sua insistência em manter a identidade do seu povo, por sua participação na fundação do movimento musical Costa Norte, por sua paixão pela sua terra, tornou-se conhecido como o “Poetinha do Amapá”.


O Amapá e sua memória

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O homem em sua essência é um Deus. Não sabemos qual a idade de Deus, só sabemos duvidosamente da idade desta natureza que vivemos agora, ou seja, uma estrela explode e espalha pelo universo elementos essenciais à criação de um planeta, e o planeta gera seres, e aí só uma espécime evolui com inteligência divina, com espírito, com voz e mãos habilidosas para construir, plantar e fazer obras de arte.

O que é a arte?

Dizem que a arte é parte da vadiagem. Concordo, pois impossível é pensar nas coisas divinas sem se estar em estado de meditação.
Tudo isso nos faz a seguinte pergunta: Pra que serve a cultura?

A cultura é o que o homem produz, memoriza e expõe sobre sua existência, sua evolução científica e espiritual, pois esse barro essencial planeja e constroi tudo que é necessário para a sobrevivência humana na vida do planeta.

Falo isso pra poder pedir ao poder público a nossa memória e a preservação dos valores humanos que fazem e fizeram sua parte no que se refere à identidade científica e cultural do Amapá, que está a cada dia mais vazio.

E esse vazio pode nos transformar em um campo triste e infértil, onde não brotará nem soja nem sorrisos, um campo seco, sem verde, sem vida e sem arte.

Bom domingo.


A verdade sobre os corações

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Neste exato momento milhões de corações se ritualizam para amar, e não venha dizer ao meu coração que o amor é só isso, compromisso e filhos, a fidelidade é um espelho, você é fiel ou quase fiel aos seus sentimentos, ou mesmo ao seu medo de amar, o amor é um ser pensante e espiritual, ele pode estar escondido dentro de você esperando o momento certo.

O amor vai por ai como o vento, como a luz de Deus, vai por si mesmo e entra no seu coração sem ser convidado. Agora mesmo, em algum café em Paris, num bistrô em Londres, num barzinho da ilha de Marajó, numa peixaria de Icoaraci, ou as margens do rio amazonas em Macapá, os amantes se encontram, e se encontram também os olhos dos distraídos que nem percebem que o amor é o mestre do disfarce, e que pode a partir de um olhar se tornar inesquecível.

Então perguntaram a Billy Paul, cantor de ” Me and Mrs Jones”, musica que fala de um encontro secreto de amantes num café todos as tardes, porque essa musica se tornou um eterno sucesso mundial? _ ele responde , “as pessoas quiseram colocar a coisa da infidelidade como marca nessa canção, mais os amantes existem e são de verdade. E fez tremer os moralistas, e salvou os corações ocupados com seus pares fieis.

Bom, mon cherie amour, tenha uma boa noite, ou bon jour. E escutem “Amado”, da Vanessa da Mata, ela diz tudo, “quero dançar com você”, ou seja, quero fazer amor com você.


Sobre musas e poetas

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Claro que as musas fazem parte da construção com a qual se compõe uma canção ou texto poético, mas elas podem nunca ter mantido contato com o autor, ou nem terem existido, assim como podem ser a mais pura verdade.

Na antiguidade, dizia-se que eram as musas, deusas celestes, que enviavam melodias para os músicos.

Explicar isso aos pares é fundamental para a atividade artística e a convivência, caso você seja um ser da arte.

Mas é duro você ver alguém ignorar um processo de criação e comportamento e se transformar no principal bloqueador de trabalhos artísticos. Dependendo das limitações mentais, há quem queira simplesmente matar a arte dentro de um artista e transformá-lo num pastor evangélico, se bem que grandes religiosos foram grandes poetas, como Augusto dos Anjos, por exemplo, e ainda temos hoje o belo padre Fábio de Melo, o padre Zezinho e muitos cantores pastores evangélicos muito bons.

Os artistas omitem sobre muitas coisas, musas, ideias, revoltas, angústias, como em um país sem liberdade de expressão, uma prisão; simplesmente camuflam sentimentos em metáforas estapafúrdias, mas também podem chutar o pau da barraca, e se tornarem solitários inimigos de muita gente.
Por isso na história desses homens tinha tanta solidão, amores perdidos, cartas a amantes guardadas em velhas gavetas, paixões, romances secretos, versos sobre governantes, reis, líderes hipócritas desmascarados através de canções de escárnio em suas verdades já tão conhecidas do povo silencioso.

Como o poeta Gregório de Matos Guerra em Salvador que escandalizava o governador conhecido como braço de prata. Sempre lembro dele mais do que dos poetas amigos do rei.

Alguns poetas declaram seus vícios, suas orgias, e todos os pecados por eles cometidos; sabem que mesmo os homens mais arrependidos vão gritar alto seus pecados no dia de sua morte, e esse mal, a hipocrisia, poetas não querem levar para o túmulo, e se levarem vão doer mais que a morte e suas agruras; vão doer em suas obras, por isso procure ler as entrelinhas de grandes poetas, é mais divertido que videogame, garanto.
Essas histórias de poetas, pintores, músicos que tinham casos de amor proibido com marquesas, duquesas e outras damas, e que nunca poderiam ser vividos por conta das diferenças sociais e sanguíneas, ou por conta dessas mulheres serem casadas com nobres homens da corte, deram origem a grandes obras.

Nos dias de hoje tento não mentir, mas acaba me custando algumas desavenças em casa, mesmo que eu cante alguém que simplesmente é distante, fictício, alguém que faz parte somente dos meus olhos ou dos meus sonhos.

Sou um pretenso poeta trovador que canta esta terra e esta gente, mas o amor cruza meu caminho de uma forma ou de outra, e a minha reação é cantar, escrever as linhas da minha vida e descrever essas musas; todas são deusas nesta ou em outras dimensões, são fontes de inspiração as quais agradeço pela divina beleza e poesia.

Bom domingo


A profecia da cobra mundiada

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Ela é Honorato, é Sofia, é Madalena, espia no centro da floresta misteriosa com suas narinas para fora do pântano; ela sabe de tudo lá de longe, porque de tão velha e gigantesca, é parte desta terra, mãe da mata, atrai o que quiser.

Ela é com um hacker, um poder que percorre as mentes, hipnotiza, atrai, come e se satisfaz com a vida natural, traduzindo para o mundo digital que os poderes de Deus é que ficam.

Não ficará pedra sobre pedra, computador sobre computador.

Somente um assovio de vento soprando no deserto, carcaças em silêncio, ferro retorcido. Depois do caos a mata volta a dominar.

A serpente sabe que se a humanidade não estiver no rumo certo, vai ser extirpada; não pode ser nem muito mística nem muito tecnológica. Tem que ser na medida de Deus.

A cobra renasce e olha o reinício; ela é kundaline, morde a própria calda e mostra que tudo é um ciclo, tudo se acaba, civilizações desaparecem. Essas entidades também estão sendo mortas em seus santuários.

A bela num programa da televisão subestimava a sucuri enorme que para os índios é sagrada, que para as lendas é mistério. A mulher e a serpente, novamente, uma brincadeira entre seres com o poder nos olhos. Se uma bela mulher te olha, você esta perdido, mundiado.

E nos projetos que estão invadindo as reservas onde esses animais têm o direito de viver, as sucuris são desmistificadas e assassinadas.

Agora é a serpente que está mundiada, está perto das cidades, porque as cidades estão invadindo os mundos, invadindo as almas, por isso as selvas de concreto e ferro desaparecerão, a serpente não, nem a mulher, Deus queira.

A humanidade pensa sincronizada quando as divindades liberam ideias. Parece que um caos se aproxima, água, energia e emprego faltarão; a violência e a corrupção são um câncer que se espalha a cada tempo. A droga, a saúde pública e novas pragas e doenças são grandes nuvens negras formando tempestades.

Entre tudo isso, o amor pelo qual Jesus foi pregado.

Tudo isso viu a cobra, e me disse.
Ótimo domingo.


O livro dos desejos

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Luíza é uma mulher que não é feia, mas a herança temperamental do pai a transpassa como uma lança; pouco sorri em verdade, assim escondendo sua beleza.

Dentro, ela tem alguma generosidade, e um grande coração, contanto que a vida esteja dando-lhe dinheiro para que ela se sinta segura. Dinheiro é o que move seu humor; o orgulho faz parte de sua vida apedrejada por causa de uma gestação prematura, aos 16 anos um filho e muito desafio pela frente; ela tem que prover o sustento do lar. Ela sempre foi assim. Provedora, teve que se virar desde menina. Aqui falo de coisas do dia a dia, amor e vida, onde um universo se encontra com outro e segue.

Um ser humano para funcionar precisa de todas as virtudes, mas também de todos esses temperos: ambição, raiva, tristeza, preocupação, enfim… Fogo! É isso que o ser humano precisa, de combustão. A fera que você alimentar sobreviverá dentro de você, gentil ou grosseiro, bom ou mau, sábio ou ignorante. Alguém que seja só amor é débil, penso que nem Deus seja só amor, pois sua ira já dizimou cidades e civilizações, e sacrificou em altares, e sangrou.

Mais a crença no espírito nos perturba. Às vezes me pergunto se é um distúrbio. Acreditamos em um Deus vivo, oramos e pedimos misericórdia a Ele em nome de milhares de anos de cultura judaica, mas não acreditamos em uma vírgula das probabilidades fantásticas da ciência, como a volta no tempo, por exemplo.

Mas voltando ao assunto, o universo de Tomaz, um músico louco, encontrou-se com o universo de Luíza, e foi uma colisão desastrosa. Eram opostos e ela quis se transformar nele para estar por perto. Foi um desastre. Ninguém pode transformar-se em alguém, principalmente alguém como Tomaz, cheio de combustão, infiel, egoísta, viciado, amante e, pra sua salvação, artista. Tomaz era um rapaz novo, bonito, certeza de um bom parceiro sexual – a mulher procura por isso; algumas vieram só pra ter filhos e depois esquecem o homem, realizam-se e se transformam em mães fanáticas, e os filhos viram reféns.
E assim Tomaz e Luíza foram às aventuras. Muita onda rolou. Foram ao fundo do poço e voltaram juntos.

O tempo passou, a vida foi amargando e Tomaz já maduro era recusado todas as noites pelas mágoas de Luíza. Depois, aquele apelo por sexo cansou, acalmou, seu desejo ficou em silêncio. Lembrou do dia que começou a tratá-la como esposa, e não rolava mais as invenções na cama, o sexo libidinoso. Na verdade ele queria agora a parte mais bonita, o carinho, o diálogo, companheirismo, mas ela não tinha tido tempo de aprender a beijar por amor. Tudo era líbido demais no começo, e os amantes se acalmam. Ela por opção se transformou em uma esfinge de gelo, ele a observa, acha que ela é sutilmente bela, tem corpo de esposa, isso é interessante nas mulheres. Então ele resolveu esperar, esperar por uma noite mágica, onde tudo acontecerá como nunca. Vive esperando, enquanto os cabelos ficam grisalhos, sabe por quê? Porque ele a ama, lembra do sofrimento que causou a ela, e de como ela o perdoou tantas vezes.

Ela entregou sua alma ao diabo pelo amor de Tomaz, no início, e ele a salvou com a ajuda dos seus guias, anjos, amigos, psicólogos, sabe lá, eles queimaram o livro do feitiço, e ela está salva e nem sabe. Mas não está salva das suas verdades, pois escreveu a própria história e a familia é um objetivo necessário para qualquer homem ou mulher. Ela o fez acreditar em uma família, e agora quer tirar isso dele, um homem com meia idade, filhos e conforto.

Agora, Tomaz pede a Deus que a cuide, pois ela está amargurada, religiosa e doente, e se automutila por influência da herança genética ou por não perceber que viveu verdades, e que ele a ama, já que pode viver sem seu sexo libidinoso, esperando seu beijo de namorada ou esposa, um beijo e um abraço de amor verdadeiro, e um boa noite.
Ótimo domingo.


A mente coletiva é uma conspiração

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Contemplo agora as folhas e suas pequenas veias, enquanto formigas as carregam.

Ao mesmo tempo sinto o vento em meu rosto, e o lavo com a água que já estava aqui quando o Espírito de Deus chegou; vejo a jaqueira e seu fruto enorme, o açúcar e o sal necessário estão aqui, quero dizer, sobre todas as coisas vivas existe uma arte única, que é a semente e o embrião, o criador a criação e sua simples ação de desenvolver uma ordem e deixar tudo se expandir pelo mundo, da ordem dos vegetais até a ordem do bicho homem, estranho homem, que também cria da madeira uma imagem, do caroço um colar, do diamante um anel, e pegou o que aprendeu com o dom da palavra o amor e o som de um instrumento e fez uma canção inteligente.

Mais é essa mesma mente que, coletivamente, cria coisas ruins, uma corrente de corrupção e vícios, de mortes e doenças, uma fábrica de coisas estranhas sempre criada pela mente coletiva.

Claro que Deus quer acabar com essa humanidade, que já está virando uma máquina fria, e não foi pra isso que fomos criados.

E agora país dos artesãos? Daremos um jeito na corrupção? Deixaremos em paz a máquina pública? Vamos consertar os desastres ecológicos e desmascarar a máfia que é a indústria farmacêutica? Criaremos soluções informais para a crise e consumiremos menos bosta musical?

Desse mar de literária lama teremos que colher flores, e teremos que ser justos com a justiça que também é injusta, e vamos para as ruas, um exército de artesãos desconstrutores descontentes com as suas últimas criações políticas.

Esse coletivo é um ser pensante, parecem dois, um positivo outro negativo, então temos que ter fé que um vai suplantar a ação do outro e salvar o Brasil.

Que coletivo é esse que fez a juventude ficar tão distraída a peso de marcas que a televisão e os outros meios divulgam? Uma música de merda, umas atitudes burras, e não adianta falar, eles estão surdos, só ouvem o que esse coletivo diz, e esse coletivo diz: Sigam por ali, continuem rumo ao abismo capitalista que vai deixar vocês igual a robôs obedientes e medíocres sem consciência política, nós não queremos gente inteligente por aqui, queremos novas doenças de laboratório espalhadas por aí, através de comidas, vacinas e sexo; temos a cura , mais ela é cara, enriquece o coletivo.

Conheço um menino que fez de restos de madeira seu próprio violão.

Conheço gênios saídos da tal falida escola pública, e não das marcas educacionais caríssimas que distribuem diplomas atropelados.

Eu faço canções das quais não tenho as virtudes e nem a glória, sou falho, acordei cedo, mas mesmo assim fui preso pela corrente; tento me soltar, soltando a voz, enquanto um homem velho rouba do país mais do que se pode gastar em uma vida inteira.
Bom domingo.