Desiderata aos loucos que amam

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Abro portais na minha mente, ando por aí falando com espíritos maus e bons, porque em qualquer plano todos precisam de algum diálogo. Aproximo-me de fé com obras e não preciso que leiam a Bíblia por mim; não vou apagar meus pecados, vou abrandá-los, eles serão lidos em voz alta no dia da minha morte, pois o coração de um homem é o livro das suas verdades. Existem verdades no coração daqueles loucos que não abandonaram o amor, inclusive o amor próprio.

Tenho que aprender a ser mais paciente em casa, no trânsito e dentro de mim, pois sou um mar revolto e procuro águas calmas.

Crio dentro de mim uma nova religião chamada desideratismo, da qual os mais lindos profetas têm parte; não destruo a origem dessa ordem, que é um poema que vem dos ensinamentos de todos os mentores de todas as religiões, embora descrito por Max Ehrmann…

Poetas são loucos que acreditam no amor, em um mundo melhor; a poesia é escrita com os pés, com sangue, com revolta e coragem, e assim chega um dia a ser vadia, vivida em beira de rio e em praças, pois já passou pelas calçadas entre vômitos e os pássaros da manhã; já chorou de dor e de prazer; perseguida, foi crucificada, morta e sepultada, e ressuscitou, está sentada na terra ao lado dos corações que ainda se surpreendem com a vida. O poeta quer paz entre as religiões para a construção de um único mundo, de uma só religião – o amor.

Se a palavra não passar, a poesia também não passará; arcas e corpos desapareceram para dar sentido à religião, o amor do poema, não, ele não morrerá, seu espectro ficará vagando entre o céu e o inferno musicalmente sem medo – será água aos transeuntes.

Quem tem medo do demônio é porque não tem amor no coração, o escudo, a espada, a inteligência dos anjos, não o poder, mas a inteligência que vem da sabedoria que Deus permitiu existir em nós.
Neste domingo de tanto eu, perdoem-me e ouçam Desiderata.
Tudo que se deseja é amar, então siga tranquilamente…
By Osmar Jr


Por que os pássaros cantam?

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– Sob o pesado sol do deserto caminharam os homens pela fé, dizem que perdidos por 40 anos, enquanto caminhamos aqui sob o ardente sol do equador, perdidos também.

Caminhar é preciso, fundamental para a busca da vida, mas muita gente nem caminha tanto, são necessários agora mais que os pés; os automóveis e os aviões nos levam; as espaçonaves levam os homens, seus olhos e seus sonhos pelo universo, e vamos caminhar pelo céu qualquer dia desses. Lembro de meu irmão que numa cadeira de rodas ia longe, muito longe em seu pesado caminhar. Mas olhe para o ar e veja os pássaros em voo leve; deitam-se no vento, mas dormem nas árvores do chão, e nos fazem pensar o que é voar, o que é ser leve. Não posso falar que sou leve se explodo à qualquer discussão de trânsito; qualquer agressão me deixa pesado, caio por terra se topo nalguma pedra do destino; o tempo passa e fica cada vez mais difícil caminhar com a velhice.

Então cismei que o mais próximo de voar é cantar, e vou para qualquer lado cantando, pra cima pra baixo, vou até a outras dimensões.

É que ontem fizeram uma releitura de um poema de Nietzsche na TV; é que ontem vi que o beija flor não canta, só beija as flores lhes tirando o néctar e voa, voa… vai ver que beijar é voar também; é que ontem vi que alguns homens voam no atletismo superando seus corpos, o corpo; este sábio, este rebanho que a gente tenta guiar; é que eu fiquei cansado numa escadaria, e percebi que não ando muito pássaro, não posso ser leve com meus pesados vícios, com meu pesado fardo de coisas que o corpo quer, exige. Vamos partir, e espero um voo de luz, de corpos luminosos, solto e sem infernos, só o céu e o vento, e que haja vento no além daqui.

O poema de Nietzsche dizia no final “Agora a coisa mais doce em ti deve se tornar a mais dura, subir pisando em ti mesmo, mais alto, até que as tuas próprias estrelas fiquem para trás , os próprios anjos choram pois é belo demais o teu sorriso. Assim fala a sabedoria do pássaro, não há acima nem abaixo, vai para qualquer lado homem leve, não fala mais, canta”.
Osmar Jr.


Uma cantiga de amor para as flores do norte

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Foi dia desses que me alembrei de quem sou, ou quem eu era.

Corria no meio dos açaizais atrás das cabocas, era um cheiro de mato e piché , agora me lembro, na beira da praia Ivone era branca, nua, encima dos aturiás, ou rolando na lama arenosa da praia, nunca esqueço os olhos verdes numa menina do norte, era filha de marinheiro estrangeiro com uma marajoara.

Vera era boa, farta, gemia nada, mais gozava tudo, Nice chupava manga e sugava meu olhar me olhando lá de cima da mangueira só de saia. Devo a elas meu jeito seguro de sugar e sorver o doce das frutas, da vida, da música… as cantigas andam sempre comigo, se vejo teus olhos, eu canto, se sinto teu cheiro declamo, quero morrer de amor por qualquer mençãozinha de carinho delas, por isso sou cantante e levo comigo pras estradas quanto amor eu puder, sou intenso e saliente, eu proclamo meu amor pelas mulheres do norte, aquelas que sobem em arvores e tomam banho de rio, aquelas que andam nuas pelas matas, índias, morenas, alvas, as ilhanas… como são belas, fortes, fogosas.

Não vou desistir desses meus olhos musicais, já me falta energia mais me sobra desejo, e vou libertar o coração por mais preso que ele esteja, não quero ir sem viver tudo que tenho de amor.
Não arrisque ser campo perto de mim moça bonita, pois logo sou vento, e vou embalar tuas campinas, sou desejo querendo teu sim, e minha mão é tua, entre tuas coxas e teus seios de ubre, sou doido pelo cheiro brasileiro, pelo traseiro, nunca guardei meus elogios e desejos, sempre vivi essas paixões.

Quero nesses tempos que ainda me resta viver mais um desses “xodó de amor” , pra morrer sentindo o cheiro da peste quando molhada, o perfume das suas madeixas e das suas entranhas, rosa do meu tempo, nova, quente e apaixonada, cantiga de amor do norte, amor vadio, amor sem fim.

Osmar Jr


A cápsula milagrosa

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– Se o tal comprimido para ajudar na cura do câncer funcionasse seria um mero e artesanal recurso no tempo, cortando a garganta da indústria farmacêutica, momentaneamente, porque não há quem me convença que essa cura já não possa ser praticada há muito tempo com mais eficiência. Mais será que Deus quer?

Através de nós e da natureza, Deus existe, fala e inventa soluções para os males que nos atinge. Mas somos nós que criamos as doenças.

O mercado de armas que chega até às facções criminosas é uma invenção de Deus? A droga que anestesia as dores, mas também entorpece o homem é uma invenção de Deus? Penso que sim, mas o pobre homem se perde e nada sabe sobre limites.

Sei que o dinheiro que comprou Judas era de César, e que o dinheiro dos corruptos é do povo – dai ao povo o que é do povo, corruptos.
Quem inventou o desamor? Esse representado pelas filas de gente tão doente, ainda sofrendo sem ajuda suficiente, água em Marte, será que cura o câncer? Temos que aprender o Tempo de Deus no tempo da dor.

A Justiça só faz aumentar seus ganhos, assim como o resto dos poderes, assunto cansado, mas será que não há um despertar do maior partido do mundo? A consciência.

A consciência junto com a revolta pode pressionar essa turba de estúpidos a dar saúde ao povo.

Saúde megera! Brindo a senhora, você é cega e não pondera mais o sofrimento que nos causa, executa suas correções salariais, se é que são correções. O correto é fazer essa gente feliz num país desenvolvido; não vou me furtar de dizer ao povo que no fim somos todos culpados.

A cápsula milagrosa é uma mentira ou algo que uma conspiração não quer que seja verdade?

Bom domingo.


Estrelas caídas #

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Nas ruas enlameadas caíram estrelas em mágoas, solidão, perdição. Caiu Betoven, caiu Mozart, como caiu Jesus de joelhos amando a Deus na via suja com aquela cruz pesada, com o peso do mundo em suas costas, como caiu Hendrix no próprio vomito, ainda caem estrelas do céu.

Eu também caí uma vez como se fosse estrela, e sei que o que eu sentia era um peso enorme, e fui ao chão.

O feito índio Herivelton, genio das resinas do açaí, pinta em tela o Amapá e cai também. Mais quem não caiu um dia? Caímos em desgraças, caímos em armadilhas, e caímos em depressão.

Mais indiscutível é o talento e o amor que esse pintor tem pela arte, ele traz as imagens da alma humana em seus grandes quadros com pinceladas requintadas em tons opacos ou de cores fortes da amazônia, traduz algo que não está lá em sua alma angustiada, esta muito longe dali, está lá onde suas asas lhe levam enquanto ele adormece em sono profundo, embriagado, enquanto o mundo briga, treme, explode, rouba, fuzila, ele sonha cores e universos sóbrios, deitado num banco de praça.

Neste mundo onde a violencia animalesca é diversão na tela da televisão em noticias viciadas , nas crueldades das torcidas de futebol e no pouco valor da vida mediante a mente de um garoto bandido ou um policial assassino.

Se você se deixar pensar na morte vai entrar em desespero, pois ela ronda as ruas e os quartos, e a fina parede da sua casa que é o que te separa do mundo lá fora, é frágil como papel de seda. O pintor dorme dentro do seu quarto ao ar livre chamado mundo sem medo.

Sento na mesa de jantar com a familia e vejo os guarás inacabados que ele pintou na parede de minha casa pra que eu veja onde estou. Eu me pergunto, estou em casa?
Osmar Jr,
bom domingo.


Oh rio, nada mais tenho pra cantar

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Agora vai aparecer um monte de gente chorando sobre o leite derramado. Os rios Araguari e o Piratuba perderam suas forças; suas rotas migratórias de peixes, sua água doce e propriedades fantásticas como a pororoca. Nada mais a música pode avisar, nada mais tenho pra cantar sobre esses santuários profanados.

Todo esse prejuízo passou sob os narizes empinados de nossos pobres políticos que podiam exigir do governo federal, pelo ao menos mais cuidados técnicos, mais eficiência no trato com o meio ambiente e mais benefícios para a população do Amapá.

O estado do Pará caiu nas mesmas historinhas de impacto ambiental, e agora suas populações tradicionais sofrem. Aqui, os técnicos deram um parecer a favor desses projetos que serão energia para o país, ao qual parece que não pertencemos. Sempre cantei isso também.

Os fazendeiros não querem pagar pela cerca que pode salvar o Piratuba, para o gado já descontrolado, não arrasar com tudo. Sejamos francos: o governo federal e essas empresas poderiam resolver essa sacanagem que fizeram com a gente, como forma de aliviar nossas dores. E que seja a última. Tenho falado aos povos indígenas que vamos precisar pegar em armas se quiserem um dia exterminar nossos rios e reservas. O Araguari é o Cristo, e que não venha acontecer com outros rios, como o Calçoene, por exemplo. Precisamos crescer sim, mais com inteligência.

Pra mim, o Amapá sempre foi roubado, injustiçado, e projetado para o Brasil com os mais ridículos resultados de pesquisas e imagens, como se o pais não tivesse seus podres. Existe uma conspiração voluntária ou involuntária que quer manter o povo dependente de currais políticos. O que vamos fazer com nossos filhos depois que saírem das faculdades? Empregá-los no estado ou município? Como podemos ter tanta esperança através de nossas canções, que acreditam em um estado a partir do turismo ecológico e da cultura para viver bem, para ser mais bonito?

O maior dos emblemas de nossa incompetência politica é o que acontece com o rio Amazonas, que é agredido por nossos dejetos o tempo todo. Salvem o grande rio! Essa é nossa maior responsabilidade com água e com nós mesmos, pois a natureza é o espirito de Deus.

Peço ao povo que nasceu aqui, e ao povo que abraçou o Amapá como terra sua e de seus filhos: pelo amor de Deus, não deixem que nos vendam, que nos destruam, pois nada mais tenho pra cantar.

Bom domingo


Erros de amor

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Meus erros foram erros de amor, portanto, não toques minhas feridas que já são por elas mesmas doloridas demais, e em noites de chuva são tão companheiras quanto o abraço que tu me deves por eu ter errado tanto nesta vida ao teu lado; meus erros foram somente os teus.

Só fui atrás das contrapartidas de uma solidão insana que nunca saiu de dentro de mim, por costume, por vício, por insistência do meu coração feito por poetas de terras longínquas de reis poderosos e maus, um coração de sonhador, por assim dizer.

Essa coisa da paixão não tem conceitos, não tem fórmulas, não se aprende em univesidades, apenas se sente, entre mágoas e delírios, entre a vida e a certeza do fim; analisar o amor a partir da psicologia é muito engraçado, não topo encontros de casais, meu encontro é com você à luz de velas e vinho tinto, sem falar da vida, só rindo dela, falando besteiras, quem entenderia nossas dores e desencontros, senão nós mesmos?

O segredo da vida é você fingir que não tem medo, é você manter seu corpo vivo e sua alma voando, ou seja, tudo pelo desejo de viver e compreender a liberdade, mil vivas a você que entendeu a verdadeira fonte do amor.

É muito estranho ver alguém que pensa que o amor é besteira se deitar no asfalto de braços abertos e querer morrer de repente; ainda existem aqueles que tratam o amor como uma instituição, ou um negócio fechado, há quem pense ser dono da pessoa física, pobres de espírito não sabem que só os sentimentos nos garantem a verdade, os sentimentos têm matéria, como os ventos têm as velas, e você, minha companheira, é um porto, ou planeta, se preferir, é mais que um barco. Gosto de dormir ao seu lado, perto de você e seus sonhos; não posso dormir com seus pesadelos ou beijar sua língua pesada, não posso ser seu desespero, sou sua espera, minha pátria é a sua casa, minha vida é uma porta que você deixa aberta o tempo todo, quero ser como essa porta na velhice, sentindo as passagens do ir e vir da vida.

Bom domingo,


Gerações para um admirável mundo novo

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As gerações têm seus conceitos estipulados por época.
Partimos da geração romântica, que vem da era do Iluminismo; depois vêm os “baby boomers”, após a Primeira Guerra; logo vieram as gerações X e Y, e no Brasil ainda tem a geração “nem nem”, nem trabalham nem estudam.

Mas estudar não significa ir todo dia à escola, tem que absorver e executar, e trabalhar é muitas vezes mais que um expediente, é criatividade e dedicação, ideias.

Alguns jovens se especializam tanto que passam quase a metade da vida nisso, e acabam por se tornar profissionais superespecializados sem experiência ou descoberta. A diferença entre as gerações não é uma guerra e sim um intercâmbio cultural que interessa muito à indústria, há interesses comercias nisso, e isso nos leva a vários assuntos que vão da moda à tecnologia. O que essa geração atual vai vender para a próxima?

A luz verde està acesa para essa geração Z que vem estabelecer uma nova sociedade, um novo parâmetro industrial, quem sabe um mundo mais vintage, mais acústico.

Um mundo mais palpável seria ideal, menos carros, mais espaços, novos meios de transporte e combustíveis, a preservação do oxigênio e da água com tecnologias que não degradam o meio ambiente, um novo sistema político, uma nova arquitetura.

Então os pais não podem errar. Temos que mostrar a diferença entre o que fazer com a informação da internet e a informação dos livros de papel. Esses ensinamentos estão a cada dia mais difíceis de passar para a juventude, pois com o computador piorou a receptividade que eles têm à experiência dos pais. Lembro de mim mesmo aos 17 anos.

É claro que eu “saco” do assunto, pois na música os instrumentos virtuais são uma piada – não têm a digitação necessária para alguém se transformar num virtuose em um instrumento real. O que vão produzir de bom para o mundo os gênios do videogame (gamer’s )? Guerras? Ou mais jogos?

Então não se pode copiar trabalhos escolares na internet e sim pequisá-los; a mente é mais eficiente quando inventa.

Quem criou o carro, o computador, o avião, a lâmpada e a maioria das coisas que a juventude de hoje curte foram as gerações de muitas décadas atrás. Nós só aperfeiçoamos e usufruímos. Precisamos mesmo é inventar um mundo melhor, a partir de um traço das mãos humanas.
Bom domingo.