A escuridão e a luz

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Nos anos 80, a juventude também se preocupava com as mesmas coisas – moda, carros, baladas (tertúlias), e aqui na nossa provinciana Macapá, mais ilhados que nunca, não sacávamos nada do que estava acontecendo com a gente, ou seja, a maioria das mensagens musicais do rock 80, não entendíamos.

Letras como “Alvorada Voraz” e “Juvenília” (RPM) traziam na verdade uma carga de experiência e conhecimento de jovens músicos que tiveram a oportunidade de olhar um Brasil com os olhos de um mochileiro.

Quando me aproximei de Cazuza, percebi que o rock era muito mais que uma roupa e cabelos longos. O tal rock’n’roll se queixa da própria desinformação da juventude. E Cazuza escancarava, após a ditadura, a superficialidade do modismo da época, observando os garotos do morro, os meninos da Candelária, os moleques dos semáforos fazendo contraste com os barões e playboys da época – “Brasil mostra a tua cara; quero ver quem para pra gente ficar assim”.

Foi um percurso natural a saída de Cazuza, do Barão Vermelho, pois sua cultura já buscava, além do rock, a bossa nova, o samba e todos os frutos gostosos da MPB.

Tive a oportunidade de uma rápida convivência com Cazuza lá no Parque Lage, e saibam que da escuridão vem a luz mais divina.


A profecia de Jerusalém

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Promessas e profecias.

Leis patriarcais foram cumpridas porque homens só querem deixar de ser errantes e escravos, e assim se tornaram escravos de suas religiões perseguidas pelo carma do seu DNA.
Mas que Deus é esse que sacrifica tanto?

É o Deus que segurou a mão de Abraão para que ele não tirasse a vida do filho ou o Deus que reluz salamaleico e paira sobre o deserto de Maomé?

O Deus que vê cabeças inocentes serem decepadas e mais, mais e mais mortes, mais sangue no altar, e há quem diga que tudo é efeito do Cristianismo sangrento da Idade Média.
Mas qual profeta voou sobre a vida do Oriente e é a essência da paz no Ocidente?

Jesus, que fala sempre que muitos seriam perseguidos e sacrificados.

Entre inquisições, cruzadas, modificações bíblicas pela corrida pelo papado e todo o sangue derramado, o mundo nunca precisou tanto de paz entre as religiões como agora, pois algum Armagedon começou no dia 11 de setembro e pode terminar em guerra religiosa.

Maomé descreva a paz. Ensina-nos a viver de amor.

Aprendi um pouco com aquele profeta simples e humilde que veio para ensinar a leveza de Deus. E ele concluiu sua pesada missão. Agora nos deixa em paz. Parem de o explorar. Tudo está consumado. Siga se for capaz porque sua principal mensagem é o amor e o reflexo dele na sociedade.

Saiam dos templos e preguem sob a luz do Sol e da Lua. Sem o mercado no templo quantos pregadores restariam?

A verdade é que não existe paz no fundamentalismo radical. Continua sendo guerra por ideal, onde nem um homem viverá em nome do amor.

Convenhamos, tudo já passou. E a guerra continua no coração humano.

Tantos inocentes partiram em explosão e aviões com destino ao nada, porque se existe um paraíso feito a partir da idiotice, esse será o inferno.
Jerusalém, Jerusalém, que desgraça mira no horizonte.


A arrogância e a fera

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Arrogante! Tu não percebes que jogou a rede e lutou com unhas e dentes pela captura da fera?

Agora tu tens uma fera domada que não vê sentido em voltar para a vida selvagem; está amedrontada e ferida, e boa parte de sua vida lhe foi roubada.

Agora pegas a fera e queres submetê-la a maus tratos, e a natureza diz, tu és eternamente responsável pelos teus desejos, não maltrates aquilo pelo qual lutastes tanto, pedistes tanto, fizestes oferendas aos santos pela fera, vendestes a tua alma.

Lembra das horas em que teu desespero foi grande e rogaste para vencê-la? Lembra que trancastes a jaula? Lembra dos gritos e depois do prazer que tivestes em possuí-la?

Lembre das coisas que tirastes dela, o verde da mata, o azul do céu, o cheiro do mar. Lembre de quando ela era viçosa e tinha forças para correr pelos campos.

Agora tu a humilhas e a deixas no canto, amarrada, sem saber o que poderia ser a vida em liberdade; agora a fera gorda e sem brilho no olhar é triste e nem sabe que é triste, olha a lua e chora, e nem sabe porque chora, dizem que chora pela certeza de estar vencida.

Conhecias os segredos e os costumes da fera, ficastes de tocaia noites e noites, esperando com tua isca e armadilha para atraí-la.

Olha, mulher, desde o início sabias da maçã e da língua da serpente; sabias que serias estátua de sal se na fuga de Sodoma olhasses para trás; sabias que não esconderias nada de Deus, e riste, tu não acreditastes que a luta tem seus dias e suas conquistas, e que isso seria a verdade da tua vida inteira. Tua, da tua arrogância e do teu desprezo pelo amor conquistado.

A Lua, a única coisa que preenche o vazio da fera, queres apagá-la, queres cegar a fera, cutucar suas feridas; agora ameaças matá-la, e matar o amor que a fera deixa cair dos olhos por ti, quando sozinha no escuro.

Vou rogar para que a fera alimentada pela luz da Lua num surto de força se erga e quebre a jaula e corra pela última vez para a beira do riacho de águas doces e límpidas para morrer e matar da memória seus dias perdidos, e quando estiver deitada em plena relva verde e úmida fixe seu olhar na Lua acesa pelo Sol e deixe que tudo seja o fim.

Osmar Jr.


Estrelas caídas

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Nas ruas enlameadas caíram estrelas, em mágoas, solidão, perdição, caiu Bethoven, caiu Mozart, como caiu Jesus de joelhos amando a Deus na via suja com aquela cruz pesada, com o peso do mundo em suas costas. Como caiu Hendrix no próprio vômito, ainda caem estrelas do céu. Eu também caí uma vez, como se fosse estrela, e sei que o que eu sentia era um peso enorme, e fui ao chão.

O feito índio Herivelton, gênio das resinas de açaí, pinta em tela o Amapá e cai também. Mas quem não caiu um dia? Caímos em desgraças, caímos em armadilhas e caímos em depressão.
Indiscutível é o talento e o amor que esse pintor tem pela arte. Ele traz as imagens da alma humana em seus grandes quadros com pinceladas requintadas em tons opacos ou de cores fortes da Amazônia; traduz algo que não está lá em sua alma angustiada, está muito longe dali, está lá onde suas asas lhe levam enquanto ele adormece em sono profundo, embriagado. Enquanto o mundo briga, treme, explode, rouba, fuzila, ele sonha cores e universos sóbrios, deitado num banco de praça.

Nesse mundo onde a violência animalesca é diversão na tela da televisão em notícias viciadas, nas crueldades das torcidas de futebol e no pouco valor da vida mediante a mente de um garoto bandido ou um policial assassino.

Se você se deixar pensar na morte vai entrar em desespero, pois ela ronda as ruas e os quartos, e a fina parede da sua casa, que é o que te separa do mundo lá fora, é frágil como papel de seda. O pintor dorme dentro do seu quarto ao ar livre chamado mundo sem medo.

Sento na mesa de jantar com a família e vejo os guarás inacabados que ele pintou na parede de minha casa pra que eu veja onde estou. Eu me pergunto, estou em casa?

Osmar Jr,
bom domingo


Por que os pássaros cantam?

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– Sob o pesado sol do deserto caminharam os homens pela fé, dizem que perdidos por 40 anos, enquanto caminhamos aqui sob o ardente sol do equador, perdidos também.

Caminhar é preciso, fundamental para a busca da vida, mas muita gente nem caminha tanto, são necessários agora mais que os pés; os automóveis e os aviões nos levam; as espaçonaves levam os homens, seus olhos e seus sonhos pelo universo, e vamos caminhar pelo céu qualquer dia desses. Lembro de meu irmão que numa cadeira de rodas ia longe, muito longe em seu pesado caminhar. Mas olhe para o ar e veja os pássaros em voo leve; deitam-se no vento, mas dormem nas árvores do chão, e nos fazem pensar o que é voar, o que é ser leve. Não posso falar que sou leve se explodo à qualquer discussão de trânsito; qualquer agressão me deixa pesado, caio por terra se topo nalguma pedra do destino; o tempo passa e fica cada vez mais difícil caminhar com a velhice.

Então cismei que o mais próximo de voar é cantar, e vou para qualquer lado cantando, pra cima pra baixo, vou até a outras dimensões.

É que ontem fizeram uma releitura de um poema de Nietzsche na TV; é que ontem vi que o beija flor não canta, só beija as flores lhes tirando o néctar e voa, voa… vai ver que beijar é voar também; é que ontem vi que alguns homens voam no atletismo superando seus corpos, o corpo; este sábio, este rebanho que a gente tenta guiar; é que eu fiquei cansado numa escadaria, e percebi que não ando muito pássaro, não posso ser leve com meus pesados vícios, com meu pesado fardo de coisas que o corpo quer, exige. Vamos partir, e espero um voo de luz, de corpos luminosos, solto e sem infernos, só o céu e o vento, e que haja vento no além daqui.

O poema de Nietzsche dizia no final “Agora a coisa mais doce em ti deve se tornar a mais dura, subir pisando em ti mesmo, mais alto, até que as tuas próprias estrelas fiquem para trás , os próprios anjos choram pois é belo demais o teu sorriso. Assim fala a sabedoria do pássaro, não há acima nem abaixo, vai para qualquer lado homem leve, não fala mais, canta”.

Osmar Jr.


O Amapá e sua memória

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– O homem em sua essência é um Deus. Não sabemos qual a idade de Deus, só sabemos duvidosamente da idade dessa natureza que vivemos agora, ou seja, uma estrela explode e espalha pelo universo elementos essenciais.  À criação de um planeta, e o planeta gera seres, e aí só um espécime evolui com inteligência divina, com espírito, com voz e mãos habilidosas para construir, plantar e fazer obras de arte.

O que é a arte?
Dizem que a arte é parte da vadiagem. Concordo, pois impossível é pensar nas coisas divinas sem se estar em estado de meditação.

Tudo isso nos faz a seguinte pergunta: Pra que serve a cultura?
A cultura é o que o homem produz, memoriza e expõe sobre sua existência, sua evolução científica e espiritual, pois esse barro essencial planeja e constroi tudo que é necessário para a sobrevivência humana na vida do planeta.

Falo isso pra poder pedir ao poder público a nossa memória e a preservação dos valores humanos que fazem e fizeram sua parte no que se refere à identidade científica e cultural do Amapá, que está a cada dia mais vazio.

E esse vazio pode nos transformar em um campo triste e infértil, onde não brotará nem soja nem sorrisos, um campo seco, sem verde, sem vida e sem arte.

Bom domingo.


O pó dos Sonhos

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– Poeta angustiado, pretenso escritor de sucesso, autodidata, boêmio, viciado em tudo, do sexo as drogas, mais inexplicavelmente firme, matutino, e assíduo em suas atividades de conquistador de almas, figura muito popular.

Era José Razo de Castelo, um desses homens importantes da literatura que a humanidade perdeu de vista, como milhares e milhares de outros.

O que contarei sobre esse poeta é especifico, pois não posso biografa-lo.

– Carmem Teresa o conheceu, o seduziu e o conquistou com suas facilidades sexuais e sociais, além de algum e ilusório dinheiro.

Castelo , como era conhecido nas noites e também nos meios intelectuais, tinha o desapego que a maioria dos homens da arte tem, caminhava pelo mundo distraído, cheio de sonhos, era simpático e fácil de atrair companhias femininas.

Daremos agora um salto, pois isto aqui é apenas um ensaio.

_ Era primavera em Veneza, e os recursos financeiros e de saúde da linda Carmem agora se esgotavam, eram os pequenos trabalhos de tradução e artigos arranjados com amigos boêmios ricos e influentes que Castelo sustentava a vida difícil do casal nesse tempo. Então como de praxe Carmem começou a despejar sua ira em Castelo, chamando-o de vagabundo , inútil, que aquele sonho com aquele livro que nunca saía era idiotice.

– Arranje trabalho de homem, dizia ela, e quanto mais a doença lhe consumia , mais ela se tornava uma megera.

O expediente de um escritor é o pensar, o contemplar, a pesquisa e o escrever, podem chamar de vadiagem, pois é uma forma de expressar aqueles que trabalham com o prazer.
Eram essas brigas advindas da estupidez que implodiram um bloqueio criativo na mente de Castelo, mais ele não desistia de criar uma familia com Carmem, algo completo com dialogo, filhos, problemas e risos.

Então Carmem foi internada com graves problemas pulmonares, ele ficou ao lado de seu leito enquanto escrevia desesperadamente o romance, mais ele tinha que pagar a conta do hospital. Então recebe uma proposta de venda do titulo, ou seja vender sua ideia para um pseudo escritor rico e famoso.

Já em casa, ela pergunta como ele pagou a conta da internação, ele responde , com o pó dos sonhos.

– Mais o pó dos sonhos era o nome do seu romance.

– Ele responde , pois é.

Bate a porta e some pela noite veneziana.

Osmar jr


A profecia da cobra mundiada

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A profecia da cobra mundiada.

Ela é Honorato, é Sofia, é Madalena, espia no centro da floresta misteriosa com suas narinas para fora do pântano; ela sabe de tudo lá de longe, porque de tão velha e gigantesca, é parte desta terra, mãe da mata, atrai o que quiser.

Ela é com um hacker, um poder que percorre as mentes, hipnotiza, atrai, come e se satisfaz com a vida natural, traduzindo para o mundo digital que os poderes de Deus é que ficam.
Não ficará pedra sobre pedra, computador sobre computador.

Somente um assovio de vento soprando no deserto, carcaças em silêncio, ferro retorcido. Depois do caos a mata volta a dominar.

A serpente sabe que se a humanidade não estiver no rumo certo, vai ser extirpada; não pode ser nem muito mística nem muito tecnológica. Tem que ser na medida de Deus.

A cobra renasce e olha o reinício; ela é kundaline, morde a própria calda e mostra que tudo é um ciclo, tudo se acaba, civilizações desaparecem. Essas entidades também estão sendo mortas em seus santuários.

A bela num programa da televisão subestimava a sucuri enorme que para os índios é sagrada, que para as lendas é mistério. A mulher e a serpente, novamente, uma brincadeira entre seres com o poder nos olhos. Se uma bela mulher te olha, você esta perdido, mundiado.

E nos projetos que estão invadindo as reservas onde esses animais têm o direito de viver, as sucuris são desmistificadas e assassinadas.

Agora é a serpente que está mundiada, está perto das cidades, porque as cidades estão invadindo os mundos, invadindo as almas, por isso as selvas de concreto e ferro desaparecerão, a serpente não, nem a mulher, Deus queira.

A humanidade pensa sincronizada quando as divindades liberam ideias. Parece que um caos se aproxima, água, energia e emprego faltarão; a violência e a corrupção são um câncer que se espalha a cada tempo. A droga, a saúde pública e novas pragas e doenças são grandes nuvens negras formando tempestades.

Entre tudo isso, o amor pelo qual Jesus foi pregado.

Tudo isso viu a cobra, e me disse.


Sol de primavera

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Um sol de primavera virá em breve iluminar as esperanças do Brasil.

É a anunciação de um movimento rumo a um novo horizonte que talvez as ciências politicas teorize, mais agora começa aparecer como prática de uma nova mentalidade, que é a organização social que cria um movimento dos cidadãos que querem saber o destino dos impostos que pagamos.

Eu sempre soube que o problema do brasileiro é cultura, porque nós ainda pensamos cultura como somente a arte e a fomentação dela, acontece que cultura é cidadania também, é quando o povo tem sua parcela intelectual conscientizada, para não passar por bobo da corte, que é como nos vêem os políticos de mentalidade medíocre, pois o brasileiro não luta por seus direitos por não conhece-los e não exigi_los, isso não vai mais acontecer.

São mais de 800 bilhões em impostos que desaparecem deixando-nos sem serviços básicos como saúde e educação, se pagassemos menos impostos viveríamos bem melhor, e o salario daria para nos fazer mais feliz.

A grande verdade é que pagamos com a vida e o sofrimento os auxílios dos três poderes, do paletó a moradia dos homens poderosos.

Estão mostrando na televisão pra todo o Brasil ver como funciona a organização escusa de políticos no Brasil, são facções que riem da gente o tempo todo, e se revelam em telefonemas grampeados, e poucos se salvam.

Semana passada ouvi no programa do meu amigo Ivo Canuti na diário, uma entrevista com a jovem Jessica Pereira anunciando esta ideia de conscientização da população mediante a exploração que sofremos todos os dias, trabalhamos mais de 150 dias só para pagar impostos. Houve uma campanha nacional semana passada promovida pela CDL jovem, onde a gasolina aqui em Macapá foi vendida sem impostos mostrando a população quanto seria pagar combustível sem os impostos, pasmem sairia por 1,60 reais o litro. O problema não é pagar imposto disse Jessica, é receber isso de volta em forma de benefício.

Os homens estão cometendo aquele erro que cometeu a rainha Vitoria, a louca, que disse ao povo da França a frase que lhe levou a ser decapitada, o povo tem fome? “de brioches a eles”.
Temos que dar um jeito de decapitar as verbas desses vampiros do poder, e suas cabeças.
Um sol de primavera anuncia um Brasil mais culto, um Brasil que cansou de ser enganado.

Osmar jr


Sobre musas e poetas

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Claro que as musas fazem parte da construção com a qual se compõe uma canção ou texto poético, mas elas podem nunca ter mantido contato com o autor, ou nem terem existido, assim como podem ser a mais pura verdade.

Na antiguidade, dizia-se que eram as musas, deusas celestes, que enviavam melodias para os músicos.

Explicar isso aos pares é fundamental para a atividade artística e a convivência, caso você seja um ser da arte.

Mas é duro você ver alguém ignorar um processo de criação e comportamento e se transformar no principal bloqueador de trabalhos artísticos. Dependendo das limitações mentais, há quem queira simplesmente matar a arte dentro de um artista e transformá-lo num pastor evangélico, se bem que grandes religiosos foram grandes poetas, como Augusto dos Anjos, por exemplo, e ainda temos hoje o belo padre Fábio de Melo, o padre Zezinho e muitos cantores pastores evangélicos muito bons.

Os artistas omitem sobre muitas coisas, musas, ideias, revoltas, angústias, como em um país sem liberdade de expressão, uma prisão; simplesmente camuflam sentimentos em metáforas estapafúrdias, mas também podem chutar o pau da barraca, e se tornarem solitários inimigos de muita gente.

Por isso na história desses homens tinha tanta solidão, amores perdidos, cartas a amantes guardadas em velhas gavetas, paixões, romances secretos, versos sobre governantes, reis, líderes hipócritas desmascarados através de canções de escárnio em suas verdades já tão conhecidas do povo silencioso.

Como o poeta Gregório de Matos Guerra em Salvador que escandalizava o governador conhecido como braço de prata. Sempre lembro dele mais do que dos poetas amigos do rei.

Alguns poetas declaram seus vícios, suas orgias, e todos os pecados por eles cometidos; sabem que mesmo os homens mais arrependidos vão gritar alto seus pecados no dia de sua morte, e esse mal, a hipocrisia, poetas não querem levar para o túmulo, e se levarem vão doer mais que a morte e suas agruras; vão doer em suas obras, por isso procure ler as entrelinhas de grandes poetas, é mais divertido que videogame, garanto.

Essas histórias de poetas, pintores, músicos que tinham casos de amor proibido com marquesas, duquesas e outras damas, e que nunca poderiam ser vividos por conta das diferenças sociais e sanguíneas, ou por conta dessas mulheres serem casadas com nobres homens da corte, deram origem a grandes obras.

Nos dias de hoje tento não mentir, mas acaba me custando algumas desavenças em casa, mesmo que eu cante alguém que simplesmente é distante, fictício, alguém que faz parte somente dos meus olhos ou dos meus sonhos.

Sou um pretenso poeta trovador que canta esta terra e esta gente, mas o amor cruza meu caminho de uma forma ou de outra, e a minha reação é cantar, escrever as linhas da minha vida e descrever essas musas; todas são deusas nesta ou em outras dimensões, são fontes de inspiração as quais agradeço pela divina beleza e poesia.
Bom domingo