É penoso para o Senhor ver morrer os seus fiéis

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O salmo 115 das Sgradas Escrituras é um hino que exalta a libertação: “Erguerei o cálice da salvação, invocando o nome do Senhor”. Naquele tempo, era costume fazer um sacrifício de ação de graças pela conquista da libertação de um grave perigo de morte, pela ajuda de Deus.

Dessa maneira, vemos o rito do “cálice da salvação”, em que a pessoa que foi beneficiada por Deus levanta o cálice e proclama o nome do Senhor perante o povo reunido. E este povo reunido é constituído pelos familiares e amigos da pessoa libertada.

Nesse especifico caso, refere-se à ceia pascal hebraica em que se agradece pela libertação. Esse salmo se tornou também importante para o cristianismo, em que o apóstolo Paulo cita na segunda carta aos Coríntios “Eu cri, por isto falei, também nós cremos, e por isso falamos.” Também na carta aos Romanos “todo homem como mentiroso”, e colocação influi em Santo Agostino um debate sobre o pecado original.

Ele dizia em síntese que para destacar a necessidade da graça, insiste em uma visão do homem como sujeito ao pecado, condenado (“massa danada”), que só pode ser salvo pelo batismo. O homem sem a graça não pode ser salvo e não pode fazer nada de bom. Aqui é a necessidade absoluta de Cristo: a necessidade da graça é a necessidade de Cristo.

O autor do salmo diz: “Cumprirei os meus votos para com o Senhor, na presença de todo o seu povo”. Ele descreve o rito sacrifical de agradecimento no Templo. E nesta celebração, o fiel faz uma declaração solene, em que Deus não pode ficar indiferente perante a morte dos seus fieis: “É penoso para o Senhor ver morrer os seus fiéis”.

Além disso, manifesta a pertença do fiel à comunidade de Deus: “Senhor, eu sou vosso servo; vosso servo, filho de vossa serva”. A denominação ‘filho de vossa serva’ significa quem nascia dentro de uma comunidade-família também de uma escrava e vinha adotado como filho do chefe da tribo, e, nesse caso, seria Deus.

E, por fim, o autor descreve a libertação realizada por Deus: “quebrastes os meus grilhões”, isto é Javé que salvou o seu filho da morte. Diante de tudo isso, é evidente ser esse salmo um hino de total confiança ao seu poderoso Senhor. E essa potência se revela de maneira especial sobre a derrota da morte física. Com tudo isso, o fiel não se cansa em invocar o seu Deus. É um salmo bem presente também nos nossos dias. O papa Francisco falou no ANGELUS, 11.12.2016, praça São Pedro, em Roma:

“O Senhor vem a nossa vida como libertador, nos libertar de todas as escravidões interiores e exteriores. É Ele que nos indica o caminho da fidelidade, da paciência e da perseverança porque, quando ele voltar, a nossa alegria será plena… Sinais externos convidam-nos a acolher o Senhor que vem sempre e bate à nossa porta, bate ao nosso coração, para estar ao nosso lado; convidam-nos a reconhecer os seus passos entre aqueles dos irmãos que passam ao nosso lado, sobretudo os mais débeis e necessitados.” Feliz 2019!


Os justos se rejubilam pela presença de Deus

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O salmo 67 das Sagradas Escrituras (Antigo Testamento) tem origem no começo da poesia hebraica, isto é, no século X antes de Cristo. Ele pode ser considerado o hino ‘A vós, ó Deus, louvamos’ qual o Senhor do universo e da história. Leia atentamente:
“Levanta-se Deus; eis que se dispersam seus inimigos, e fogem diante dele os que o odeiam. Eles se dissipam como a fumaça, como a cera que se derrete ao fogo. Assim perecem os maus diante de Deus. Os justos, porém, exultam e se rejubilam em sua presença, e transbordam de alegria. Cantai à glória de Deus, cantai um cântico ao seu nome, abri caminho para o que em seu carro avança pelo deserto. Senhor é o seu nome, exultai em sua presença. É o pai dos órfãos e o protetor das viúvas, esse Deus que habita num templo santo. Aos abandonados, Deus preparou uma casa, conduz os cativos à liberdade e ao bem-estar; só os rebeldes ficam num deserto ardente. Ó Deus, quando saíeis à frente de vosso povo, quando avançáveis pelo deserto, a terra tremia, os próprios céus rorejavam diante de vós, o monte Sinai estremecia na presença do Deus de Israel. Sobre vossa herança fizestes cair generosa chuva, e restaurastes suas forças fatigadas. Vosso rebanho fixou habitação numa terra que vossa bondade, ó Deus, lhe havia preparado. Apenas o Senhor profere uma palavra, tornam-se numerosas as mulheres que anunciam a boa nova: Fogem, fogem os reis dos exércitos; os habitantes partilham os despojos. Enquanto entre os rebanhos repousáveis, as asas da pomba refulgiam como prata, e de ouro era o brilho de suas penas. Quando o Todo-poderoso dispersava os reis, caía a neve sobre o Salmon. Os montes de Basã são elevados, alcantilados são os montes de Basã. Montes escarpados, por que invejais a montanha que Deus escolheu para morar, para nela estabelecer uma habitação eterna? São milhares e milhares os carros de Deus: do Sinai vem o Senhor ao seu santuário. Subindo nas alturas levastes os cativos; recebestes homens como tributos, aqueles que recusaram habitar com o Senhor Deus. Bendito seja o Senhor todos os dias; Deus, nossa salvação, leva nossos fardos: nosso Deus é um Deus que salva, da morte nos livra o Senhor Deus. Sim, Deus parte a cabeça de seus inimigos, o crânio hirsuto do que persiste em seus pecados. Dissera o Senhor: Ainda que seja de Basã, eu os farei voltar, eu os trarei presos das profundezas do mar, para que banhes no sangue os teus pés, e a língua de teus cães receba dos inimigos seu quinhão. Contemplam a vossa chegada, ó Deus, a entrada do meu Deus, do meu rei, no santuário; Vêm na frente os cantores, atrás os tocadores de cítara; no meio, as jovens tocando tamborins. Bendizei a Deus nas vossas assembleias, bendizei ao Senhor, filhos de Israel! Eis Benjamim, o mais jovem, que vai na frente; depois os príncipes de Judá, com seus esquadrões; os príncipes de Zabulon, os príncipes de Neftali. Mostrai, ó Deus, o vosso poder, esse poder com que atuastes em nosso favor. Pelo vosso templo em Jerusalém, ofereçam-vos presentes os reis! Reprimi a fera dos canaviais, a manada dos touros com os novilhos das nações pagãs. Que eles se prosternem com barras de prata. Dispersai as nações que se comprazem na guerra. Aproximem-se os grandes do Egito, estenda a Etiópia suas mãos para Deus. Reinos da terra, cantai à glória de Deus, cantai um cântico ao Senhor, que é levado pelos céus, pelos céus eternos; eis que ele fala, sua voz é potente: Reconhecei o poder de Deus! Sua majestade se estende sobre Israel, sua potência aparece nas nuvens. De seu santuário, temível é o Deus de Israel; é ele que dá ao seu povo a força e o poder. Bendito seja Deus!”
No começo do hino, há a invocação litúrgica que usa o canto oficial para a marcha da arca (onde se guardava os dez mandamentos e outros objetos sagrados). Ao som das trombetas, os inimigos se dissipam como a fumaça e se derretem como a cera ao fogo. Na primeira parte, exalta-se o êxodo do Egito e a entrada na terra prometida de Canãa, tendo Deus o guia de Israel. É Ele o pai e defensor dos órfãos e das viúvas. A segunda parte tem o domínio da figura Guerreiro Divino que guia os exércitos nas batalhas e garante as vitórias de Israel. E esse guerreiro é descrito com o seu brasão nacional que representa as asas da pomba que ‘refulgiam como prata, e de ouro era o brilho de suas penas’. No entanto, Deus estabelece a sua morada sobre os montes de Sião e do Sinai garantindo, assim, a sua presença constante. A terceira parte descreve a procissão de Israel até o Templo, Sião, para celebrar Deus. Depois da resposta vitoriosa de Deus, ordena-se a procissão com os cantos e aclamações para comemorar o triunfo contra os poderosos inimigos. As potências do mal são derrotadas pelo Senhor Deus. E por isso é dedicada uma aclamação gloriosa ao Deus: Ele é o verdadeiro vitorioso e poderoso. Creio que também nós precisamos ensaiar essa verdade: não apostar na vida daquilo que passa, por quanto atraente possa ser, mas naquilo que não passa: Deus!


Não a nós, Senhor, não a nós!

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A aliança de Deus com Israel é o tema central do Velho Testamento. O povo de Israel compreende a criação, a partir da aliança de Deus com eles. Embora a criação seja universal e aplicada a todos os povos, essa aliança não é exclusividade de uma casta, ela também tem caráter universal. A aliança com Javé é o ponto de partida para Israel, que lhe permite compreender os fatos e os acontecimentos na sua história e na história do mundo. O povo de Israel é constituído no Êxodo e no cativeiro. Nesse ambiente hostil e de escravidão, a Aliança com Deus justifica todas as ações do povo. Nessa experiência com Deus, há uma busca pela compreensão do ser humano.

Portanto, é a aliança que lhe permite compreender também a criação. O Antigo Testamento, trata como ‘criação’ e ‘aliança’ se relacionam; assim sendo, de como interpretar essa relação.

• Uma é a clássica tese pela qual a aliança é o ‘pressuposto’ da criação: Deus cria o mundo para poder escolher um povo e firmar com ele uma aliança. É o destino de Israel, mas também o destino da Igreja.

• A outra é aquela que busca refletir sobre a criação como um dado em si, sem depender de outras questões.

O salmo 113 ‘B’, das Sagradas Escrituras, nos ajuda a entender como esse nosso Deus age conosco e merece nossa glorificação.

Ele é dividido em 113 ‘A’ e em 113 ‘B’ pela famosa tradução dos ‘setenta’ e a ‘vulgada’ de S. Jeronimo tinha de maneira errada unidos em um só salmo 113. No entanto, em hebraico os dois salmos são conferidos em 114 que é o 113 ‘A’ e o 115 que é o 113 ‘B’. Também esse salmo faz parte do ‘Aleluia pascal’ que acompanha a liturgia da Páscoa hebraica e das maiores solenidades do calendário de Israel. É um hino que combate a idolatria. Ele inicia como fosse uma homilia sobre o verdadeiro Deus, qual Criador e Senhor de tudo, que aposta na humanidade.

Logo em seguida vem a denúncia da idolatria, produzida pelo ser humano, que não tem futuro e é impotente: “Têm boca, mas não falam, olhos e não podem ver…” Depois disso, se concentra na bênção solene: “abençoará a casa de Israel, abençoará a casa de Aarão, abençoará os que temem ao Senhor, os pequenos como os grandes.” Essa bênção, em primeiro lugar à casa de Israel, isto é o inteiro povo na sua identidade de comunidade nacional e religiosa. Logo depois vem a casa de Arão que são os sacerdotes que guardam a Palavra de Deus e o Templo de Sião. E enfim se dirige aos fieis praticantes, os pobres do Senhor.

Portanto, é na casa de Israel, de Arão e dos fieis praticantes que desce a bênção de Deus. Essa bênção divina se caracteriza de geração em geração na fertilidade dos seus rebanhos e dos produtos da terra. Perante essa graça de Deus em favor do seu povo, dos seus escolhidos, vem a resposta dos fieis, que agradecem pelo dom da fertilidade e da vida como sinal da presença de Deus. Fieis que contemplam esta ação de graça do Senhor explodem de alegria e levantam o hino de louvor.


Deus nos fala

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Evangelho de Lucas 21, 25-28.34-36
“Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas. Os homens definharão de medo, na expectativa dos males que devem sobrevir a toda a terra. As próprias forças dos céus serão abaladas. Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade. Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai as vossas cabeças; porque se aproxima a vossa libertação. Velai sobre vós mesmos, para que os vossos corações não se tornem pesados com o excesso do comer, com a embriaguez e com as preocupações da vida; para que aquele dia não vos apanhe de improviso. Como um laço cairá sobre aqueles que habitam a face de toda a terra. Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem.”

O evangelista Lucas nos encoraja, dizendo que o Senhor está para chegar. Essa é uma palavra de grande esperança. O retorno do Filho do Homem, de fato, é super consolidado e confirmado em todo o Novo Testamento. E como acontecerá isso? Todo mundo, desejoso de saber, encontra nesses versículos uma excelente descrição. Veja bem, essas imagens cósmicas, descritas aqui, o que nos sugerem de fato? Medo, terror, preocupação? Nada disso! Essas imagens têm na verdade um sentido positivo, porque nos ajudam a discernir o começo da nova criação, tão proclamada por toda a Sagrada Escritura, que vai substituir à antiga.

E essa nova criação tem a tarefa de manifestar a chegada do Filho do Homem, que introduz o início dos novos tempos, que é o Reino de Deus. Um Reino próximo das pessoas, bem humano; e as comunidades cristãs têm a missão de fazer da história da humanidade uma solidariedade com essa nova criação de Deus. Por isso, não podemos ficar parados, mas devemos-nos ‘levantar e erguer a cabeça’ para sermos parte viva dessa nova realidade de Nosso Senhor Jesus. Essa certeza vai ajudar a derrubar todas as outras seguranças que o ser humano constrói na sua história.

Experimente a refletir somente alguns segundos para ver como a gente vai criando no nosso dia a dia as próprias certezas. É verdade que a gente precisa ter algo para não se deixar levar pelas inseguranças que podem gerar instabilidade, medo etc., mas precisa ver também quais são essas certezas, de que tipo. Nesse sentido, devemos sempre nos confrontar com a proposta do nosso mestre Jesus para termos consciência das nossas opções cristãs. É nisso que seremos julgados. A vinda dele é garantida e não temos dúvidas; e por isso é nele que se concentram as nossas vidas. Além do mais, Lucas acrescenta que essa vinda, essa libertação é próxima.

Isto é, que a nossa vida é já envolvida na chegada das ‘últimas realidades’. Não somos mais assim estranhos à vida de Deus. Por isso, Jesus nos convida a prestar bem atenção a esses momentos de Deus que nos propiciam as riquezas da nossa vida. E como fazer isso? Através da constante vigilância e a oração. O que quer dizer isso? Sabemos com certeza máxima que Deus vem, agora quando Ele vem a gente não sabe, aliás, Ele vai chegar quando menos esperar. Nesse sentido, precisamos ser sempre prontos para acolhê-Lo. Como? Não se distraindo com as preocupações da vida, dissipações, bebedeiras; rezar todos os dias para confiar cada vez mais em Deus.

Portanto, vigilância e serenidade pela oração geram a paz que permitem o verdadeiro encontro com o nosso Deus. Assim sendo, as nossas seguranças se fundamentam nas Palavras de Jesus, porque o mundo de verdade passará, mas as suas Palavras não passarão. E Ele nos confirma que ninguém sabe quanto ao tempo do fim do mundo.

Nós temos uma só coisa a fazer: seguir Jesus com toda a nossa vida. Esta é a única certeza por parte nossa. Concluindo: qual é a sua maior preocupação? O ensino de Jesus é determinante na sua vida?


Deus nos fala

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O evangelista João nos apresenta a figura de Pilatos como o intérprete da verdade sobre o Mestre Jesus. Ele é um governador romano, portanto, não judeu, excluído do povo escolhido, que tenta compreender quem é Jesus. Por isso, João nos mostra que Pilatos direciona ao Mestre três perguntas. E além de tentar inocentá-lo, queria mesmo descobrir a verdade sobre Ele. Na primeira pergunta Jesus lhe respondeu: “Falas assim por ti mesmo ou outros te disseram isso de mim?”. A indagação de Jesus era para saber se Pilatos estava mesmo disposto a se questionar profundamente sobre a verdade de Deus ou era somente uma sua curiosidade.

Quantas vezes, também entre nós, acontece de querermos fazer uma experiência de Deus somente por mera curiosidade, superficialmente, porque temos medo de nos questionar até no fundo da nossa ‘alma’! Insiste Pilatos, quase como desprezando os chefes dos sacerdotes e o povo judeu, a ter uma resposta por parte de Jesus. Mas o Mestre responde, citando por bem três vezes “o meu reino”. O que quis dizer o Messias com isso? A realeza do Cristo está totalmente ligada a Deus, que se realiza através do seu amor para cada criatura humana. Esta realeza submetida a Deus nunca poderá aceitar compromissos com outros poderes para sobreviver.

Não pode nem ser confundida com poderes desse mundo: “meu Reino não é daqui”. Porém, com isso, não quer dizer que não tem nada a ver com o mundo e as nossas realidades que vivemos, mas que a sua origem não é desse mundo porque não se funda, não se plasma sobre os valores, os conceitos de vida e os pontos de vista do poder mundano. Assim sendo, a realeza de Jesus é para testemunhar a verdade de Deus Pai, pela qual temos a salvação. Com isso, devemos, como bons súditos, saber escutá-lo e segui-lo para poder garantir a nossa vida. Ele é o nosso rei e nós, como fiéis obedientes, depositamos a total confiança, porque tudo faz pela gente.

O Reino dele revela outro poder em que não existem escândalos, traições, iniquidades; onde o maior é o menor e os pobres têm vez. Para discerni-lo e ter capacidade de ingressar nele precisa renascer do ‘alto’, renascer de novo da água e do Espírito. É necessário sabê-lo valorizar acima de todas as propostas do mundo. O Reino de Jesus Cristo é isento de violência e de mandões. Ele é totalmente transparente e cheio de luz, não se compromete com as trevas; e é capaz de chegar até a cruz para fazer prevalecer o verdadeiro amor. Tudo isso nos leva a optar pela verdade e não pela mentira, algo que favoreça a vida de Deus.

Quem não se compromete com tudo isso demonstra não fazer uma sincera busca da verdade, porque é demais preocupado com outros compromissos que o mundo lhe oferece. Concluindo, lhe pergunto: qual o reino que está querendo? Quer conhecer melhor Jesus para se comprometer com ele e reconhecê-lo como seu rei e Senhor?


Louvai, ó servos do Senhor!

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A graça, dom de Deus para nós, reconduz-nos à condição de filhos e filhas amados. Nós tínhamos nos apartado dessa condição com o pecado original. Com Cristo, o Novo Adão, somos chamados a fazer parte da Nova Criação. Todos, independentemente de nossos méritos, somos alvo da graça de Deus. A graça, portanto, não nos autoriza a soberba, não nos autoriza a nos sentirmos melhor que os demais. Graça é dom de Deus em sua liberdade e em seu amor, para nós, filhos e filhas.

Fazer a graça frutificar, traduzir a graça recebida em obras e em amor fraterno, depende de nós, de nossa participação! Temos visto como Maria, que encontrou graça no Senhor, deu o seu sim e participou, assim, de nossa transformação rumo ao bem, por meio de seu filho Jesus. Assim, te convido a louvar o nosso Deus com o salmo 112 das Sagradas Escrituras.

“Aleluia. Louvai, ó servos do Senhor, louvai o nome do Senhor. 2. Bendito seja o nome do Senhor, agora e para sempre. 3. Desde o nascer ao pôr-do-sol, seja louvado o nome do Senhor. 4. O Senhor é excelso sobre todos os povos, sua glória ultrapassa a altura dos céus. Quem se compara ao Senhor, nosso Deus, que tem seu trono nas alturas, 6. e do alto olha o céu e a terra? 7. Ele levanta do pó o indigente e tira o pobre do monturo 8. para, entre os príncipes, fazê-lo sentar, junto dos grandes de seu povo. 9. E a mulher, que, antes, era estéril, ele a faz, em sua casa, mãe feliz de muitos filhos.”

Agora vamos tentar entender um pouquinho o salmo. Esse hino faz parte da liturgia judaica da Páscoa e também da Pentecostes e das Cabanas. Seguindo as indicações seja da Mishnah que do Talmud, as grandes coletas das tradições hebraicas, os salmos ‘112 e 113 A’ eram recitados antes da ceia pascal, e no final da ceia se orava os salmos ‘113 B e 117’. Esses salmos do louvor têm ou no começo ou no fim o famoso ‘Aleluia’, isto é, ‘louvai Deus’.

É um salmo sucinto e podemos dividi-lo em três estrofes. A primeira que vai dos versículos de 1 a 3 é dedicada ao louvor do nome santo de Deus, da sua pessoa. Isto é celebrado e hosanado pelos fiéis, em forma de ladainha, por três vezes, sempre repetindo ‘nome do Senhor’. A segunda estrofe dos versículos de 4 a 6, no entanto, exalta a transcendência cósmica de Deus. Isso porque Deus domina não somente as realidades materiais que nos pertencem, mas também os seres que vão além, isto é, os celestiais. Tudo lhe pertence e tudo controla. E a terceira estrofe dos versículos de 7 a 9 Deus de cima do cosmo, da sua imensa transcendência se abaixa para “levantar do pó o indigente e tirar o pobre do monturo” e, assim, tira-los da humilhação.
Esse salmo celebra Deus imenso nas alturas e, ao mesmo tempo, tão próximo das pessoas e das suas realidades. Um Deus transcendente e um Deus presente. Um Deus presente, sobretudo com as criaturas que sofrem e humilhadas. Você se lembra do canto do Magnificat? Muito bem, nele encontramos dois desses versículos: “Lançou os olhos para a baixeza da sua escrava” e “Depôs do trono os poderosos, e elevou os humildes.” E o papa João Paulo II, na audiência geral de quarta feira, 26.02.2003, disse o seguinte:

“Devemos apenas deixar-nos atrair pelo insistente apelo a louvar o Senhor: ‘Louvai ao Senhor… louvai-O… louvai-O!’. Na abertura, Deus é apresentado sob dois aspectos fundamentais do seu mistério. Ele é, sem dúvida transcendente, misterioso, distinto do nosso horizonte: a sua habitação real é o “santuário” celeste, o “firmamento do seu poder”, semelhante a uma fortaleza inacessível ao homem. Contudo, Ele está próximo de nós: está presente no “santuário” de Sião e age na história através dos seus “prodígios” que revelam e tornam experimentável “a sua imensa grandeza”. Por conseguinte, entre a terra e o céu estabelece-se como que um canal de comunicação em que se encontram a ação do Senhor e o cântico de louvor dos fiéis. A Liturgia une os dois santuários, o templo terrestre e o céu infinito, Deus e o homem, o tempo e a eternidade.

Durante a oração, nós realizamos uma espécie de subida para a luz divina e, ao mesmo tempo, experimentamos uma descida de Deus que se adapta ao nosso limite para nos ouvir e nos falar, para se encontrar conosco e nos salvar. (…) Portanto, está envolvida no louvor divino, antes de mais, a criatura humana com a sua voz e o seu coração. Com ela, são idealmente interpelados todos os seres vivos, todas as criaturas que respiram (cf. Gn 7, 22), para que elevem o seu hino de gratidão ao Criador pelo dom da existência.”


Feliz o homem que teme o senhor

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O salmo 111 nos diz que é feliz a pessoa (e eu diria também a nação) que teme o Senhor. E esse respeito, obediência a Deus, não se dá tanto em falar Dele, como diz Jesus Cristo: ‘não que diz Senhor, Senhor, mas que faz a vontade Dele entra no Reino de Deus’. Portanto, a felicidade é consequência de seguir a Deus, colocando em prática a sua vontade que é de amar. Hoje em dia, podemos dizer que as pessoas são realmente felizes? As nações são felizes? Por que todas essas agitações, rupturas, ódios, ciúmes, mentiras, vinganças e guerras? Te convido a ler o salmo para depois tentar entendê-lo melhor.

“Aleluia. Feliz o homem que teme o Senhor, e põe o seu prazer em observar os seus mandamentos. 2. Será poderosa sua descendência na terra, e bendita a raça dos homens retos. 3. Suntuosa riqueza haverá em sua casa, e para sempre durará sua abundância. 4. Como luz, se eleva, nas trevas, para os retos, o homem benfazejo, misericordioso e justo. Feliz o homem que se compadece e empresta, que regula suas ações pela justiça. 6. Nada jamais o há de abalar: eterna será a memória do justo. 7. Não temerá notícias funestas, porque seu coração está firme e confiante no Senhor. 8. Inabalável é seu coração, livre de medo, até que possa ver confundidos os seus adversários. 9. Com largueza distribuiu, deu aos pobres; sua liberalidade permanecerá para sempre. Pode levantar a cabeça com altivez. 10. O pecador, porém, não pode vê-lo sem inveja, range os dentes e definha; anulam-se, assim, os desejos dos maus.”

O salmo que acabaste de ler é uma resposta ética, de comportamento do fiel que queira colocar realmente em prática aquilo que Deus exige, que a sua Palavra orienta. Esse hino é, de fato, uma bem-aventurança para o justo. Isto, naturalmente, marcado pela visão sapiencial da contraposição do justo e o ímpio. O hino oferece dois personagens em contraposições: um, o justo, lhe são dedicados nove versículos sobre dez e, no entanto, o ímpio somente um versículo. O pecador, infiel, assim assiste ao triunfo do justo, fiel, fazendo o que? Diz o salmo: “não pode vê-lo sem inveja, range os dentes e definha; anulam-se, assim, os desejos dos maus.” Quem é o justo, o fiel? É aquele que segue fielmente a Aliança do Senhor e é humilde; e se preocupa de estar próximo dos pobres e dos que sofrem e reparte com eles a sua ajuda, a sua caridade.

Essa ação caridosa, segundo a concepção da retribuição do Antigo Testamento que é caracterizada por esse binômio ‘delito-castigo’ e ‘justiça-prêmio’, leva a ter uma grande bênção de Deus, que, além do mais, se estende a toda família e marca toda a geração que pertence ao justo, ao fiel: “Será poderosa sua descendência na terra, e bendita a raça dos homens retos.” Assim sendo, segundo a visão clássica sapiencial bíblica, quem pratica o bem gera felicidade. É o compromisso com a caridade que dá felicidade também para uma nação. No Novo Testamento, encontramos também em São Paulo como referência ao versículo 9 deste salmo, na segunda carta aos Coríntios, no versículo 9 o seguinte: “Como está escrito: Espalhou, deu aos pobres, a sua justiça subsiste para sempre.”

E o papa Francisco na audiência geral na Praça S. Pedro do dia 11.06.2014 disse o seguinte: “Estejamos atentos a não pôr a esperança no dinheiro, no orgulho, no poder e na vaidade, pois tudo isto não nos pode prometer nada de bom! Por exemplo, penso nas pessoas que têm responsabilidades sobre os outros e se deixam corromper; pensais que uma pessoa corrupta será feliz no além? Não, todo o fruto do seu suborno corrompeu o seu coração e será difícil alcançar o Senhor. Penso em quantos vivem do tráfico de pessoas e do trabalho escravo; pensais que quantos traficam pessoas, que exploram o próximo com o trabalho escravo têm o amor de Deus no seu coração? Não, não têm temor de Deus e não são felizes. Não o são! Penso naqueles que fabricam armas para fomentar as guerras; mas que profissão é esta!? Estou convicto de que se agora eu vos dirigir a pergunta: quantos de vós sois fabricantes de armas? Nenhum, ninguém! Estes fabricantes de armas não vêm para ouvir a Palavra de Deus! Eles fabricam a morte, são mercantes de morte, fazem da morte mercadoria. Que o temor de Deus os leve a compreender que um dia tudo acaba e que deverão prestar contas a Deus. (…)

Peçamos ao Senhor a graça de unir a nossa voz à dos pobres, para acolher o dom do temor de Deus e poder reconhecer-nos, juntamente com eles, revestidos de misericórdia e de amor a Deus, que é o nosso Pai, o nosso pai. Assim seja!”


Louvarei o Senhor de todo o coração

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Lendo o salmo 110 das Sagradas Escrituras me lembrei do Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis. Transcrevo aqui somente estes versículos, para melhor entender. São Francisco reconhece a grandeza de Deus e, portanto, precisa louva-La e reconhece-La. “Louvado sejas, meu Senhor,  com todas as tuas criaturas, especialmente o senhor irmão Sol, que clareia o dia e que, com a sua luz, nos ilumina. Ele é belo e radiante, com grande esplendor; de Ti, Altíssimo, é a imagem. (…) Louvai todos e bendizei o meu Senhor! Dai-Lhe graças e servi-O com grande humildade!” É um convite para todos nós a vivermos essa verdade. Agora leia atentamente o salmo.

 

“Aleluia. Louvarei o Senhor de todo o coração, na assembleia dos justos e em seu conselho. Grandes são as obras do Senhor, dignas de admiração de todos os que as amam. Sua obra é toda ela majestade e magnificência. E eterna a sua justiça. Memoráveis são suas obras maravilhosas; o Senhor é clemente e misericordioso.

 

Aos que o temem deu-lhes o sustento; lembrar-se-á eternamente da sua aliança. Mostrou ao seu povo o poder de suas obras, dando-lhe a herança das nações pagãs. As obras de suas mãos são verdade e justiça, imutáveis os seus preceitos, irrevogáveis pelos séculos eternos, instituídos com justiça e equidade.

 

Enviou a seu povo a redenção, concluiu com ele uma aliança eterna. Santo e venerável é o seu nome. O temor do Senhor é o começo da sabedoria; sábios são aqueles que o adoram. Sua glória subsiste eternamente.”

 

O salmo inicia com ‘Aleluia’ e logo em seguida descreve a celebração da ação de Deus na história da salvação. Uma presença de Deus feita de grandes obras que chamam a atenção da humanidade que o ama. Aqui, encontra-se, na verdade, a revelação de Deus através da aliança com o seu povo Israel: desde o êxodo até o Sinai. Tudo caracterizado por obras, justiça, grandes prodígios, a aliança, o direito, a redenção, a piedade, a compaixão de Deus; no entanto, Israel responde com a fé e a celebração litúrgica. O grande memorial. Nesse sentido, reconheço que os nossos irmãos mais velhos, os judeus, nos ensinam a importância de viver a memória do passado no presente.

 

Hoje se sou aquilo que sou é também mérito daquele passado que caracterizou a história do presente. Assim, é evidente o meu louvor. Para que tudo isso aconteça é preciso ama-Lo, reconhece-Lo qual protagonista da nossa história. O desenho universal de Deus para a nossa salvação, de toda a humanidade, não acontece de maneira somente secreta, isto é, no espírito dos homens. E, sobretudo, para nós, cristãos, Deus decidiu enviar na história o seu Filho assumindo a nossa realidade de carne. O Deus ‘Santo e terrível’ está entre nós e se revela a todos nós com o dom da ‘Aliança’, da fidelidade e da redenção.

 

E daqui nasce o hino de louvor do fiel e aquele ‘Aleluia’ alegre que se manifesta na oração de louvor. Com essa dimensão de reconhecimento, permite-os enaltecer a própria vida e ter horizontes sem fim.  Por fim, o papa Francisco falou na homilia durante missa na capela Santa Marta do dia 05.02.2018, reportada pelo ‘Osservatore Romano’. “O povo levava consigo a própria história, a memória da eleição, a memória da promessa e a memória da aliança. E com esta carga de memória aproximava-se do templo. Não só: o povo, acrescentou Francisco, levava também «a nudez da aliança», isto é, simplesmente as duas tábulas de pedra, nua, assim como tinha sido de Deus e não como a tinham aprendido dos escribas, que a “barroquizaram” com tantas prescrições. Aquele era o seu tesouro: a aliança nua: amo-te, amas-me. O primeiro mandamento, amar a Deus; segundo, amar o próximo. Nua”.

 

Depois, continuou o Pontífice, “com aquela memória de eleição, da promessa e da aliança, o povo sobe e leva a aliança. Ao chegar em cima quando eram todos idosos, levaram a arca, introduziram a arca no santuário e na arca nada havia exceto as duas tábulas de pedra. Eis a «nudez da aliança». E no excerto bíblico lê-se que quando os sacerdotes saíram, a nuvem encheu o templo do Senhor. Era a glória do Senhor que fazia morada no templo. Naquele momento, explicou o Papa, o povo entrou em adoração, passando da memória para a adoração, caminhando em subida. Assim começou a adoração em silêncio. Eis o percurso realizado pelos Israelitas: dos sacrifícios que faziam no caminho em subida, ao silêncio, à humilhação da adoração. E àquela experiência na qual se antecipa a vida no céu, acrescentou, só podemos chegar com a memória de termos sido eleitos, de ter dentro do coração uma promessa que nos impele a ir, com a aliança na mão e no coração”.


As redes sociais informam ou desinformam?

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Eupubliquei este artigono jornal Liberal quatro anos atrás. Fui convidado a republica-lo para melhor compreender esse cenário nacional e internacional dasFake News que ameaçam a nossa convivência.

Por que notícias falsas correm rapidamente nas redes sociais? Qual a intenção de tudo isso? Para que serve esse tipo de (des) informação? Em síntese, poderíamos dizer que as falsas informações percorrem de forma extraordinárias as redes sociais porque é através delas que se tenta firmar as amizades com pessoas de mesmo caráter e que trocam conteúdos entre si. Todos nós sabemos que a informação é um fenômeno de contagio social e, nesse sentido, nunca, como hoje, vimos a grande importância que assumiu a mídia como informação. Essa vitalidade das notícias tem uma semelhança entre as pandemias e a maneira como circula uma falsa notícia nas redes sociais, mas também tem grandes diferenças.

A partir dessas considerações se torna difícil prever e analisar suas dinâmicas. A essa altura, podemos nos questionar: sobre esse tipo de ação nas redes, é possível considera-la como inteligência grupal-comunitária ou poderia ser considerada uma ignorância grupal-comunitária? Provavelmente, por que não considera-la as duas faces da mesma moeda? Uma coisa é certa: a informação é um fenômeno de contágio social. Assim que recebo, por exemplo, algumas informações dos meus amigos ou conhecidos e começo a repassa-las. É como se tivesse sido infectado. E, por sua vez, eu infecto os outros. Portanto, como se defender dos vírus das redes?
Falando de informação, a sociedade tem uma grande incidência sobre a possibilidade de contágio. E se por acaso essas informações vierem de amigos ou de pessoas que simpatizamos e que confiamos porque têm os mesmos interesses e pensamentos, então têm ainda mais importâncias as informações. Assim sendo, é possível prevê onde, quanto e quando se difunde uma informação falsa? Perante esse questionamento, precisamos compreender o que é uma notícia falsa, o que é desinformação. Às vezes, é simples para entender, às vezes, é meio complicado. Portanto, compreender qual é a percepção do mundo a respeito de uma determinada notícia pode ser bem complexo.

Precisamos detalhar o espaço, o ambiente onde nasce essa falsa notícia; identificar as pessoas com quem se mantém o contato constantemente e seus costumes de vida, e assim por diante. Com essas novas tecnologias que invadem qualquer território pode ser mais possível identificar elementos para uma melhor analise da realidade e, assim, cruzar as notícias e identifica-las. Mas se isso é verdade para peneirar melhor as notícias, também é verdade que se podem difundir cada vez mais notícias falsas. Essas redes sociais, colocando a disposição de todos quaisquer tipos de notícia, podem iludir muitos de saber tudo, de estar informado de maneira eficiente. No entanto, isso não é verdade.

É bem sabido, sobretudo para quem se dedica na área de comunicação, que às vezes são necessários anos de estudo para compreender determinadas notícias. Vejam, por exemplo, essas tão martirizadas notícias de conflitos e guerras no mundo, ou a violência no nosso meio: quem sabe a verdade? Requer conhecimento bem profundo que saiba fazer uma correta leitura da notícia. Para tudo isso é preciso preparação. No final, em todas as coisas que se fazem no dia a dia dificilmente se improvisa: conhecimento e experiência se tornam os ingredientes principais da nossa ação. Alias, pode se tornar uma ignorância coletiva, na medida em que as redes divulgam falsas notícias ou informações. É urgente, nesse sentido, estabelecer uma escala de valores. Isto nos dará mais capacidades de vigiar as notícias. Não somente isso, mas também nos alertar sobre os valores reais que aparecem através dessas informações. É urgente nos conscientizar para evitar abrir um grande conflito entre a idade da inteligência coletiva e da ignorância coletiva. Infelizmente, essa ignorância coletiva pode mudar a própria realidade: compreender uma coisa por outra pode levar a situações desastrosas. É um retrocesso da convivência humana. É recomendável, deste modo, quando se quer lançar uma notícia, embora pensando de fazer um favor aos outros e amigos, sempre verifica-la.

Para fazer isso, pode-se pesquisar até um motor de busca, procurar um site que alerte sobre as falsas notícias ou consultar pessoas que sejam peritos de tal assunto e argumento. Com isso, sentimos de aumentar sempre mais o nosso monitoramento cotidiano sobre aquilo que se comunica nas redes, para analisar até que ponto as informações sejam corretas. Assim, ajudamos fazer transparecer a verdade das notícias.


Mensagem de sua santidadeo papa franciscopara o dia mundial das missões de 2018

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(…)Todo o homem e mulher é uma missão, e esta é a razão pela qual se encontra a viver na terra. Ser atraídos e ser enviados são os dois movimentos que o nosso coração, sobretudo quando é jovem em idade, sente como forças interiores do amor que prometem futuro e impelem a nossa existência para a frente. Ninguém, como os jovens, sente quanto irrompe a vida e atrai. Viver com alegria a própria responsabilidade pelo mundo é um grande desafio. (…)

A Igreja, ao anunciar aquilo que gratuitamente recebeu (cf. Mt 10, 8; At 3, 6), pode partilhar convosco, queridos jovens, o caminho e a verdade que conduzem ao sentido do viver nesta terra. Jesus Cristo, morto e ressuscitado por nós, oferece-Se à nossa liberdade e desafia-a a procurar, descobrir e anunciar este sentido verdadeiro e pleno. Queridos jovens, não tenhais medo de Cristo e da sua Igreja! Neles, está o tesouro que enche a vida de alegria. Digo-vos isto por experiência: graças à fé, encontrei o fundamento dos meus sonhos e a força para os realizar. Vi muitos sofrimentos, muita pobreza desfigurar o rosto de tantos irmãos e irmãs. E todavia, para quem está com Jesus, o mal é um desafio a amar cada vez mais. Muitos homens e mulheres, muitos jovens entregaram-se generosamente, às vezes até ao martírio, por amor do Evangelho ao serviço dos irmãos. A partir da cruz de Jesus, aprendemos a lógica divina da oferta de nós mesmos (cf. 1 Cor1, 17-25) como anúncio do Evangelho para a vida do mundo (cf. Jo 3, 16). Ser inflamados pelo amor de Cristo consome quem arde e faz crescer, ilumina e aquece a quem se ama (cf. 2 Cor 5, 14). Na escola dos santos, que nos abrem para os vastos horizontes de Deus, convido-vos a perguntar a vós mesmos em cada circunstância: «Que faria Cristo no meu lugar?»
(…) Na convivência das várias idades da vida, a missão da Igreja constrói pontes intergeracionais, nas quais a fé em Deus e o amor ao próximo constituem fatores de profunda união.

Por isso, esta transmissão da fé, coração da missão da Igreja, verifica-se através do «contágio» do amor, onde a alegria e o entusiasmo expressam o sentido reencontrado e a plenitude da vida. A propagação da fé por atração requer corações abertos, dilatados pelo amor. Ao amor, não se pode colocar limites: forte como a morte é o amor (cf. Ct 8, 6). E tal expansão gera o encontro, o testemunho, o anúncio; gera a partilha na caridade com todos aqueles que, longe da fé, se mostram indiferentes e, às vezes, impugnadores e contrários à mesma.

Ambientes humanos, culturais e religiosos ainda alheios ao Evangelho de Jesus e à presença sacramental da Igreja constituem as periferias extremas, os «últimos confins da terra», aos quais, desde a Páscoa de Jesus, são enviados os seus discípulos missionários, na certeza de terem sempre com eles o seu Senhor. Nisto consiste o que designamos por missio ad gentes. A periferia mais desolada da humanidade carente de Cristo é a indiferença à fé ou mesmo o ódio contra a plenitude divina da vida. Toda a pobreza material e espiritual, toda a discriminação de irmãos e irmãs é sempre consequência da recusa de Deus e do seu amor.

Hoje para vós, queridos jovens, os últimos confins da terra são muito relativos e sempre facilmente «navegáveis». O mundo digital, as redes sociais, que nos envolvem e entrecruzam, diluem fronteiras, cancelam margens e distâncias, reduzem as diferenças. Tudo parece estar ao alcance da mão: tudo tão próximo e imediato… E todavia, sem o dom que inclua as nossas vidas, poderemos ter miríades de contatos, mas nunca estaremos imersos numa verdadeira comunhão de vida. A missão até aos últimos confins da terra requer o dom de nós próprios na vocação que nos foi dada por Aquele que nos colocou nesta terra. Atrevo-me a dizer que, para um jovem que quer seguir Cristo, o essencial é a busca e a adesão à sua vocação.

(…) Muitos jovens encontram, no voluntariado missionário, uma forma para servir os «mais pequenos», promovendo a dignidade humana e testemunhando a alegria de amar e ser cristão. Estas experiências eclesiais fazem com que a formação de cada um não seja apenas preparação para o seu bom-êxito profissional, mas desenvolva e cuide um dom do Senhor para melhor servir aos outros. Estas louváveis formas de serviço missionário temporâneo são um começo fecundo e, no discernimento vocacional, podem ajudar-vos a decidir pelo dom total de vós mesmos como missionários.
(…) Apraz-me repetir a exortação que dirigi aos jovens chilenos: «Nunca penses que não tens nada para dar, ou que não precisas de ninguém. Muita gente precisa de ti. Pensa nisso! Cada um de vós pense nisto no seu coração: muita gente precisa de mim» (Encontro com os jovens, Santiago – Santuário de Maipú, 17/I/2018).

(…) A Maria, Rainha dos Apóstolos, ao Santos Francisco Xavier e Teresa do Menino Jesus, ao Beato Paulo Manna, peço que intercedam por todos nós e sempre nos acompanhem.

Vaticano, 20 de maio de 2018
FRANCISCO