Nao sejamos “peixes” na internet

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É verdade, por aquilo que sabemos, não temos garantias de segurança total no uso e privacidade da internet. Somos como uma ‘porta’ que está sempre aberta e qualquer um pode ter acesso, pode entrar. Efetivamente, não existe segurança total, mas é também verdade que se pode evitar sermos ‘peixes na internet’. O cenário que assistimos no mundo é permeado pela nova logica digital que foge dos padrões da comunicação da ‘caneta e papel’. A nova lógica da ‘Rede’ pode ser manipulada por qualquer um, sem controle de ninguém, e divulgada sem restrições de tempo e espaço. Sendo assim, que controle pode ter uma comunicação on-line? Não só, como se pode também guardar com segurança e sem limites de tempo uma comunicação digital?

Em primeiro lugar, é necessário conhecer a origem da internet. Nasceu, na verdade, para ser um sistema de partilhar informações. Portanto, não para ser uma venda de produtos etc., e, assim, uma comunicação com limites definidos. E a lógica da escrita, do papel, desaparece neste campo digital. Por exemplo, aquilo que você escreve em seu caderno é seu e dificilmente os outros podem compartilhar, ao máximo as pessoas que lhes estão perto, e essas não são muitas. No entanto, aquilo que você escreve na internet, na rede, é exposto ao mundo todo e sem poder de controle. Uma vez que foi lançada a sua mensagem na rede está fora dos seus comandos. Assim sendo, quando se usa esse tipo de comunicação digital, precisamos ter muito bom senso para não ter depois surpresas desagradáveis e perigosas.

De fato, essas surpresas traumatizam uma infinidade de pessoas, deixando-as sem rumo e perdidas. Aumentam a desconfiança e as certezas adquiridas no passado. Pode ver, tanto no campo religioso e sócio-político, se põe tudo em discussão. Perderam-se as estabilidades. O que fazer para se opor a tudo isso? Creio que uma boa medida é ler atentamente o que aparece ou aquilo que se quer escrever on-line. Isto é, devo pensar aos meus destinatários e seus contextos e as possíveis consequências que poderão resultar. Um bom senso é nos fazer constantemente perguntas sobre tudo isso. Outro problema sério é sobre as questões dos e-mails, WhatsApp, Facebook, Instagram e outros. Aqui também a ignorância predomina.
Somos um universo de ingênuos. Por tudo isso, precisamos ter uma preparação para enfrentar o ‘Web’. No ‘Web’ tudo é sem sabor, sem cheiro e intangível. Se formos analisar a evolução humana, percebe-se que aconteceu na base da curiosidade e do medo. No entanto, hoje o medo desapareceu. Assim sendo, precisamos cada vez mais de bom senso para reconhecer os perigos que temos na internet. Sobretudo a partir dos mecanismos psicológicos. Foi através desses mecanismos que a rede destruiu a democracia representativa. Alimentou o ódio, o desgosto, insatisfação e a decepção. Muitas vezes deu voz aos ‘imbecis’ como falou o famoso semiólogo Umberto Eco. Não facilitou uma boa concentração e reflexão. E sobretudo estimulou o narcisismo, fonte de males para a nossa convivência.


A tecnologia digital põe em risco o futuro das pessoas?

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Ninguém põe em dúvida que a explosão tecnológica digital teve grandes êxitos positivos e favoreceu maior informação e conhecimento. Hoje em dia, a nova mídia se integra à pessoa como qualquer outra necessidade essencial da vida. Por exemplo, quantas vezes pessoas que saíram para o trabalho e perceberam a falta do celular no bolso e voltaram à casa para apanha-lo, porque sem ele é impossível ficar? Essa tecnologia digital nos acompanha dia e noite. Ela determina o nosso agir. Um agir que se torna, ao passar dos tempos, sempre mais frenético, agitado e impaciente.

Os tempos atuais não são mais os tempos do passado, em que a comunicação era mais material e tangível. Com toda essa comunicação virtual, a corrida do tempo é sem fim. Ninguém consegue mais freá-lo, arresta-lo. Se pensarmos bem, nós não somos feitos para toda essa velocidade da corrida do tempo. É como ter um carro da marca Ferrari e imaginar que se corre sempre a uma velocidade de 300 km por hora. A gente talvez consiga aguentar uns primeiros quilômetros, mas depois começa ser perigoso com o passar do tempo. Imaginem correr sempre assim todos os dias, o que pode acontecer? Não vamos aguentar.

Assim é a nossa vida. Estamos a uma velocidade supersônica e, portanto, é um risco a nossa vida. Não somos feitos para viver assim, com tempos supersônicos. O nosso corpo é feito para tempos mais lentos, que tenham um ritmo mais compassado. O nosso corpo não consegue absorver o ritmo que a nossa sociedade vive com a nova tecnologia atual. Uma vida frenética imposta pela nova mídia digital e seu contesto, exige cada vez mais o nosso envolvimento.

Poderíamos fazer também mais uma comparação bem simples, mas esclarecedora. É parecido quando a gente faz uma refeição. O que acontece quando a gente come rapidamente, em poucos minutos, logo em seguida se parte para atividade? Pode provocar uma indigestão. Então, quais as ‘indigestões’ na vida digital? As tecnologias virtuais provocam tensões constantes entre realidades mais diferentes possíveis. Por que isso? A pessoa sempre vai enfrentando espaços mais diferentes e, às vezes, impensáveis. Não somente! Também pessoas de tantas raças e etnias que provocam a própria cultura de pertença.

Situações de mil facetas e que põem em discussão a vida das pessoas. Perdem-se as certezas! Até as informações são infinitas e não se sabe mais qual é a verdade. Uma situação indefinida e, portanto, de muita desconfiança. Assim sendo, o ser humano entra em contínuo conflito consigo. A cultura virtual te projeta para espaços planetários, mas não consegue enfrentar o pequeno espaço onde está, o seu quintal. Uma cultura como essa aonde nos leva? O nosso corpo talvez não consiga acompanhar tudo isso tão rapidamente. Não somos feitos para todas essas transformações ligeiras. Podemos entrar em choque. Está em jogo a vida das pessoas. Até as igrejas, neste cenário, percebem que o desafio é imenso em evangelizar na era digital. O nosso futuro está em risco!


Sínodo da Amazônia

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O Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia começará neste domingo, dia 6, e terminará dia 27, no Vaticano. O tema é “Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. Por que a Amazônia tem um Sínodo? O que é um Sínodo? Umas informações prévias sobre a região amazônica: ela é muita extensa e tem 7,8 milhões de Km², e, se quisermos comparar, a Europa toda que tem 10,180 milhões. Estamos bem próximos. Portanto, dimensões imensas.

Aqui temos também uns 3 milhões de indígenas pertencentes a 390 grupos diversos. Então, o que é o Sínodo? Da origem da palavra, quer dizer ‘caminhar juntos’. Sempre a Igreja, desde as suas origens, andou juntos, às vezes com dificuldades, mas sempre guiada pelo Espírito Santo e conduzida pelos seus pastores com o primado de Pedro, isto é, do papa. Todos os bispos da Amazônia junto ao papa, são convidados do Vaticano, com representantes daquela terra e com o Espírito Santo realizam o Sínodo “especial”.

O Sínodo é uma expressão de verdadeira colegialidade. Nessa colegialidade, que não prevalece nenhuma forma e conteúdo de pontos de vistas ideológicos, se busca discernir a vontade de Deus, manifesta por Jesus Cristo, na vida da história dos povos amazônicos.

Eu posso testemunhar com a minha vida, enquanto missionário por mais de quarenta anos nessas terras, a importância de discernir a vontade de Deus e como, de fato, se está vivendo o projeto de Deus nesse solo verde. Deus entregou ao patrimônio humano uma terra rica de florestas, de águas, de flora, fauna, mas os povos que ali existem, sobretudo os povos indígenas, estão sofrendo e não conseguem viver uma harmonia com a própria natureza.

Grandes projetos que, aparentemente parecem promotores de vida, se tornam uma ameaça para o equilíbrio da convivência entre o ser humano e a própria natureza. Inúmeras vezes pessoas de idade me falaram: “Padre, antigamente, quando era bem jovem, tínhamos tudo; não faltava peixe, caça, fruta, açaí, farinha, criação de galinhas e muitas outras coisas, e agora tudo é escasso. Mudou tudo, padre, quando começou aquela estrada. A nossa vida era tranquila, sossegada. Não tínhamos tantos papeis de comprovação de propriedade, mas todos nos entendíamos e nos respeitávamos. Agora que chegaram os negócios tudo mudou, e até o relacionamento entre nós mudou.” E acrescentou: “Uma vez, eu falei para o senhor juiz, ‘dr. eu não tenho documentação dos terrenos, mas posso comprovar com os calos das minhas mãos de tanta trabalhar, com os calos na minha cabeça de tanto carregar os produtos da roça…’”

A vida dos amazônicos é o testemunho de mudanças radicais de vida na Amazônia. Perderam aquele habitat do passado para se revestir de uma realidade não própria pra eles. Perderam a harmonia com a natureza. Por isso, a Igreja não pode evangelizar se não ouvir o clamor dos povos que nela existem. Como uma mãe que se preocupa com o filho, assim é a Igreja que se preocupa com os povos da Amazônia. O amor da Igreja a torna mais próxima deles para defendê-los e ajuda-los. Uma tenda armou entre eles.


Escola de comunicação Papa Fraancisco

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Lembro-me como se fosse hoje, estava para entrar na igreja onde celebraria um casamento e, improvisamente, alguém me bateu as costas. Aí, me virei e vejo um jovem bem vestido, de paletó e gravata, com uma bela e poderosa câmera sobre o ombro. Ele logo, com um sorriso irradiante, me disse: “O senhor não se lembra de mim?” Respondi: “Meu filho, sabe como é, quando os anos passam e a gente não lembra tudo.” E ele retrucou, com alegria: “Eu fui estudante da escola ‘Papa Francisco’! Foi a escola de vocês que me promoveu. Agora sou gente grande! Tenho uma profissão, que, aliás, eu gosto muito. Tudo isso devo à escola ‘Papa Francisco’. Pe. Claudio, um dia vou passar lá na escola e dar o meu testemunho aos estudantes e dizer o quanto é importante o curso para nossa vida; quanto promove a nossa vida. Quem faz esse curso sai daí transformado!”

Esse testemunho é um dos tantos que recebo continuamente. Toda a nossa escola é testemunho disso. Aliás, estamos organizando um livro de testemunhos dos nossos ex-estudantes para dar memória a esse projeto de Deus. O que significa isso? A nossa escola ‘Papa Francisco’ nasceu mesmo para ajudar os jovens pobres e que têm dificuldades a se tornarem protagonistas na sociedade; a não ficarem no ‘escanteio’. Por isso, confirma-se que a educação é o principal instrumento de promoção da dignidade humana. Neste sentido, o ser humano não deve se deixar manipular pela ignorância por qualquer mensagem e idolatria ideológica, mas que saiba discernir, avaliar e recepcionar todo tipo de mensagem e, ao mesmo tempo, tenha capacidade de produzi-la.

A escola tem mesmo esse objetivo de resgatar a dignidade dos filhos e filhas de Deus com a educação. Eu tenho a impressão que a nossa atual sociedade não queira dar essa dignidade, verdadeira liberdade do ser humano, mas prefere escraviza-lo para poder conseguir os seus fins materiais-comerciais. A escola ‘Papa Francisco’ tem uma trajetória de educação vitoriosa e convencedora. Estamos, direção e professores, demais convencidos e entusiastas por esse ilustre projeto educativo de promoção e inclusão das pessoas.

Esta realização é um pequeno fermento que pode ajudar a levitar uma nova realidade de justiça e fraternidade na nossa sociedade. Temos consciência que a ruptura fraterna e a injustiça social provêm do afastamento do ser humano de Deus. E esta escola é uma resposta da busca de Deus, valorizando todas as pessoas, em particular as mais pobres, promovendo-as. Porém, esse projeto educativo não vai para frente sozinho, precisa a colaboração de todos. É um projeto de mutirão, que eu digo ‘mutirão de Deus’. Por isso, um projeto como esse não pode parar e a colaboração e contribuição que cada um dará será de grande suporte de continuação.

Quem ajudar a manter firme a escola ‘Papa Francisco’, não somente contribui com a escola, mas também com Deus. Aposta com o Reino de Deus. A conta em favor da escola: Banco do Brasil, Missão FriuliAmazônia, Ag. 3702-8, conta corrente 19916-8.


Tudo o que respira louve o Senhor!

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Com o salmo 150 das Sagradas Escrituras terminamos o saltério. 150 salmos, exaltando e louvando Deus e a sua criação. Interessante ver que em hebraico os salmos são chamados “Tehillìm” que quer dizer “Louvores”; e este salmo é a confirmação desses louvores dos fiéis de Israel. Poderíamos até classificar esses louvores como uma coralidade litúrgica que se estende além do tempo. Todos os fiéis elevam hinos que exaltam o próprio Deus. É um entusiasmo sem fim.
Este salmo, o último de todo o saltério, é o puro louvor, da adoração, da poesia e da música. Nós vimos ao longo desses 150 salmos quase um constante grito de orações, súplicas, lamentações, de sofrimento, de sobrevivência, de socorro direto ao Senhor da vida, da criação. E esta vivência de louvor ao Senhor é celebrada no Templo com os instrumentos típicos, quais: a trombeta, a lira, a cítara, tímpanos, harpa, a flauta e címbalos sonoros.
É uma celebração de grande reconhecimento em que cada ser humano é convidado a participar. Não só, todo ser vivente! É um concerto de ‘Aleluia’ que honra toda a Criação e todo o Cosmo. Tudo proclama a criação vivente. De fato, o salmo inicia com estas palavras: “Aleluia. Louvai o Senhor em seu santuário, louvai-o em seu majestoso firmamento. Louvai-o por suas obras maravilhosas, louvai-o por sua majestade infinita.” Este ‘santuário’ é o lugar onde acontece esta manifestação musical de alegria e de oração.
Aqui, talvez, o texto quis expressar o Templo como área sagrada e transcendente onde Deus mora. Todavia, ao Santuario celeste é idealmente ligado ao Templo terrestre: a liturgia que os fiéis fazem na história e no espaço é já uma prefiguração daquela eterna e infinita. E daqui podemos entender o porquê que a transcendência de Deus se une a sua presença no nosso meio. Justamente o salmista proclama quanto segue: “Louvai-o por suas obras maravilhosas, louvai-o por sua majestade infinita. Louvai-o ao som da trombeta, louvai-o com a lira e a cítara. Louvai-o com tímpanos e danças, louvai-o com a harpa e a flauta. Louvai-o com címbalos sonoros, louvai-o com címbalos retumbantes. Tudo o que respira louve o Senhor!”
Perante a ação poderosa-salvadora de Deus na história da humanidade a resposta é ‘reconhecimento’ e louvor. Um louvor que exprime uma evidente profissão de fé em um Deus que cria e redime. Portanto, é uma celebração de festa e alegria pelo amor de Deus que tem com a humanidade e toda a criação. É a vida e a liberdade que triunfam.
E o papa Francisco, na Encíclica ‘Laudatosí’, disse: “É significativo que a harmonia vivida por São Francisco de Assis com todas as criaturas tenha sido interpretada como uma sanção daquela ruptura (pecado). Dizia São Boaventura que, através da reconciliação universal com todas as criaturas, Francisco voltara de alguma forma ao estado de inocência original.
Longe deste modelo, o pecado manifesta-se hoje, com toda a sua força de destruição, nas guerras, nas várias formas de violência e abuso, no abandono dos mais frágeis, nos ataques contra a natureza.”


Louva, ó minha alma, o Senhor!

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O salmo 145 das Sagradas Escrituras é o grande louvor ao Senhor Deus. Um louvor sem fim, que perdura até o fim: “Louvarei o Senhor por toda a vida. Salmodiarei o meu Deus enquanto existir.” Portanto, é um hino de festa, mas, ao mesmo tempo, pode-se notar uma grande concentração teológica. Veja nesses versículos: “É esse o Deus que fez o céu e a terra, o mar e tudo o que eles contêm; que é eternamente fiel à sua palavra, que faz justiça aos oprimidos, e dá pão aos que têm fome. O Senhor livra os cativos; o Senhor abre os olhos aos cegos; o Senhor ergue os abatidos; o Senhor ama os justos. O Senhor protege os peregrinos, ampara o órfão e a viúva; mas entrava os desígnios dos pecadores. O Senhor reinará eternamente; ó Sião, teu Deus é rei por toda a eternidade.”

Observa-se quantas vezes o nome de Deus é citado. E qual o sentido de todos esses nomes? Preocupam-se em celebrar quanto esse Deus ama as suas criaturas, em particular, àquelas fragilizadas e fracas. E mostra o salmista através da citação “Deus que fez o céu, a terra e o mar”, de maneira bem simbólica, a criação do universo na sua totalidade. É esse o Deus criador que tudo lhe pertence, e nós queremos adora-Lo. Por que queremos adora-Lo? Porque Ele é fiel para sempre à sua imensa obra criada. Que maravilha aos nossos olhos essa obra divina! Não temos palavras ao contemplarmos tudo isso. Além do mais, revela o autor que Deus faz ‘justiça aos oprimidos’ e abate os poderosos. Um Deus, portanto, que é justo e defensor dos últimos.

Na mesma lógica, continua o salmista dizendo que Deus ‘dá pão aos que tem fome’. Assim sendo, afirma, de maneira indireta, sobre a destinação universal dos bens que estão antes de cada direito de propriedade privada. Continua dizendo que o Senhor livra os presos e abre os olhos aos cegos. Isto mostra implicações da era messiânica, revelando assim sinais da nova criação de uma nova humanidade. O salmista conclama também que Deus ‘ergue os abatidos’: Ele se curva sobre aquele que está no chão pelo desespero e pela humilhação da vida e fica próximo para lhe dar a possibilidade de se agarrar e assim se levantar para ter novas perspectivas de vida. Dignidade. Tem mais: ‘O Senhor ama os justos’, isto é, os fiéis que seguem e vivem a lei moral divina. ‘O Senhor protege os peregrinos, os estrangeiros’: eles têm em terra estrangeira o defensor e protetor supremo que é o mesmo Deus. ‘Ele ampara o órfão e viúva’, categorias desprotegidas de um defensor, neste caso, que seriam pai e esposo, e, portanto, confiados diretamente ao Senhor. ‘Entrava os desígnios dos pecadores’, o autor quer mostrar como Deus se opõe àqueles que se afastam Dele em seus gestos e mentalidades. É a justiça que prevalece contra os projetos dos ímpios, de forma que quem reina é sempre o Senhor.

Por isso, o louvor é proclamar o projeto de amor e de misericórdia de Deus sobre o mundo. É este Reino que perdurará pelos séculos, de maneira gradual e eficaz. Esta perspectiva leva a louvar sempre o Senhor da Vida.


Ó, meu Deus, meu rei, eu vos glorificarei!

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Este hino é um solene louvor ao Senhor, rei da história. É o salmo 144 das Sagradas Escrituras que celebra a soberania de Deus pelo seu amor para todas as suas criaturas. Um amor que revela todo o seu carinho e ternura para que sua obra principal, o ser humano, se perpetue para sempre. Assim sendo, podemos reconhecer que Deus está presente na história, e não só, mas revela o próprio plano em relação a ela, que é de harmonia e paz. É um plano em que a colaboração dos seres humanos é cada vez mais participativa. Um plano de colaboração efetiva.

Podemos constatar que esse plano se manifesta em duas instâncias. Na primeira se fala de obras, majestade gloriosa, grandes ações, imensa bondade e justiça, isto é, poderosa entrada de salvação na história: “Grande é o Senhor e sumamente louvável, insondável é a sua grandeza. Cada geração apregoa à outra as vossas obras, e proclama o vosso poder. Elas falam do brilho esplendoroso de vossa majestade, e publicam as vossas maravilhas. Anunciam o formidável poder de vossas obras e narram a vossa grandeza. Proclamam o louvor de vossa bondade imensa, e aclamam a vossa justiça. O Senhor é clemente e compassivo, generoso e cheio de bondade. O Senhor é bom para com todos, e sua misericórdia se estende a todas as suas obras.”

Portanto, nós não somos abandonados às ventanias ou aos fragores das águas, mas somos entregues à ação prodigiosa de Deus poderoso que nos ama sem fim e que nos reserva um projeto eterno. Na segunda instância, Deus revela a sua fidelidade misericordiosa e de amor em relação ao ser humano, mas sobretudo ao pobre: “O Senhor se aproxima dos que o invocam, daqueles que o invocam com sinceridade. Ele satisfará o desejo dos que o temem, ouvirá seus clamores e os salvará. O Senhor vela por aqueles que o amam, mas exterminará todos os maus.” É um Deus que se abaixa para proteger as suas criaturas, parecido a um pai que protege os seus filhos, e os ajuda a levantar aqueles que estão vacilando ou prostrados na poeira.
O final do salmo é um convite ao louvor universal: “Que minha boca proclame o louvor do Senhor, e que todo ser vivo bendiga eternamente o seu santo nome.” Confirmação da grandeza da vida pela grandeza de Deus. E proclamamos com o nosso salmista: “Glorifiquem-vos, Senhor, todas as vossas obras, e vos bendigam os vossos fiéis. Que eles apregoem a glória de vosso reino, e anunciem o vosso poder, para darem a conhecer aos homens a vossa força, e a glória de vosso reino maravilhoso.”

O Papa Francisco celebrou a Eucaristia na Capela da Casa Santa Marta, no dia 14/12/2017, e na sua homilia disse:

“Sou capaz de falar com o Senhor assim ou tenho medo? Cada um responda. Mas, alguém pode dizer, pode perguntar: “Qual é o local teológico da ternura de Deus? Onde pode ser encontrada a ternura de Deus? Qual é o lugar onde a ternura de Deus se manifesta melhor? Na chaga. As minhas chagas, as chagas de Jesus, quando se encontram as minhas e as suas chagas. Em suas chagas fomos curados”.


Bendito seja o senhor, meu rochedo!

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O salmo 143 da Bíblia se concentra sobre o Messias. É um hino que resgata outros textos que poderíamos defini-los em duas partes: dos versículos de 1 a 11 e a outra parte de 12 a 15. Na primeira parte, constatamos a exaltação da vitória do rei, ligada à manifestação poderosa de Deus salvador. Por isso, o fiel, humildemente, reconhece que sem Deus nada seria: “Que é o homem, Senhor, para cuidardes dele, que é o Filho do Homem para que vos ocupeis dele? O homem é semelhante ao sopro da brisa, seus dias são como a sombra que passa.”

Os versículos de 5 a 7 revelam que Deus se manifesta na história pelos cortejos de elementos do universo e de eventos históricos, demonstrando a sua transcendência e a sua realeza sobre o cosmo e o tempo: “Inclinai, Senhor, os vossos céus e descei, tocai as montanhas para que se abrasem, fulminai o raio e dispersai-os, lançai vossas setas e afugentai-os”. Perante tudo isso, segue o agradecimento pela ação salvadora de Deus nos versículos de 9 a 10: “Ó Deus, vou cantar-vos um cântico novo, vos louvarei com a harpa de dez cordas. Vós que aos reis dais a vitória, que livrastes Davi, vosso servo”.

É um hino messiânico. Quem nos ajuda a compreender é o período histórico desse canto. Estamos no tempo do pós-exílio e a monarquia de Davi caiu e, portanto, era esperado o Messias ideal. De fato, o salmista, perante a destruição de Jerusalém no ano 586 a. C. e da dinastia de Davi, revela que Deus está presente na casa de Davi através do Messias. Assim sendo, a alegria reaparece pela paz e prosperidade que vive o povo escolhido: “Sejam nossos filhos como as plantas novas, que crescem na sua juventude; sejam nossas filhas como as colunas angulares esculpidas, como os pilares do templo. Encham-se os nossos celeiros de frutos variados e abundantes, multipliquem-se aos milhares nossos rebanhos, por miríades cresçam eles em nossos campos; sejam fecundas as nossas novilhas. Não haja brechas em nossos muros, nem ruptura nem lamentações em nossas praças… Feliz o povo cujo Deus é o Senhor.”

O que se apresenta nesse texto? A família, os campos e a cidade. A família aparece como uma descendência bem rica: os filhos comparados a plantas novas e colunas angulares e pilares do templo. Os campos e as suas prosperidades são sinal da bênção divina. E, enfim, a cidade é descrita como segura, e, portanto, não deve temer os ataques dos inimigos, as deportações e o desespero dos órfãos. Assaltos, deportações, lamentações são eliminados pelos livros da história. As famílias são felizes e ricas de filhos. Os campos produzem muitos frutos. Perante uma paisagem exuberante e serena aumenta a alegria e a esperança por uma humanidade justa e fraterna. E nisso parece que a paz se torna uma realidade.

Quero parabenizar, neste dia 27.07.19, a senhora Vera Bandeira Arruda por mais um ano de vida; vida ao serviço de Deus! Exultem ‘céu e terra’ por essa filha de Deus!


Senhor, ouvi a minha oração

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O salmo 142 das Sagradas Escrituras foi escrito no tempo do pós-exílio. É uma súplica penitencial, uma oração ao Senhor pela condição de pecado do ser humano. Dentre os 150 salmos, há sete que invocam a penitência: 6, 31, 37, 50, 101, 129 e o 142. Este último inicia por uma proclamação. “Não entreis em juízo com o vosso servo, porque ninguém que viva é justo diante de vós”. Aquilo que se pode perceber na leitura deste salmo é uma impostação ao redor de duas oscilações poéticas e temáticas que se entrelaçam por toda a sua narração. Dos versículos de 1 a 6, nota-se uma constante e persistente invocação ao Senhor, que é fiel à sua obra e ao seu amor, bem diferente do ser humano que é inconstante e que nada tem para se vangloriar.

O fiel se debate em um drama que parece cruel e sem fim. Um íncubo letal. De fato, o inimigo precipitou-o no perigo da morte. E assim o autor do salmo descreve tudo isso com: a “terra” qual alusão à morte, as “trevas” enquanto negação da via que conduz à luz do sol, e, enfim, os “mortos desde há muito tempo”: “O inimigo trama contra a minha vida, ele me prostrou por terra; relegou-me para as trevas com os mortos.” E logo em seguida o autor diz: “Desfalece-me o espírito dentro de mim, gela-me no peito o coração. Lembro-me dos dias de outrora, penso em tudo aquilo que fizestes, reflito nas obras de vossas mãos. Estendo para vós os braços: minha alma, como terra árida, tem sede de vós.”

É uma descrição de si mesmo, daquilo que experimenta e vive. É o profundo desejo da palavra e da intervenção de Deus para que o possa salvar. E essa expressão do fiel “estendo para vós os braços: minha alma, como terra árida, tem sede de vós” é um grito de socorro a Deus. Nos versículos de 7 a 12 é a oração que manifesta a sua máxima tensão. O fiel percebe como a morte o persegue: “Apressai-vos em me atender, Senhor, pois estou a ponto de desfalecer.” Assim sendo, se Deus oculta a sua face, o ser humano cai no vazio e “desce à sepultura”. Porém, o fiel é confiante que o final não será assim: que o desespero e a morte tomem conta da sua vida.

E com a imagem do dia que amanhece, deixando a noite escura das provas, Deus derrotará as trevas do sofrimento, rejeitando definitivamente as trevas da vida. Então, ele proclama: “Fazei-me sentir, logo, vossa bondade, porque ponho em vós a minha confiança. Mostrai-me o caminho que devo seguir, porque é para vós que se eleva a minha alma.” Deus, protagonista do fiel, se deixa conduzir pelo percurso da vida: “Em vós que ponho a minha esperança.” Continuando, diz: “Ensinai-me a fazer vossa vontade, pois sois o meu Deus. Que vosso Espírito de bondade me conduza pelo caminho reto.” E essa intervenção de Deus, além de oferecer a salvação do fiel, compreende também o julgamento rigoroso sobre os infiéis que serão eliminados porque ameaçaram o servo fiel do Senhor: “Pela vossa bondade, destruí meus inimigos e exterminai todos os que me oprimem, pois sou vosso servo.”


Senhor, eu vos chamo, vinde logo em meu socorro

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O salmo 140 das Sagradas Escrituras é uma súplica incessante do fiel ao Deus da vida. O salmista revela como a oração se torna uma essencial comunicação do ser humano com o Senhor. Uma oração que envolve todo o ser humano e é articulada até pelos componentes do seu corpo: mãos estendidas, boca, coração, cabeça: “Senhor, eu vos chamo, vinde logo em meu socorro; escutai a minha voz quando vos invoco. Que minha oração suba até vós como a fumaça do incenso, que minhas mãos estendidas para vós sejam como a oferenda da tarde. Ponde, Senhor, uma guarda em minha boca, uma sentinela à porta de meus lábios.”

O fiel está preocupado de não se deixar atrair pelo mal, saber resistir a tudo que possa conduzi-lo a se opor à ação de Deus na sua vida. Uma existência com Deus e não sem Ele. O autor descreve que a solidariedade com os perversos e, portanto, com o mal é representada pelos festins: “Não deixeis meu coração inclinar-se ao mal, para impiamente cometer alguma ação criminosa. Não permitais que eu tome parte nos festins dos homens que praticam o mal.” Assim sendo, o fiel está pronto para assumir como uma autopunição se for conivente com o mal. Mas ele, no entanto, desafiando os seus falsos amigos proclama, grita a sua inocência: “Se o justo me bate é um favor, se me repreende é como perfume em minha fronte. Minha cabeça não o rejeitará; porém, sob seus golpes, apenas rezarei.”
A imagem do óleo perfumado, típica oferta para um hóspede de respeito, se costumava fazer. E justamente o justo não se deixa levar pelo óleo dos malvados para se tornar conivente deles. E nesse sentido o fiel demonstra toda a sua fidelidade em não se deixar corromper por esses perversos para não ser excluído da assembleia de Israel. A fidelidade, portanto, mantem o fiel longe das tentações do mal. E a partir dessa colocação proclama uma maldição contra esses perversos e corruptos: “Seus chefes foram precipitados pelas encostas do rochedo, e ouviram quão brandas eram as minhas palavras. Como a terra fendida e sulcada pelo arado, assim seus ossos se dispersam à beira da região dos mortos.”

É evidente que essa fidelidade do justo fiel é firme, parecida a uma rocha que mantem a estabilidade do solo. Por tudo isso, Deus o abençoa e, no entanto, o ímpio, o malvado, é destinado à total falência e desespero. E o salmo conclui: “Pois é para vós, Senhor, que se voltam os meus olhos; eu me refugio junto de vós, não me deixeis perecer. Guardai-me do laço que me armaram, e das ciladas dos que praticam o mal. Caiam os ímpios, de uma vez, nas próprias malhas; quanto a mim, que eu escape são e salvo.”

Portanto, as ciladas dos perversos não têm futuro. Essas ciladas serão desmascaradas e derrotadas. E o papa Francisco falou no dia 24.02.2019: “Jesus nos assegura que nosso comportamento, marcado pelo amor para com aqueles que nos fazem mal, não será em vão. Ele diz: ‘Perdoai e sereis perdoados. Dai e vos será dado porque, com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medido’”.