2017, o ano da Unidade e da transformação

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Wellington Silva – Jornalista e Historiador
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Dois mais um é igual a três e três mais sete é igual a dez. Corta-se o zero e se tem o número Um, a Unidade, Deus Onipresente, Onividente e Onisciente. Cabala Hebraica é um simples raciocínio que une lógica matemática com fé e religiosidade. Antigos alquimistas e velhos rabinos sempre a utilizaram para tirar conclusões mais pé no chão sobre determinada situação conflituosa.

Apesar de tanta dor e sofrimento que o nazismo causou, sábios rabinos sabiam que a ascensão e queda do III Reich era apenas uma questão de tempo: cinco anos. E terminou, graças a Deus, em 1945, a custo de muitas vidas. Fé, ciência e religião é apenas uma questão de Unidade, raciocínio e uso da razão. O ano que inicia, nos parece, será um ano de necessárias transformações. Algumas já estão sendo amargas, desde o ano passado, para ímpios. Assim prediz as Sagradas Escrituras:

– Ai daquele que se exaltar, pois será humilhado!

Ano passado o numerólogo Yubertson Miranda, no Portal Personare, informou um pouco do que nos traria 2016. As previsões não foram muito boas. Disse que “os maiores desafios para 2016 serão o vazio existencial e o preconceito”.

E o que nos espera 2017?
Para o numerólogo, 2017 será um Ano Semente. “Será um período para semear novos hábitos, novos comportamentos e uma atitude mais corajosa, ousada e assertiva diante dos desafios da vida. O número 1 nos traz as Forças necessárias para iniciar. Será um período para assumirmos o controle de nossas existências, irmos atrás de nossos sonhos, além de coragem para tomarmos decisões, muitas vezes surpreendentes e radicais, nas mais variadas áreas da vida.”

No Brasil, a Justiça está fazendo Justiça e se percebe um esforço nacional concentrado para tentar varrer do mapa o câncer maldito da corrupção. O Estado brasileiro precisa resgatar a sua credibilidade nacional e internacional, tarefa que não será fácil, mas que já é coroada de bons êxitos graças a Homens e jovens de Boa Vontade. E o crime não compensa, em todos os sentidos, embora alguns, por arrogância, não queiram ou prefiram não enxergar. Seja ele um delito contra o erário público, contra alguém ou pessoas, contra uma comunidade, um Estado, ele simplesmente não compensa e só traz desgraças!

O que preocupa a todos nós, cidadãos brasileiros, é a violência com índices cada vez mais crescentes. Como resolver? O que o Estado brasileiro deve fazer? Construir mais cadeias? Custear a 5 mil reais/mês mais e mais presos e perigosos criminosos? Comprar mais e mais tornozeleiras eletrônicas? Ofertar oportunidades de emprego a 14 milhões de desempregados? Destinar mais recursos para investimentos em educação, saúde, ciência e tecnologia, esporte e lazer, como manda a Constituição brasileira?

Como controlar e depois conseguir diminuir a violência em um País de dimensão continental como o Brasil? Miremo-nos no exemplo jurídico norte-americano, embora alguns imbecis teimem em criticá-lo. Não podemos mais nos dar ao luxo de soluções paliativas e de grandes despesas para um País em crise. Ou mudamos para soluções mais lógicas, radicais e práticas, ou deixemos a Nação virar um Mad Max, aquele filme futurista, com Mel Gibson. Uma terra de ninguém, desolada e destruída, controlada por malucos, droga, crimes e muita loucura.


Carta Aberta a Roberto Carlos

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Sou fã do Roberto. Desde garoto, na casa da minha saudosa e querida avó Maria Severina, que era localizada ao lado do que hoje é o Boticário, que ouvia minhas tias curtirem as canções de Roberto Carlos e Jovem Guarda, Tim Maia e Jorge Ben, Elvis e Beatles. Em casa, aos fins de semana, meu pai ouvia seus clássicos prediletos: Verdi, Bach, Vivaldi, Beethoven, Mozart, Dvorak, Chopin, etc.. Fui criado nesse saudável ambiente cultural, com muito orgulho, e aprendi a apreciar a boa música, a boa melodia, a arte poética das letras e dos sons. E é justamente nas coisas simples que surgem os melhores diamantes, musicalmente falando. A discografia de Roberto Carlos é rica neste aspecto, fruto de uma dupla histórica e de uma velha amizade que é Festa de Arromba: Roberto & Erasmo. Se dermos uma rápida olhadela na discografia ela fala de quase tudo. São diversas situações que lembram e marcam momentos.
E, como já dizia a saudosa Aracy de Almeida, uma das principais juradas da Buzina do Chacrinha:
– Chacrinha, negócio é o seguinte!
Negócio é que algumas belíssimas canções do Roberto ainda não foram ouvidas no tão esperado show de fim de ano, transmitido pela Rede Globo de Televisão. O Homem, por exemplo, para mim, é a mais linda e iluminada inspiração a falar do Divino Mestre:
“ Um certo dia um Homem esteve aqui, tinha um olhar mais belo que já existiu. Tinha no cantar uma Oração, não falar a mais linda canção, que já se ouviu. Sua voz falava só de amor, todo gesto seu era de amor, e paz, ele trazia, no coração… Ele pelos campos caminhou, subiu as montanhas e falou, do Amor Maior…”
E o que dizer da magnífica e nostálgica construção poético/melódica da canção Rotina, que sempre lembra o amor de um casal: “Eu quase posso ver a água morna, a deslizar no corpo dela. Meu corpo está comigo, mas meu pensamento ainda está com ela. A porta se abre de repente e eu, me envolvo inteiro nos seus braços…”
A Canção O Moço Velho, de Silvio César, na cálida voz de Roberto Carlos, lembra um pouco de cada um de nós:
“Eu sou, um livro aberto sem histórias, um sonho incerto sem memórias, do meu passado que ficou. Eu sou um moço velho, que já viveu muito, que já sofreu cedo, mas não viveu tudo. Eu sou alguém livre, não sou escravo e nunca fui, Senhor. Eu, simplesmente sou um homem, que ainda crer no amor…”
A Namorada dispensa maiores comentários. Lembra sempre o primeiro amor:
“ A namorada à minha espera, meu refúgio, meu regresso, minha vida meu amor…”
Todos Estão Surdos é sempre uma canção para ser ouvida e é mais atual que nunca. Diria mais: é altamente introspectiva:
“Muita gente não ouviu porque não quis ouvir, eles estão surdos. O amor só traz o bem, e a covardia é surda, e só ouve o que convém. Meu Amigo volte logo, o Amor é importante, vem Dizer tudo de novo….”
Para finalizar, seria simplesmente Fantástico ouvir o grande mestre Lulu Santos e Roberto cantando Certas Coisas, de autoria do Lulu. Ela também fala de Amor, na sua dimensão maior: “Eu te amo calado, como quem ouve uma sinfonia, de silêncios e de sons. Nós somos medo e desejo, somos feitos de silêncio e sons…”
Falar no Lulu, a palheta da sua guitarra a mim foi ofertada por ocasião de sua apresentação em frente ao Forte São José. Estava como assessor de imprensa do Setentrião. Chovia muito e lhe emprestei meu guarda chuva. Disse que era seu fã e acabei ganhando a palheta personalizada com seu nome gravado. Pedi para ele cantar Certas Coisas. Não cantou. Infelizmente, a canção não estava no repertório.


Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade

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A tribulação produz a paciência, a paciência a experiência, e a experiência a razão e a esperança. A esperança não traz confusão e sim discernimento, porque o discernimento é a voz da razão.
Que as crianças do mundo todo sejam no amanhã a voz da razão. Sim, elas são luzes no mundo, dado o seu estado de pureza. Não conhecem a malícia, a sordidez, a bestialidade humana, a ganância e muito menos os sujos bastidores do poder.
As crianças vítimas da guerra, machucadas, atribuladas, traumatizadas, olhares distantes, olhares perdidos, mesmo e apesar dos pesares, ainda tão ternas, tão meigas, tão carentes, muitas sem entes queridos.Amparadas, interiormente e espiritualmente reconstituídas, no tempo certo sejam exemplo para os homens,e sejam construtores de um mundo melhor. Nós, aqui no Ocidente, mesmo compadecidos, em nosso conforto, não temos ideia da dor que sentem. Sua rua está destruída, o lar destruído, a família destruída, a cidade está destruída, sua pátria está desfigurada e destruída.Que palavras a elas dizer?
Bem aventurados os homens de boa vontade, porque eles estão cheios de luz. Eles são a esperança do mundo e estão cheios da boa vontade de servir, inspirados pelo Divino Mestre.
Que a Luz Divina inspire os jovens, suas mentes e seus espíritos, porque eles são a esperança de transformação do hoje e do amanhã, no combate aos ímpios.
Que as universidades sejam campos ampliadores e equalizadores do verdadeiro conhecimento, um conhecimento que transforma e que busca o outro, que se preocupa com o amanhã, com a evolução do homem e seu espírito.
Ai daquele que a si mesmo exaltar, pois um dia será humilhado, e os humilhados um dia serão exaltados. Estes, os humilhados, serão convidados a Ceia para que se suceda que finalmente dominem o mundo e ponham fim as iniquidades e perversidades dos ímpios.
E quem no presente carregará a Cruz do Mundo?
Quem será o Novo Redentor das Benditas Profecias?
Quando Ele virá?
Em verdade, a Verdadeira Redenção está dentro de cada um de nós. É só acender a Centelha Divina e fazer como o Beija-Flor, diariamente cumprindo a sua parte na Mãe Natureza. Ele se desloca com extrema inteligência e agilidade, num incrível malabarismo de desafio as leis da gravidade, e com ternura e experiência beija e zela as flores. Para ele, como Cuidador, a Natureza também é sua família.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade…


Vote no fona

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Caro eleitor, fundemos a Força da Ordem Nacional com Amor, o FONA, um partidão que será o responsável pelo grande processo de discussão sobre as questões de interesse do Amapá, amazônicas e nacionais. Portanto, nosso lema de campanha será: Os últimos serão os primeiros! Vote no FONA! Ele vai mudar a sua vida.

Como presidente de honra ‘in memoriam’ aclamemos o nome do saudoso poeta, escritor e advogado Álvaro da Cunha, autor do livro Quem Explorou Quem no Contrato do Manganês do Amapá.
O que de anos para cá causa tristeza é o lamentável abandono do projeto de melhoria do canal da Mendonça Júnior e sua real situação visual, de ponta a ponta, assim como de toda a área que compreende o já parcialmente destruído muro de arrimo da frente da cidade: Canal do Perpétuo Socorro, Santa Inês e Araxá, isso para não detalharmos outra obra abandonada considerada vital para a infraestrutura social, econômica e turística da cidade: o prometido e inacabado complexo turístico da ponte do Santa Inês. E as nossas atrações turísticas, o Sítio Arqueológico do Calçoene, a Base Aérea do Amapá, as cavernas do Maracá? Quando elas terão o merecido valor, reconhecimento e divulgação turística para o mundo?

Mas, voltando a questão do FONA, e como já dizia Raul, “Sonho que se sonha só é só um sonho, e sonho que se sonha junto é realidade”, o FONA realizará grandes seminários com Sua Excelência O Povo, a céu aberto, nos quatro cantos do Amapá e do Brasil, assim como Sócrates fazia na Grécia Antiga. O grande chamamento popular será: Seja um FONA, a Força de Uma Nova Ordem bem constituída. Envolveremos todo o povão e lideranças sindicais para não só discutir nossas históricas mazelas como também encaminhar soluções. Vamos discutir e propor a retirada definitiva de isolamento desta região que por décadas é abastecida de produtos através de balsa, desde o governo de Janary Nunes, à partir de 1943. Haveremos de obter recursos e aplicar tostão a tostão para finalmente transformar o Amapá no Eldorado Amazônico, isto é, transformar o surreal em algo satisfatório para a qualidade de vida de cada comunidade local.

Senhores eleitores, iremos lutar no Congresso Nacional contra essa aberração, essa múmia paralítica que engessou o desenvolvimento do Estado do Amapá cognominado de Parque do Tumucumaque. Haveremos de conseguir esse tal um terço para votar e aprovar a matéria com o apoio de todos e do Papa Francisco, bem benzido e bem rezado o terço, bem entendido, para proteção frente e costas. E o querido Papa do povo, que é humanista, poderá ser nosso presidente de honra, sob aclamação e fé do povão.

O FONA não admitirá candidatos com ficha suja, mas sim, sobremaneira, fichas limpas, obviamente com boa formação superior e boa referência curricular. Será você, caro eleitor, que dirá o nome de cada candidato que desejar, em eleição livre e direta do FONA.

Em nosso seminário, senhoras e senhores, envidaremos todos os esforços para contar com a presença e apoio integral do designer de moda Antônio Urzi, residente em Milão, Itália. Ele é o homem que afirma ser alvo de contatos imediatos de 3º grau com inteligências superiores de outros planetas. Acaso encontremos barreiras para os bons propósitos de melhoria do Amapá e do Brasil entremos imediatamente em contato com tais inteligências superiores para decretar a independência do Amapá e o desenvolvimento do Brasil.

Chega de sofrimento e de pires na mão! Chega de sermos o fona em tudo! O minério é nosso e o petróleo também!

Com o apoio dos nossos bons amigos extraterrestres com certeza encaminharemos bandidos do colarinho branco, malandros, estupradores, assassinos, psicopatas, traficantes, corruptos e assaltantes para o Triangulo das Bermudas, localizado no Oceano Atlântico, e ao Triângulo do Dragão, localizado no Oceano Índico. Lá, tudo desaparece. Por questões de segurança máxima encaminhemos os piores a mundos desertos. Esses, meus amigos, podem sumir à vontade que ninguém vai sentir falta e sim alívio, somente, isso para alegria geral da Nação.
E que as nossas esperanças perdidas sejam lavadas e enxaguadas, e tornem-se um véu de noiva, como uma boa cerveja bem gelada…
Muito obrigado!


Quem somos e o que somos? Estamos só no Universo?

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Desde tempos imemoriais, no começo da Primeira Era do homem primitivo na Terra, em seu princípio racional evolutivo, que ele sempre contemplou o Universo e indagou:
Quem Somos? O que Somos? Estamos sós no Universo? O que há lá fora?

Vem de eras imemoriais a crença de que o Sagrado está no Céu, lá longe, no firmamento, a nos observar… Século XXI, na contagem a partir da Era Cristã, tecnologias, mundo globalizado, e a mesma pergunta: Quem Somos e O Que Somos?

Um maçom buscador dá sua visão:

– Somos Filhos da Luz

E de onde vindes?

– De uma Loja de São João Justa e Perfeita

Para onde vais?

– Caminhando e evoluindo, em busca da Luz, na Gloriosa Escada de Jacó.

Um católico assim poderá dizer:

– Bom, Somos Filhos de Deus, por intercessão de Jesus e da Virgem Maria. Somos a imagem e semelhança de Deus. Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida, para se chegar a Deus. Céu ou purgatório aguarda cada um de nós, segundo as nossas obras.

O protestante assim poderá opinar:

– Somos Filhos de Deus, por intercessão de Jesus, para nossa Glória. Ele é o Caminho. Somos a imagem e semelhança de Deus. A Bíblia Sagrada é o nosso Guia e nossa Salvação.
O budista assim dirá:

– Somos buscadores da Luz, da Paz Interior. Nosso destino final é o cumprimento do karma de nossa vida passada com o presente.
O judeu assim poderá se manifestar:

– Somos Filhos do Criador, que deixou seu legado a Moisés e aos Profetas, para que os homens na Terra sigam o Caminho. A Terra Prometida depende de nós.
O muçulmano poderá dizer:

Somos Filhos de Alá. Ele é o Caminho e Senhor do Mundo. Nosso destino é traçado e pode ser mudado através de nossa Fé em Alá, em busca do Paraíso Celeste.
O espírita assim dirá:

Todos somos Filhos de Deus. Somos produto de vidas anteriores. Céu e inferno é o livre arbítrio de cada um segundo a sua obra e reencarnações.

Quero chamar a atenção aqui é como as formas mudam um pouco, de uma para outra, e como o objetivo é sempre o mesmo: A busca da Luz. A página 73, da antológica obra Os Exilados de Capela, de Edgard Armond, com mais de 300 mil exemplares vendidos, em sua 4ª edição, 5ª reimpressão (fevereiro/2014), narra sobre a tradição religiosa dos hindus. H.P. Blavatsky, na parte divulgada ao Ocidente, revela:

– Seres gloriosos, aos quais seu aspecto brilhante valeu o título de Filhos do Fogo, constituem uma Ordem Sublime entre os Filhos de Manas. Eles tomaram sua habitação sobre a Terra como instrutores divinos da jovem humanidade.”

“O Céu é meu pai, ele me engendrou. Tenho por família toda essa companhia celeste. Minha mãe é a grande Terra. A parte mais alta de sua superfície é sua matriz; o Pai fecunda o seio daquela que é sua esposa e sua filha.”

Eis o que cantava, há milhares de anos atrás, diante de um altar de terra em que queimava um fogo de ervas secas, o poeta védico. Anterior e superior a Terra é o tipo Divino do homem; celeste é a origem de sua alma (Os Grandes Iniciados, Édouard Schuré, página 28, As Raças Humanas e As Origens da Religião.)

Mas a pergunta atual que não quer calar é a seguinte:

Estamos sós no Universo, mesmo e apesar de todos os sinais deixados pelas mais inteligentes civilizações? As referências que os sumérios, egípcios, gregos, olmecas, maias e astecas fizeram ao celeste e ao espacial são históricas informações que não devem ser levadas a sério? Há muitas moradas na casa de meu Pai? O que você entende por isso? O Plano de Deus? Céu e inferno? Planos Superiores e inferiores? Mundos Superiores e inferiores? Pesquisadores e cientistas continuam buscando respostas. E a resposta está lá fora, no espaço? Porque boa parte da história arqueológica e antropológica é permeada de referências ao celeste e ao espacial? O que dizem os milhares de desenhos rupestres espalhados pelo mundo, à escrita cuneiforme suméria, os hieróglifos egípcios, os mistérios gregos e as mensagens olmecas, maias e astecas? Há muitas moradas na casa de meu Pai? Estamos sós no Universo?
Out there, lá fora…


A emoção de Velho Chico

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Wellington Silva – Jornalista e historiador
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Vem aí a nova programação que invadirá o seu lar e será simultaneamente estendida a todos os canais de televisão: o horário eleitoral gratuito. Bom, nestes tempos de crise moral política, impeachment, desconfiança popular, etc. e tal, nada melhor do que distrair a cuca e se ligar na boa novela do plim-plim. Falo da novela Velho Chico. Há tempos não curto novela, mas desde o primeiro capítulo que tô ligado nela. Velho Chico vem se mostrando pura emoção, com um elenco de primeira. A novela tem nomes fortes, conhecidos talentos e grandes revelações.

A história começa no fim da década dosanos 1960, na cidade fictícia de Grotas do São Francisco, Nordeste brasileiro. Cada geração com seus costumes e tradições e suas rixas familiares desfilam capítulo a capítulo. E logo nos primeiros, Tarcísio Meira, show em cena, encarna um típico coronel nordestino, o coronel Jacinto, o manda chuva de Grotas, um lugar que parece que parou no tempo. O personagem Belmiro dos Anjos, um retirante sertanejo fugido da seca, encarnado pelo veterano e excelente ator Chico Diaz, emociona o Brasil ao ter contato pela primeira vez com as águas de um rio, justamente as águas do majestoso rio São Francisco, ao lado da esposa Piedade, personagem interpretada por Cyria Coentro.

A novela mostra a realidade histórica de um povo humilde, sofrido, valente, trabalhador, aguerrido e decente, a família Dos Anjos. Velho Chico é um mosaico social de contrastes extremos. De um lado as oligarquias, a tradição imperialista e coronelista passada de pai para filho. De outro, pessoas simples e mal acostumadas no cabresto destas castas. No contraponto surge a resistência para acordar o povo: capitão Ernesto Rosa, interpretado por Rodrigo Lombardi, e seu fiel escudeiro, Belmiro dos Anjos. A resistência dura pouco. Capitão Ernesto Rosa acaba vítima de um atentado em pleno cais ao embarcar uma boa produção.

Mas, nem só de sede de poder, ódio, maquinações diversas e vingança vive a boa audiência de uma boa novela. Paixões avassaladoras tomam conta da trama e a principal é entre Maria Teresa (Julia Dalavia e depois Camila Pitanga) e Santo (Renato Góes e depois Domingos Montagner), tendo como perseguidor deste romance o Coronel Afrânio (Rodrigo Santoro e depois Antônio Fagundes), pai de Teresa, perseguidor e inimigo número um de Santo e de sua família, a Dos Anjos. E durma-se num barulho desses! Para engrossar o caldo ou piorar ainda mais as coisas, Cícero (Pablo Morais e depois Marcos Palmeira), enciumado com o romance entre Teresa e Santo, pois desde criança curte somente para si uma paixão pela bela morena, resolve assassinar Santo numa emboscada. Belmiro dos Anjos, pai de Santo, cavalgando ao seu lado no desfiladeiro, percebe no alto o brilho de uma espingarda, o que somente dá tempo de fazer parede para o corpo do filho e cair morto ao chão. A verdade sobre a emboscada ainda será revelada nos próximos capítulos, assim como outros fatos amorosos, de trama e de assassinatos serão mostrados. A paz um dia reinará em Grotas e o velho e ranzinza coronel Afrânio, o Saruê, sobreviverá ou se arrependerá de seus pecados? Bom, assista aos próximos capítulos e escolha bem os seus candidatos que porventura aparecerem no horário eleitoral gratuito. O certo é que Velho Chico é uma boa trama romanceada e certamente marcará a telenovela brasileira. Tem todos os conteúdos, incluindo sua trilha sonora, para fazer tanto ou bem mais sucesso do que Escrava Isaura fez mundo afora, por exemplo. Velho Chico é o retrato histórico de um grande pedaço do Brasil, o nosso querido e sofrido Nordeste brasileiro.


A missão de Temer

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Incrível como a mudança de uma peça no sofrível tabuleiro do xadrez político brasileiro pode sensivelmente mudar o cenário econômico. Sai a rainha e entra a torre, o presidente Michel Temer, e a bolsa e indicadores econômicos começam a apresentam sinais de melhora.

Senhores, convenhamos, a situação de há muito já estava insuportável e insustentável para toda a sociedade brasileira. E é voz corrente no universo jurídico do planalto central do Brasil que o país não aguenta 180 dias de indefinição e insegurança institucional. Já se fala em 90 dias de prazo máximo para as conclusões finais do cansativo processo de impeachment.

O momento agora é de desafios e de pensar na construção de um futuro digno e melhor para o Brasil, que inspire confiança ao povo e à comunidade internacional. O golpe foi duríssimo nas finanças públicas e na economia nacional. Ele promoveu abalos sísmicos na economia mundial, vide por enquanto o escândalo da Petrobras.

O legado dessa vergonhosa forca: crise moral e econômica do estado brasileiro a custo muito caro a trabalhadores, aposentados, comércio, empresários e ao futuro de nossos jovens. Isso, sim, senhores e senhoras, é golpe! E não é uma facada qualquer. É um violento golpe à Constituição, à ética, aos bons costumes, ao desenvolvimento do país, a nossa credibilidade internacional, à decência na política. Isso, senhoras e senhores, foi um violento golpe na autoestima nacional!

Lojas e fábricas fecham e pais e mães de família, desesperados, vagueiam nas ruas à procura de emprego e chegam de mãos vazias em casa. Ligam a televisão e perplexos assistem a mais cenas do velho teatro político da corrupção. E o professor Eduardo Fagnani, do Instituto de Economia da Unicamp, alerta que “se não tivermos uma saída econômica para a nossa trajetória de desenvolvimento, nosso desenvolvimento social vai virar pó”.

Nunca é demais refletir que as democracias mais sólidas são parlamentaristas. Os grandes vultos históricos da política nacional eram defensores do parlamentarismo: Teotônio Vilela, Tancredo Neves, Leonel Brizola, Ulisses Guimarães, Mário Covas, Afonso Arinos.

No sistema parlamentarista qualquer ato grave de governo que atente contra a ordem constitucional imediatamente é objeto de impedimento. Seus provocadores e responsáveis maiores logo são afastados e depois destituídos do cargo público, pela maioria do parlamento, sem o típico protocolo do sistema presidencialista. Nesse sistema de governo democrático, o governo, assim como o parlamento, também podem ser destituídos, e logo é convocada eleição livre e direta.