Cidades

Conselho de Enfermagem teme subnotificação de casos envolvendo trabalhadores da saúde

Dirigente de classe dos profissionais da enfermagem anuncia ajuizamento de uma ação civil pública com pedido de liminar para a falta de EPI e sobrecarga de trabalho.


Cleber Barbosa
Da Redação

 

A presidente do Conselho Regional de Enfermagem (COREN), Emília Pimentel, fez um alerta nesta terça-feira (05) sobre a possibilidade de estar ocorrendo a subnotificação de casos de Covid-19 entre os profissionais e agentes de saúde. A entidade ingressou com uma ação civil pública para tentar assegurar o fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPI) mais adequados para o pessoal da enfermagem que atua na linha de frente no combate à pandemia.

 

Em entrevista ao programa Café com Notícia, na rádio Diário FM (90,9), ela disse que a entidade de classe dos técnicos de enfermagem, enfermeiros e auxiliares de enfermagem aponta para um total de 135 casos de afastamento do serviço durante a atual epidemia, com o registro de um óbito. “Nós solicitamos à Secretaria de Estado da Saúde a implantação de um observatório de acompanhamento de casos pelo nosso conselho, mas ainda não tivemos uma resposta”, disse a dirigente.

 

Ela diz que a entidade vem buscando uma política de aproximação do poder público para a definição dos procedimentos a serem adotados para se resolver os problemas com o fornecimento de equipamentos de proteção individual e outros insumos, então vem intensificando as fiscalizações do COREN, que vem apontando para uma situação preocupante nos locais de serviço destes profissionais.

 

Para complicar mais a situação, ela relata também que algumas unidades de saúde como o Hospital de Emergência estão com uma lotação grande e os profissionais de saúde estão ou sem ou com equipamentos de proteção inadequados. “Nós estamos entrando em contato agora diretamente com os profissionais técnicos enfermeiros das unidades de saúde para que eles alimentem o Observatório do Conselho, o que e muito simples, sendo possível fazer pelo próprio celular, pois temos certeza que existe uma grande subnotificação de profissionais acometidos pelo Covid”, disse ela.

 

Judicialização

 

O adoecimento desses profissionais, a dificuldade do poder público em garantir o fornecimento dos equipamentos de proteção, as condições inadequadas de trabalho, condições insalubres e as denúncias da falta de transferência de pacientes para os centros específicos que foram implantados são os motivos que a presidente do COREN alega para ter decidido pelo acionamento judicial do Estado. “Mas o que mais pesa mesmo é a falta do equipamento de proteção individual, pois sem esse EPI adequado o profissional que está à frente dessa pandemia fica de forma insegura podendo levar para dentro de suas casas, que também não dispõem de espaço adequado como também deveria estar sendo garantido”, concluiu.


Deixe seu comentário


Publicidade