Wellington Silva

Sua benção, Tia Zefa

 

Sempre que via Tia Zefa, rodeada de familiares, sentada no pátio de sua residência, frente ao Sebrae Amapá, me sentia na obrigação de lhe dar um grande abraço e tomar sua benção, pois, afinal de contas, eu estava diante de mais de um século de muita experiência e sabedoria popular. Ao seu lado sempre via o saudoso amigo camarada de labutas na Seplan, Pedro Ramos, o “Pedrinho” ou “Pedroca”, para os colegas da Seplan, a Raimunda Lina Ramos e o Neck.

Filhos notáveis, notáveis filhos, de uma rara safra que hoje se vê!

Pedro Ramos, além de excelente contabilista, e grande carnavalesco, tinha uma biblioteca e um acervo musical simplesmente invejável. Raimunda Lina Ramos fora Diretora de Orçamento da Seplan, durante muitos anos, e o Neck, bom, quem não conhece o Neck, poeta, cantor, compositor e um dos grandes comandantes da Escola de Samba Boêmios do Laguinho!

Mas, vou parar por aqui, porque a lista é grande!

Inegavelmente, como Mãe Tia Zefa honrosamente cumpriu o seu papel temporal. Ela é a mais lídima expressão cultural da nação tucuju, amada e venerada por todos que a conheciam bem!

Tia Zefa é um símbolo, uma imagem física, a expressão de uma cultura de resistência que hoje, mais que nunca, deve se perpetuar no tempo, através de gerações…

A Marabaixeira, a Grande Matriarca, que anos atrás víamos na UNA, nas “rodadas” de Marabaixo, durante o Encontro dos Tambores, não mais veremos…

Mas, passará tempo, passarão os anos, ela e eles, todos eles, sempre lá estarão, na UNA, no tradicional Encontro dos Tambores, derramando suas bençãos aos queridos e ao seu amado povo, pois, afinal de contas, tudo é como canta e expressa Sivuca na belíssima canção Mãe África, letra de Paulo César Pinheiro e de Sivuca:

“Filho, tu tem sangue Nagô, como tem, todo esse Brasil!

Pelo bastão de Xangô, e o caxangá de Oxalá, Filho Brasil, pede a benção a Mãe África”.

Josefa Lina da Silva Ramos, Tia Zefa, a nossa decana do Marabaixo, era devota de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e do Divino Espírito Santo. Seu vigor, firmeza e lucidez conseguiam suplantar mais de um século de vida! Versava os famosos versos “ladrões” de Marabaixo com uma voz firme, cadenciada, ritmada.

Tia Zefa nasceu no dia 26 de fevereiro 1.916 e faleceu no dia 23 de julho de 2024.

Hoje, aos 60 anos, não estou mais a fim de despedidas!

Tia Zefa agora é imortal! Mora nas estrelas, no Astral Superior! De vez em quando descerá para bater um “papo” com os encantados para velar pelos seus mais queridos, aqui, neste plano temporal terreno de vida!

Sua benção, Tia Zefa!

De muito, já és Candeia, já és Luz!

Com amor, ternura e eterna admiração, do “branco” mais preto do Amapá, Wellington Silva.

 

Indicadores Sociais: Amapá melhor na foto!

 

O Programa Amapá Sem Fome, que tem como objetivo fundamental combater a insegurança alimentar em todo o Estado do Amapá agora parece apresentar resultados após avaliar a sua evolução neste primeiro semestre de 2024.

Somente nestes primeiros meses de 2024 foram gerados 1,3 mil empregos formais em nosso estado.

De alvo crítico o Amapá passa agora a liderar o ranking no índice de redução de pobreza extrema no Brasil. Nossa região apresentou uma redução de 33% no número de pessoas em situação de extrema pobreza, se comparado os anos de 2022 e 2023.

Foram geradas um total de 77 mil vagas com carteira assinada englobando ocupações no comercio, construção civil, serviços e agropecuária.

Durante este primeiro trimestre de 2024 o Amapá apresentou redução na sua taxa de desocupação, dados apresentados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. O estado saiu de 14,2 % no 4º trimestre de 2023 para 10,9 no 1º trimestre de 2024, apresentado uma queda de 3,4%.

Mister registrar que o Estado do Amapá foi a única unidade da federação que apresentou queda no índice de desemprego após avaliação nacional dos cenários estudados do primeiro trimestre de 2024.

O Amapá atualmente também figura entre os estados com maiores percentuais de população ocupada do país trabalhando por conta própria, evidenciando um índice percentual de 32,9%, classificado como o segundo maior do país!

Para finalizar, diante de todos estes cenários evolutivos apresentados, se alguém ainda considerar que nossa região não progrediu ou está “ruim das pernas”, por assim dizer, com certeza é míope ou está querendo tapar o sol com a peneira, e agindo de má fé!

 

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A importante vitória progressista na Inglaterra e França

 

A sociedade inglesa sinaliza elevada maturidade política após mostrar ao mundo livre que rumo realmente deseja para o futuro da Inglaterra.

Depois de 14 anos no poder os conservadores perdem considerável espaço para a oposição trabalhista. Dos 650 assentos do parlamento britânico, 410 agora pertencem a oposição. Keir Stamer, líder dos trabalhistas, será o novo Primeiro Ministro britânico.

Disse Stamer, em seu discurso, após a vitória:

“Nós conseguimos! Vocês fizeram campanha por isso, lutaram por isso, votaram por isso, e a hora chegou. A mudança começa agora!”

Na França, um reforçado diálogo entre as forças progressistas de centro e esquerda culminou na fundamental derrota da extrema direita francesa, vitória aliás comemorada pelo presidente Lula, que considerou os resultados das urnas da Inglaterra e França como resultado altamente positivo da união das forças progressistas em defesa da democracia e da justiça social.

Mas, afinal de contas, qual leitura se pode tirar diante destes novos cenários e o que isso significa para o mundo?

Parece-nos que as sociedades inglesa e francesa atualmente se mostram bem mais observadoras e conscientes do que no passado, sentimentos que sobremaneira faltam a nós brasileiros e aos americanos.

Cultura, leitura, senso crítico e bom discernimento é o que sinceramente percebo na nova mentalidade britânica e francesa enquanto que a miopia americana “trumpista” e o “bolsonarismo” no Brasil preocupam democratas e o mundo livre do trabalho.

Não podemos esquecer que a política e a cultura inglesa possuem grandes expoentes históricos que até hoje influenciam o mundo tais como Wiston Churchill, os Beatles com John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, e o lendário Pink Floyd com Dave Guilmour, Roger Waters, Richard Wrigth e Nick Mason.

E foi na França que surgiu o pensamento político e social de Jean- Jacques Rousseau e a Iluminada Trilogia Concebida:

Liberdade, Igualdade e Fraternidade, eterna inspiração ao mundo progressista!

Entender e refletir o presente e entender e refletir o passado é mais que uma necessidade de leitura. São caminhos a se pensar para o salutar exercício   da democracia e da cidadania.

 

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Trump e a democracia americana e mundial

 

Dizem que os opostos se atraem!

Outros dizem:

É tudo farinha do mesmo saco!

Eu digo:

Desgraça chama desgraça!

Perguntinha histórica:

O que o bolsonarismo no Brasil tem em comum com o trumpismo nos Estados Unidos?

A resposta é muito simples e muito clara:

O golpismo, o descarado e absurdo atentado contra o estado democrático de direito, contra a democracia, contra a soberania das instituições, contra a legalidade constitucional.

Vivemos hoje a preocupante “onda” mundial de simpatias ao absurdo, a verdadeira subversão contra tudo o que é legal e institucionalmente moral, ordeiro, DEMOCRÁTICO!

A similaridade de fatos absurdos ocorridos tanto no Brasil como nos Estados Unidos da América, durante e após as eleições presidenciais, sem dúvida alguma configuram uma clara orquestração política de tentativa de golpe de estado, de usurpação de poder, usando para isso táticas extremas de mobilização de massas enfurecidas, guiadas por radicais, de fazer o “quebra-quebra” no claro intuito de intimidar o parlamento, o judiciário e os eleitos, a fim de impedir a qualquer custo a governança do país.

Isto está muitíssimo claro como água cristalina!

Só não enxerga quem não quer ou obviamente prefere tapar o sol com a peneira apenas por uma questão de cegueira e radicalismo político!

Assim como Bolsonaro no Brasil, de muito Donald Trump já era pra estar totalmente impedido de disputar a eleição presidencial dada a evidente gravidade que ele e seus atos representam para a democracia americana e mundial.

Alguém deve perguntar:

Mas o que nós temos a ver com a política americana e o Trump?

A pergunta correta é:

Qual o nível de ameaça que Donald Trump representa para o futuro da democracia americana e mundial?

Deixo esta resposta com a consciência americana e com a comunidade mundial!

 

Quem são os incendiários no Pantanal?

 

Nestes últimos dias, a rica e belíssima biodiversidade do Pantanal   amanhece envolta em imensas labaredas do fogo e cortinas de fumaça.

De repente, o que era floresta logo vira cinzas, e onde havia animais, resta apenas esqueletos e pura devastação!

E de novo, mais uma vez as queimadas ilegais provocadas pela ação humana, costumeiramente ocorridas neste período sol, acabam sempre provocando sérios danos ao meio ambiente e à comunidade em geral.

Alguns parecem não dar a mínima para as regras simples e práticas de realização de uma queimada inteligente e controlada, porque dá trabalho, e implica em pequeno custo. E então, para estes, torna-se “mais prático e mais rápido” esta velha e ab urda prática, com risco total de destruição de tudo o seu redor.

Ocorre que até para o extremo da ignorância humana existe limite, e passando deste limite, torna-se abuso, absurdo, aberração, ilegalidade, séria provocação de danos coletivos a vida, a tudo e a todos!

Quem são os incendiários do Pantanal!?

A estes, sinceramente não vejo outro caminho a não ser o Congresso Nacional formular a aplicação de penas mais duras, prisão, multa e até a obrigatoriedade de o infrator contribuir para a extinção do incêndio por ele mesmo provocado.

A intensificação dos serviços de fiscalização neste período de seca e de muito sol se faz extremamente necessário e só se consegue efetivamente realizar com sucesso tal empreitada através de considerável aumento do efetivo de recursos humanos, materiais, de equipamentos, aeronaves, inteligência e monitoramento via satélite por exemplo.

De acordo com as autoridades do meio ambiente, a maioria dos focos de incêndio realmente são oriundos de queimadas ilegais.

A pergunta que não quer calar é:

O que estamos fazendo com o planeta Terra?

A elevação de temperatura, tanto nas cidades e principalmente nos oceanos, podem provocar o surgimento de furacões, alertam cientistas.

Diversos cientistas e pesquisadores avaliam que a persistência das preocupantes ondas de calor são claros sinais de como a ação humana é capaz de aferir uma grave mudança no clima, com impactantes reflexos de ondas de calor em terra, graves incêndios florestais, derretimento incomum da neve no Himalaia e perda de gelo marinho, por exemplo.

Von Schuckmann afirma que “mesmo que os humanos parassem de emitir CO2, amanhã mesmo, os oceanos continuariam a aquecer, nos próximos anos”.

E alerta:

“Como cientista do clima, estou preocupado com o fato de termos chegado mais longe do que pensávamos!”

 

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A urgente necessidade de se discutir a diversidade

 

O auditório da Universidade do Estado do Amapá-UEAP foi recentemente palco de interessante encontro de professores e acadêmicos para debater a cultura e a diversidade na educação das crianças da Amazônia.

Foram apresentados interessantes trabalhos acadêmicos sobre o tema, tais como o da professora Socorro Crespo, que fez uma abordagem sobre os estereótipos muito presentes em “historinhas” de contos de fadas, na verdade, nada mais que cenários culturais europeus que em quase nada tem de relação com a nossa histórica identidade cultural afro-ameríndia, por exemplo.

Convicta de que o momento foi fundamental para um bom processo de discussão e de amadurecimento da questão, a pesquisadora foi enfática:

“Poder ter o contato direto com esses professores que vieram até o seminário é muito importante. Espero que a mesa de hoje incentive-os a ressignificar em sala de aula algumas imagens trazidas por histórias infantis, muitas vezes importadas de uma realidade europeia distante da nossa, que pode até atrapalhar a criança em relação a questões como a compreensão de sua identidade e imposição de padrões de beleza”.

Chamou também a atenção a conferência da professora doutora da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Tânia Lobato, que abordou a temática “Culturas e diversidades amazônicas: o protagonismo das crianças nas pesquisas”. Falou da necessidade de se observar as peculiaridades e as diversidades que devem ser levadas em conta quando o educador olhar a sua programação de atividades para as crianças da Região Norte do Brasil.

É mister novamente afirmar, e não me canso de dizer isso, que profissão de fé é uma coisa e a identidade cultural de um povo é outra coisa completamente diferente!

Evidentemente, a fé não se discute, se sente!

Já a identidade cultural de uma comunidade, obviamente, é algo historicamente intrínseco como processo perene de pleno pertencimento, como no caso, o nosso tradicional e secular Marabaixo.

Entender o outro, o diferente, aquilo que culturalmente não se conhece, e não se sabe o que é, hoje é muito mais do que um simples fator de curiosidade. É uma necessidade vital para a boa convivência harmônica com aquilo que culturalmente classificamos de “diferente”, de “oculto”, justamente porque não sabemos e desconhecemos o conceito e o que é exatamente aquilo que nós erroneamente entendemos ou interpretamos como algo “demoníaco”, e tudo por pura e completa falta de leitura!

E foi exatamente neste sentido que no período de 20 a 21 de outubro de 2016 nós realizamos no Museu Sacaca, como o apoio da Academia Amapaense Maçônica de Letras, o I Encontro da Diversidade Cultural e Religiosa no Estado do Amapá. Isto, quando o tema diversidade ainda era um grande “tabu” e muito pouco falado.

Mas, no frigir dos ovos, o evento foi um sucesso tanto a nível de participação como de grande congraçamento entre culturas, entre religiosos, e enfim, entre a nossa tão rica diversidade cultural, a um tal ponto, de realizarmos o II Encontro no dia 13 de outubro de 2017, também no Museu Sacaca.

Hoje, mais que nunca, discutir, conhecer e procurar entender a nossa rica diversidade deve ser sempre algo plural com o envolvimento de toda a comunidade tucuju.

 

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Maria da Conceição de Almeida Tavares

 

O Brasil e o mundo recentemente perderam uma das maiores defensoras do desenvolvimento com justiça social:

Maria da Conceição de Almeida Tavares!

Em memorável entrevista concedida em 1.995 ao programa Roda Viva, da Tv Cultura, de bate-pronto a Professora Maria da Conceição enfatizou:

“Se você não se preocupa com justiça social, com quem paga a conta, você não é um economista sério. Você é um tecnocrata”!

Maria da Conceição de Almeida Tavares nasceu em Anadia, Portugal, no dia 24 de abril de 1.930. Faleceu no dia 08 de junho de 2024 em Nova Friburgo, município do Rio de Janeiro. Era filha de Fausto Rodrigues Tavares e de Maria Augusta de Almeida Caiado. Seu pai, revolucionário anarquista, chegou a abrigar refugiados da Guerra Civil Espanhola em plena ditadura salazarista.

Fugindo da terrível ditadura salazarista, muda-se para o Brasil junto com sua família, em fevereiro de 1954, fixando moradia no Rio de Janeiro.

Em 1957 adota cidadania brasileira. Seguidamente, matricula-se no curso de Economia da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro. Logo, em 1.958, torna-se Analista Matemática do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), onde trabalhou até 1960.

Sempre irreverente, revolucionária, visionária, e por vezes necessariamente realista, a economista, matemática e escritora luso-brasileira Maria da Conceição foi a principal mentora intelectual do histórico Plano de Metas de Juscelino Kubistschek. Foi também Professora Titular da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Professora Emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro assim como deputada federal do Partido dos Trabalhadores, eleita no estado do Rio de Janeiro entre 1.995 e 1.999.

Em novembro de 1974, quando se preparava para viajar a Santiago do Chile, foi detida no Aeroporto do Galeão por agentes repressores da ditadura militar brasileira. Graças as intervenções diretas dos ministros Severo Gomes, da Indústria e Comércio, e Mário Henrique Simonsen, da Fazenda, perante o presidente Ernesto Geisel, sua prisão e sessão de “interrogatórios” não durou muito.

Em seus 60 anos de docência Maria da Conceição formou importantes gerações de economistas e de líderes políticos brasileiros tais como José Serra, Carlos Lessa, Edward Amadeo, Aloísio Teixeira, Luciano Coutinho, Luís Gonzaga Beluzzo e João Manoel Cardoso de Melo. Foi alvo de diversas honrarias, distinções e premiações graças ao seu notável trabalho e diversas obras publicadas.

Entre seus últimos trabalhos publicados, alguns em forma de artigo, destacamos os da sua Coluna Lições Contemporâneas, publicados na Folha de São Paulo:

Desnacionalização e vulnerabilidade externa, publicado em 3 de dezembro de 2000, e Integração dos ricos e desintegração dos pobres, publicado em 2 de dezembro de 2001.

 

Principais obras publicadas:

  • Da substituição de importações ao capitalismo financeiro. Rio de Janeiro, Zahar, 1972 (Fazem parte desse livro os artigos: “Auge e declínio do processo de substituição de importações no Brasil”; “Notas sobre o problema do financiamento numa economia em desenvolvimento – o caso do Brasil”; “Além da estagnação”; Natureza e contradições do desenvolvimento financeiro recente).
  • Acumulação de capital e industrialização no Brasil. Campinas, Editora da Unicamp, 1986. Republicada em 1998 pelo Instituto de Economia da Unicamp.
  • Ciclo e crise: o movimento recente da industrialização brasileira. Campinas, Instituto de Economia, 1998.
  • Poder e dinheiro. José Luís Fiori (org.) Petrópolis, Vozes, 1997 (Destacam-se seus artigos: A retomada da hegemonia norte-americana e, em coautoria com Luiz Eduardo Melin, pós-escrito 1997: a reafirmação da hegemonia norte-americana).
  • (Des)ajuste global e modernização conservadora. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1993.
  • “Uma reflexão sobre a natureza da inflação contemporânea” (com Luís Gonzaga Beluzzo). In: Rego, José Márcio (org.). Inflação inercial, teorias sobre inflação e o Plano Cruzado. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1986.

 

PRÊMIOS E HONRARIAS:

 

Zoneamento Ecológico Econômico no Amapá: Exercício de debates e cidadania

 

Ferramenta institucional do estado cuidadosamente pensada e concebida por uma equipe notável de pesquisadores e pela área técnica da Secretaria de Planejamento, o Zoneamento Ecológico Econômico do Amapá surgiu da necessidade de conciliar desenvolvimento regional com sustentabilidade ambiental, com segurança jurídica e retorno social, dentro das premissas da legislação vigente.

Basicamente, hoje no mundo livre existem dois conceitos, teorias, quando o tema central é biodiversidade, meio ambiente, desenvolvimento sustentável:

O primeiro, é o conceito do preservacionismo, o ato de preservar determinada área, baseado na teoria da intocabilidade. Esta teoria geralmente é aplicada a parques ou florestas compostas por árvores e animais raros, em fase de extinção, tais como o pau-Brasil e a ararinha azul, por exemplo.

O segundo, é o conceito do conservacionismo, o ato de conservar determinada área, baseado na teoria do desenvolvimento sustentável, ou seja, a exploração legal e racional de determinado espaço, de maneira sustentável, com retorno social para a comunidade.

Dois exemplos que vem dando muito certo na Amazônia, com o apoio da Embrapa, são os cultivos do açaí e do cupuaçu.

A ideia central do Zoneamento Ecológico Econômico no Amapá é justamente discutir com a sociedade, com os setores produtivos, lideranças regionais, lideranças parlamentares, enfim, com a municipalidade, quais caminhos seguir, à luz da legislação vigente, dentro da ótica do desenvolvimento sustentável.

Longe de ser uma ferramenta “policialesca” e “engessadora” do desenvolvimento regional o Zoneamento Ecológico Econômico é apenas um instrumento orientador ou norteador daquilo que pode ou não pode ser feito em determinadas áreas, tudo baseado em norma jurídica nacional e até interacional, pois, afinal de contas, muitos desejam a saúde de nosso planeta para as gerações presentes e vindouras.

Aqui, no Estado do Amapá, a realização de audiência pública promovida pela Secretaria de Planejamento, em Macapá, bem como nos municípios de Laranjal do Jari e Amapá, visando engajar e envolver os 16 municípios, sem dúvida alguma que conseguiu evolver a coletividade e promover um bom exercício de escutas e de debates com as mais expressivas lideranças produtivas de cada região.

Particularmente, para mim, o Zoneamento Ecológico Econômico foi um verdadeiro exercício democrático de discussão coletiva entre o poder público e a sociedade civil organizada.

De parabéns, os organizadores do evento!

 

 

A necessidade histórica do estado Palestino

 

Três anos depois do histórico Tribunal de Nuremberg, no dia 14 de maio de 1.948 a Organização das Nações Unidas – ONU cria o Estado de Israel após a deflagração de um forte movimento para a criação deste estado, dentro de área Palestina.

Foi exatamente a partir desta data que surgiu um sério conflito entre palestinos árabes e judeus, conflito que se estende até hoje, com graves consequências, para ambos os lados!

Eis aí senhores da guerra, um grave erro histórico, jurídico, legal e principalmente geográfico!

Se no mesmo ano de 1.948 a ONU também tivesse criado o estado Palestino com certeza muita desgraça teria sido evitada, não surgiria a Organização para Libertação da Palestina, Arafat e hoje, o Hamas!

Se o mundo livre possui uma grande dívida com o povo judeu, por conta das atrocidades do holocausto, obviamente também tem uma dívida imensa e histórica com o povo palestino por conta das atrocidades atuais cometidas pelas forças militares de Israel.

As monstruosidades ultimamente cometidas em Rafah, na Faixa de Gaza, por parte do exército israelense, estão sendo consideradas inaceitáveis pela grande maioria da comunidade mundial.

Em uma atitude histórica, Espanha, Noruega e Irlanda anunciaram publicamente nesta quarta-feira reconhecerem a Palestina como um estado independente, unindo-se assim a uma lista de 142 países, incluindo o Brasil, de reconhecimento pleno e total ao estado palestino.

Aqui no Norte do Brasil, Amazônia, Amapá, muitos torcem pela necessária criação do estado palestino!

Este forte movimento mundial já sinaliza possibilidade de adesão da Inglaterra e França, gesto justíssimo que certamente poderá induzir outros países a fazerem o mesmo.

 

Houvesse a ONU, em 1.948, criado os dois estados, o de Israel e o da Palestina, com delimitação justa de áreas, muitas tragédias teriam sido evitadas, até hoje.

De lembrar que após 24 horas da proclamação de criação do estado de Israel os exércitos do Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque invadem o recém criado território israelense e forçam o povo judeu a resistir e a travar uma guerra. Em 1.967 ocorre a Guerra dos Seis Dias onde Israel novamente se vê envolta em um conflito bélico direto com o Egito, Jordânia e Síria. No dia 06 de outubro de 1.973, de novo, nova tentativa de invasão em território israelense, de parte do Egito e da Síria, em ataque surpresa. Inesperadamente o exército egípcio cruza o canal de Suez e o sírio penetra as colinas de Golan.

Alguns historiadores e diversos pesquisadores defendem que a chamada terra prometida é dos judeus enquanto outros afirmam que de muito os palestinos ali já estavam. Particularmente, volto a afirmar que assunto tão delicado deveria ter sido amplamente discutido e resolvido em 1.948, evitando assim tanto derramamento de sangue e principalmente, de vidas inocentes.

Chega de bombas, chega de mortes!

 

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A ZEE em Laranjal do Jari

 

O Amapá está vivendo um momento ímpar em sua história política e administrativa, justamente, o interessante debate coletivo sobre o seu Zoneamento Ecológico Econômico – ZEE, em forma de audiência pública, programação planejada e cuidadosamente organizada pela Secretaria de Planejamento do Estado do Amapá-Seplan.

 

E tudo isso, é devido graças a tão sonhada regularização das terras do Amapá!

 

Uma velha luta que começou lá atrás, com Capi e Waldez!

 

Se a história um dia perguntar ou cobrar quem foram os grandes protagonistas desta luta, em verdade o historiador ou jornalista não pode ignorar ou negar que foram João Alberto Rodrigues Capiberibe, o Capi, e Waldez Góes, os grandes capitães deste estandarte.

 

Portanto, o momento atual ainda é de comemorações graças também ao empenho geral do governo amapaense, de nosso parlamento, da bancada, dos senadores Randolfe Rodrigues, Davi Alcolumbre, Lucas Barreto, e principalmente do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional do Brasil, Waldez Góes.

 

Nesta manhã de quinta-feira, 23, presenciei um fantástico exercício democrático na Quadra Poliesportiva da Escola Mineko Hayashida, em Laranjal do Jari, programação cuidadosamente organizada sob a coordenação geral de Maria Cecília, da Seplan, junto com sua equipe técnica.

 

Lá, naquele espaço cultural de saber, vi setores representativos da sociedade civil organizada exporem ao poder público as suas mais justas aspirações. Produtores, agroextrativistas e sindicalistas expuserem todos os seus anseios, dificuldades, enquanto que o poder público estadual, representado pela Seplan, na pessoa do Secretário Adjunto, Luís Otávio Campos, a tudo ouvia, anotava e respondia, assim como a notável mesa composta por pesquisadores.

 

O momento mais importante da programação foram as observações feitas pelo pesquisador Antônio Cláudio, da Embrapa, Professor Viana, do Iepa, e pelo Professor Jurandir Ross, da USP, com as suas considerações devidas.

 

O Doutor Antônio Cláudio, da Embrapa, fez interessantes observações sobre culturas que poderiam ser implementadas em Laranjal do Jari tais como a do açaí e do cupuaçu, levando-se em consideração a boa fertilidade do solo. Falou da necessidade de se pensar na implementação de um polo moveleiro na região, com o manejo sustentável da floresta, a idade e o tempo certo de corte de uma árvore.

 

O Professor Viana, com muita propriedade, ressaltou a necessidade de implementação de novas tecnologias para a cultura da castanha, tudo culturalmente ainda muito artesanal.

 

O Projeto Jari Celulose utiliza parte considerável de nosso espaço territorial sem agregação de valor ao estado, lucrando com isso, nosso estado vizinho.

 

Sobre a empresa Projeto Jari, na avaliação do Professor Jurandir Ross é necessário que haja um novo modelo de produção empresarial na região destinado à exportação de um produto mais acabado, pronto ao mercado, agregando assim mais valor ao produto final, e, sem esquecer, obviamente, da sua contribuição social para com a municipalidade.

 

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