Onde terminam as Macabas


Embora se diga que o vocábulo Maca-paba signifique “estância das bacabas”, a análise dos termos que lhe dão origem indica um outro sentido: “onde terminam as macabas”. Maca tem todos os indícios de ser um vocábulo de origem caribe e quer dizer sebo, gordura, exatamente o mesmo significado de cabá. Embora não sendo muito comum, alguns estudiosos do tupi, guarany e caribe preferem usar o vocábulo Mbaé-cabá, isto é, a “cousa gorda”. Cuidado para não escrever caba, designativo de marimbondo. A palavra paba em tupi quer dizer morrer, findar, acabar. Como exemplo podemos citar Ibiapaba, importante serra que divide os Estados do Piauí e Ceará. Ibi ou ybi é solo, terra, chão. Paba, como já explicamos, corresponde a morrer, findar, acabar. Logo, Ibiapaba significa onde o chão termina. Quem já viajou por terra, de Belém para Fortaleza, sabe que o desnível entre a serra e planície cearense é da ordem de 300 metros. O Vocabulário Tupi-guarani/português, elaborado pelo Professor Francisco de Oliveira Bueno evidencia o vocábulo ybá-cabá para designar a fruta oleosa, gorda das palmeiras Oenocarpus distchus e circumtextus, onde ybá é fruta e cabá está por gorda. De um modo geral, ybá significa fruto, sendo comum também identificar árvore. A regra é utilizar o vocábulo ybirá.

No Nordeste do Brasil a palmeira que produz a macaba é conhecida como macayba ou macauba O lugar aonde existem muitas macabas é chamado macatuba. Em português, os dois vocábulos correspondem, respectivamente, a bacabeira e bacabal. A bacabeira é uma palmeira solitária. As palmeiras de grande porte são chamadas de bacabuçu, de cujos frutos os índios faziam o iuquicé, ou seja, o vinho, também chamado bacabada. Os que apreciam o vinho da bacaba preferem o extraído da espécie bacabai ou bacabinha. Quando o vinho sai escuro, o caboclo o denomina de macabú ou macabaú, isto é escura. A bacabeira viceja em vários Estados do Brasil, até mesmo no Rio de Janeiro, onde há uma cidade denominada Macaé, derivativo de maca-ê, a macaba doce. No Nordeste prevalece a espécie que dá um vinho mais claro, entre o rosa e o amarelo, identificada como macajuba. A bacabeira Oenocarpus circumtextus tem folhas brancas tirante a ocre e drupas (frutos) roxas. As flores da espécie Oenocarpus multicaulis são branco-amareladas e as drupas avermelhado-escuro. Esta palmeira tem um palmito saboroso, e do lenho se fazem lanças e bengalas. É mais conhecida como bacabaí ou bacabinha. A palmeira ornamental Oenocarpus distichus tem drupas violáceas e sementes oleaginosas, e de cujos frutos se faz doce e vinho, além de se extrair óleo ou azeite. Há quem afirme que o vinho mais gostoso é extraído da palmeira Oenocarpus bacaba. O óleo extraído de suas sementes é semelhante ao da oliveira, e o espique é usado para esteios, lanças, ripas, etc.

A bacabeira viceja mais na terra firme e, diferentemente do açaizeiro, não forma touceira. São encontradas relativamente esparsas nas matas. É a árvore símbolo do Município de Macapá, embora sua presença já não seja tão marcante na cidade, mesmo nos bairros periféricos. Aliás, é muito difícil se encontrada no campo. Como o vinho é muito gorduroso, não tem a mesma aceitação do açaí. Para melhor compreensão dos leitores, vale o registro da diferença entre pa e paba. Pa significa lugar. Paba que dizer morrer, findar, acabar. O vocábulo Amapá é originário da língua tupi, sendo composto por ama (chuva) e pá (lugar). Macapá decorre de maca (bacaba) e paba (findar), ou seja, onde a macaba finda. ■


As jazidas de ferro do rio Vila Nova


Em 1946, sem medir as conseqüências de seu gesto, o Deputado Federal, João Café Filho, iniciou uma campanha no âmbito da Câmara Federal com o propósito obter o cancelamento do contrato entre o governo do Amapá e a empresa norte-americana Hanna Exploration Company pata exploração dos depósitos de ferro do rio Vila Nova (Anauerapucu). Café Filho julgava que o ferro existente no Amapá deveria permanecer intocável, como reserva nacional, para ser explorado por empresas brasileiras.

No momento em que Café Filho iniciou a campanha o Território Federal do Amapá ainda não tinha representatividade na Câmara Federal, que então funcionava na cidade do Rio de Janeiro. No dia 25.4, o governador Janary Gentil Nunes foi recebido em audiência pelo Presidente Eurico Gaspar Dutra, apresentando-lhe um relatório dobre o aproveitamento das jazidas de ferro do Amapá, com as propostas firmadas pelas companhias norte-americanas The Hanna Exploration Company e Companhia Meridional de Mineração, com os pareceres de aprovação unânime do Conselho de Minas e Metalurgia, Departamento de Produção Mineral do Ministério da Agricultura e Conselho de Segurança Nacional.

O Presidente Eurico Dutra assinou o Decreto-lei nº 9.198, referendado pelo ministro Neto Campelo Júnior, autorizando o governo do Território Federal do Amapá a contratar o aproveitamento da jazida de minério de que for confessionário. Diante desse ato do chefe do país, espera-se, a todo o momento, que seja assinado o contrato com a Hanna Company, que apresentou condições que assegurarão uma situação excelente para o futuro da região. Alem da exploração, a contratada deveria construir uma estrada de ferro e um porto fluvial em Macapá. No dia 26/4, obedecendo aos termos do decreto do presidente da República, o governador Janary Nunes e o vice-presidente da Hanna Company, senhor Harry Leroy Pierce assinaram o contrato em rápida solenidade realizada na Representação do governo do Amapá, no Rio de Janeiro. Participaram do importante momento o senhor Carl Kimcaid, advogado da contratada, Glycon de Paiva, geólogo do Ministério da Agricultura, o coronel Simpson, do Exército norte-americano, o major Omar Emir Chaves, o ministro Gastão de Oliveira, diretor geral do Banco do Povo, o sr.André Cacinelli, diretor da A Equitativa, o jornalista Roberto Groba, o Vitor Leinz,geólogo,dr.Djalma Cavalcante, representante do governo do Guaporé(Rondônia), Coaracy Gentil Nunes, representante do governo do Amapá, Leal Ferreira, além de outras autoridades, jornalistas, etc.

O fato foi repercutido pelos jornais cariocas “Jornal do Brasil”, “Jornal do Comércio”, “O Radical”, “A Manhã” e a “Tribuna Popular”,que fez restrição apenas ao prazo do contrato, considerando-o larguíssimo.

O jornal “O Globo”, que não se fez presente na solenidade de assinatura do contrato, daí não conhecer suas clausulas, evidenciou que a ferrovia e o porto ficariam controlados pelos capitais estrangeiros. O sr. G.M. Humphrey, presidente da Hanna Company, afirmou a empresa faria prospecções mais apuradas.Se elas fossem satisfatórias, justificar-se-ia a instalação do vultoso equipamento de mineração,bem como a construção da estrada de ferro e do porto. Sem conhecer os termos do contrato e agindo embalado por sua aversão aos yankees, o Deputado Federal pelo Rio Grande do Norte, Café Filho, manifestou-se contra o contrato e concitou seus pares a agirem de igual modo. Não convenceu ninguém e ainda recebeu manifestações de apoio ao Amapá.

Em Macapá, no dia 13.6.1946, ocorreu uma ruidosa manifestação organizada pela Associação Comercial, Agrícola e Industrial, compreendendo uma caminhada pelas principais ruas da cidade, com saída da Praça da Matriz. À frente iam 4 bandeiras do Brasil, seguidas por uma banda de música e manifestando portando cartazes com diversos dizeres: “Concorrência só existe entre nações. Dentro de um país, o amparo deve ser dado ao que mais precisa e maiores vantagens oferece,” “Não vendemos aos estrangeiros a nossa borracha? Por que não podemos vender o nosso ferro?” “O Amapá não se vende! Vende o seu ferro para alicerçar a grandeza do Vale Amazônico.”.


Falta-nos um sistema de cultura


Embora o lema da Bandeira Nacional seja “Ordem e Progresso”, pinçado da frase concebida pelo Frances Augusto Comte: “O Amor por principio e a Ordem por base; o Progresso por fim”, o Brasil continua sendo um país que tem suas leis, códigos e normas, mas  seus mandatários não gostam de cumpri-las. O absolutismo que prevaleceu na nação brasileira, desde a sua descoberta até o fim da Monarquia, continuou marcante no período republicano e parece não ter fim. Ainda não conseguimos implantar um Sistema Nacional de Cultura porque os governantes preferem posar de “Mecenas”, embora, no serviço público, com aplicação de dinheiro do Tesouro Nacional esse tipo de protetor cultural não existe. O mecenato é próprio dos que usam recursos advindos de suas atividades empresariais ou de quem reserva parte de seus ganhos para estimular os cultores das artes.

 

O Brasil andou perto de implantar um sistema cultural há cerca de quatro anos, mas não o fez, a conta do apadrinhamento que os políticos usam para manter produtores das artes sob suas asas. No Amapá, seguindo os estudos realizados pelo Governo Federal, também elaboramos nosso Sistema de Cultura. O Executivo Nacional reuniu, em Brasília, em 2010, gente de todas as vertentes culturais, dispensando total atenção para os que se mostraram coniventes com a condenável prática de submissão aos chefões do Partido dos Trabalhadores exercida no país. A bola bateu na trave, foi pela linha de fundo e ninguém quis ir buscá-la para dar reinicio ao jogo. Uma prova cabal dessa verdade está no fato dos governantes terem extinguido os Conselhos de Cultura, normativos e fiscalizadores por natureza.

 

Os governantes que não o extinguiram o transformaram em singelos Conselhos Deliberativos, principalmente para acomodar agentes culturais de sua preferência, muito mais militantes políticos do que cultores das artes. Recentemente, no decorrer da campanha política para a Presidência da República, o consagrado compositor/cantor Chico Buarque de Holanda declarou seu irrestrito apoio à candidata Dilma Rousseff. Imediatamente, surgiram nas redes sociais diversas postagens afirmando que a declaração de Chico Buarque decorria do apoio financeiro dado pelo Ministério da Cultura a uma irmã do cantor, algo em torno de oitocentos mil reais. No período em que Gilberto Gil foi Ministro da Cultura, o cantor Caetano Veloso disse que estava sendo discriminado pelo governo, que lhe negou recursos para a realização de um trabalho musical.

 

No Amapá, um parlamentar conseguiu arrancar do orçamento federal a importância de 600 mil reais para contemplar apadrinhados, entre eles um irmão que completava 50 anos de idade. Dentre os governantes amapaenses, o Waldez Góes foi o que mais se aproximou da implantação de um Sistema Cultural. Reinstalou o Conselho de Cultura, que havia sido jogado no abismo por João Capiberibe, instituiu a Lei de Incentivo à Cultura e deu ao Silogeu uma estrutura normativa e fiscalizadora invejável.

 

Os bajuladores e submissos não gostaram. Os que exerceram controle administrativo da Secretaria Estadual de Cultura declararam guerra ao Colegiado e se negaram a fornecer-lhe os documentos que a lei lhe assegurava o direito de exigir. Ao final do mandato dos conselheiros prevaleceu a vontade do parlamentar, que prometeu imorredouro apoio ao Waldez caso ele nomeasse apenas seus escolhidos. O tal parlamentar abandonou com a parceria, já no governo do Camilo, assim que nuvens negras pairaram sobre a cabeça do ex-governador. Agora, a partir do dia 1º de janeiro de 2015, Waldez Góes vai governar o Amapá pela terceira vez.

 

Os membros do setor cultural que almejam ver o Estado trilhando a rota do mérito e não do favorecimento, aguardam medidas saneadores em todos os sentidos. Se isso não acontecer, o Amapá estará ferrado e desamparado da esperança. Basta de tantas festas sem objetividade alguma. Vamos recuperar o Parque do Forte, tornar atrativa uma visita à Base Aérea de Amapá, apoiar as entidades culturais que podem engrandecer as ações de governo e mandar as favas os oportunistas. Agora, em 2018, configurada a vitória de Waldez Góes nas eleições, resta-nos esperar que o tal sonhado Sistema Cultural se torne realidade.


Sonoros de Macapá


O primeiro “sonoro” da cidade de Macapá foi instalado no dia 25 de fevereiro de 1945, por iniciativa do jornalista Paulo Eleutério Cavalcante de Albuquerque, coordenador do Serviço de Informações do Governo do Território Federal do Amapá. Os equipamentos para amplificação de som e voz foram assentados no subsolo da Intendência Municipal e o idealizador do sistema fazia a locução.

Em pontos estratégicos da cidade foram colocados quatro alto-falantes, tipo corneta, através dos quais as informações sobre as realizações do governo territorial e as notícias da segunda guerra mundial chegavam ao conhecimento do público. A cidade era tão pequena, que, querendo ou não, todos os seus moradores ouviam as transmissões.

Este sonoro foi o embrião da Rádio Difusora de Macapá. Após a inauguração da RDM, os equipamentos do serviço de alto-falantes foram incorporados ao acervo técnico da emissora. O segundo sonoro, instalado quando a Rádio Difusora já estava no ar, funcionou ao lado da Sorveteria Central, na esquina da Rua Cândido Mendes com a Avenida Siqueira Campos (Mário Cruz), com locução de Laurindo Banha.

Com um terraço aprazível, a sorveteria pertencente à firma Sarah Rofé Zagury atraía o pessoal apreciava sorvetes e picolés de leite, taperebá, açaí, nescau, maracujá e ameixa.e os que curtia músicas sentimentais.

Corinhos, sambas, baiões, sambas-canção, tangos, foxtrot, guarânias e outros ritmos que faziam grande sucesso no cenário nacional eram executados com muita frequência.

Os frequentadores que estavam desiludidos no amor, pediam composições como “Lama”, “Último Desejo”, “Dez Anos”, “Devolvi”, “Lencinho Branco” e “Madressilvas”. Estes e outros sucessos também tocavam no alto-falante da Farmácia e Drogaria Serrano, que revelou para o rádio amapaense o saudoso amigo Pedro Afonso da Silveira.

Posteriormente surgiram as aparelhagens de som rotuladas como “picarp”, detentoras de invejáveis discotecas. Elas se esmeravam na animação de festas dançantes, sendo a mais famosa a que pertenceu a Jefferson Pechouth, mais conhecido no seio da sociedade boêmia e festeira como Pecó. Cada sonoro festivo tinha suas peculiaridades e locutores.

O sonoro da “Casa Ribamar”, localizado no poste fronteiriço ao referido estabelecimento comercial, na esquina da Avenida Padre Júlio Maria Lombaerd com a Rua Cândido Mendes, entrava no ar as 16 hora e encerrava suas atividades as 18 hora, após a execução da música “Ave Maria”.
Uma sentida mensagem religiosa era lida pelo locutor, que se intitulava como “o amigo de Vocês”. Deste sonoro saiu mais um bom valor do rádio amapaense, Bonifácio Alves. Não havia um só dia que o sonoro da Casa Ribamar não tocava uma música catastrófica, cujo inicio era: Sangue, Sangue, Sangue. Na frente da Casa Ribamar, na Rua Cândido Mendes, estava edificada a Casa Dora, propriedade de Thanus Ziade. O som do alto-falante incidia agressivamente no quarto onde o Raja Ziade, filho do seu Thanus, costumava tirar uma sesta.

Um dia, cansado de ser perturbado, o Raja apanhou um rifle e detonou vários tiros contra o “garganta de ferro”. Foi o que bastou para que um novo aparelho fosse instalado,mas voltado para outro ponto. À proporção que a cidade crescia, algum dono de casa de comércio mandava instalar um sonoro, para fazer a propaganda de seus produtos. No Elesbão, área próxima ao flanco oeste da Fortaleza de Macapá, existiu um sonoro denominado “Alvorada”.

O locutor gostava de tomar uns aperitivos antes do inicio das transmissões. Além do mais, seu português era sofrível. Quando o sonoro entreva no ar, ele caprichava na identificação da aparelhagem, baixando e subindo o nível de som do prefixo. Certa vez, por ocasião de uma animada festa dançante, o locutor quis deixar patente que seu equipamento era melhor que os demais e sapecou esta preciosidade: “Estão ouvindo o Sonoro Arvorada, o único que não tem ruído, não tem zumbido e não tem porra nenhuma. São 250 kilovart de saída e respeite a porrada na caixa”.

Os fofoqueiros que se encarregaram de espalhar está suposta louvação juram que ela de fato aconteceu.


Governo do Amapa precisa preserva a Difusora – Parte I


A data de 11 de setembro de 1946 evidencia o dia da inauguração do Broadcast da primeira emissora de rádio a ser implantada no Amapá. Não se refere à fundação do importante veículo de comunicação e sim ao início das irradiações sequenciadas. Antes disso, eventualmente, a estação entrava no ar e não funcionava além de duas horas. Havia entre os habitantes da área desmembrada do Estado do Pará, que foi transformada no Território Federal do Amapá, o hábito de ouvir as emissoras paraenses, notadamente a Rádio Clube do Pará, que operava (e ainda o faz), nas ondas média e curta/tropical. A faixa de Amplitude Modulada (AM) tinha mais receptividade ã noite.

A Onda Curta “entrava arrebentando” a qualquer hora do dia. Sem uma estação de rádio própria, o governo do Amapá se valia da Rádio Clube para transmitir atos administrativos ao funcionalismo e ao público em geral. Atuava como Diretor do Departamento Segurança Pública e Comandante da Guarda Territorial, o cidadão Paulo Eleutério Cavalcante de Albuquerque, Tenente da Reserva do Exército Brasileiro, Advogado e Jornalista vinculado à Folha do Norte de Belém, que recebeu do Governador Janary Gentil Nunes, a incumbência de desenvolver estudos visando à fundação de um jornal semanal e de uma estação de rádio OC/AM. Para ter mais tempo dedicado a empreitada atribuída, Paulo Eleutério passou a dirigir a recém criada Agencia de Imprensa e Propaganda. A primeira providencia que ele tomou foi requerer a compra de um amplificador de som, um microfone, quatro alto falantes tipo corneta e um potente radio receptor de ondas curtas, Em um pequeno espaço disponível no prédio da antiga Intendência Municipal, que, desde o dia 25 de janeiro de 1944, vinha abrigando os órgãos da Prefeitura Municipal de Macapá e do Governo do Território Federal do Amapá, Paulo Eleutério Filho instalou seu diminuto estúdio informativo. Às dezessete horas, o serviço de alto falantes entrava no ar, executando a marcha Continental. Em seguida, eram narradas as medidas administrativas do governo territorial e do governo federal. Ele mesmo fazia a locução e conectava ao amplificador o som da BBC de Londres, levando ao conhecimento das pessoas que se concentravam na então Praça Capitão Augusto Assis de Vasconcelos, a maioria constituída por servidores públicos e operários. Na época, Macapá era pequena e quase todo mundo morava no bairro central. Uma significativa parcela da população não precisava sair de casa para ouvir o que “as bocas de ferro” diziam. Enquanto isso acontecia, tramitava no Rio de Janeiro, sede do Governo Federal, a documentação gerada pelo Governo do Amapá, requerendo autorização para instalar, em Macapá, uma emissora de Rádio em amplitude modulada (AM).

O acompanhamento do fluxo da papelada histórica estava a cargo do Advogado Coaracy Gentil Monteiro Nunes, o representando do governo amapaense na cidade maravilhosa. A nível local, a Divisão de Obras Públicas tocava a construção de um prédio destinado a Rádio Difusora de Macapá. A área tinha pertencido ao casal Leão Zagury e Sara Rofé Zagury, na então Rua Barão do Rio Branco (Cândido Mendes), sentido leste, local próximo ao Igarapé da Companhia (Igarapé das Mulheres. Um pouco mais adiante, a esquerda, onde temos o Super Fácil, foi erigida a casa do transmissor. Tudo era área de serrado. Com muito entusiasmo, os macapaenses acompanhavam a evolução dos trabalhos aqui desenvolvidos. Aos poucos, as novidades foram surgindo. O prefixo da emissora ZYE 2 agradou em cheio. Também despontou o slogan, “A Voz Mais Jovem do Brasil”, que não vingou. Em fase experimental, a emissora entrava no ar a noite. Inicialmente apenas uma hora. Depois, duas horas, das 20 às 22 horas. Até transmissão de um jogo de futebol, ocorrido no campo da Matriz, foi irradiada com a acelerada narração do Professor Gabriel de Almeida Café. Antes desse feito, o povo havia ouvido a voz do Dr, Marcilio Felgueiras Vianna, técnico destacada da Divisão de Educação e Cultura, que, no dia primeiro de junho de 1945, realizou uma transmissão alusiva ao aniversário do governador Janary Nunes.


A Estrada de Ferro que enferrujou


No inicio das atividades da Indústria e Comércio de Minérios S.A.- ICOMI, em Serra do Navio, o Rio Amapari era a via fluvial usada por quem, partindo de Porto Platon, pretendia alcançar aquela região onde estavam as jazidas de manganês. Antes da chegada da mineradora, faiscadores de ouro e pequenos comerciantes usavam a citada rota.

O registro da existência do minério de manganês tinha sido realizado pelo geólogo Josalfredo Borges, em 1934. Em 1946, quando os trabalhos de instalação do governo do Território Federal do Amapá, do qual era o governador, o capitão Janary Gentil Nunes conclamou os cidadãos que atuavam em áreas de exploração mineral, a fornecer ao executivo, amostras de pedras com características de minerais. Um dos frequentes usuários do rio Amapari, Mário Cruz, dono de uma ubá impulsionada por motor de popa archimedes de 12 HP, que mantinha em sua casa, na cidade de Belém, algumas pedras escuras, as quais ele imaginava serem ferro, transportou-as para Macapá e as apresentou à Divisão de Produção e Pesquisa.

O geólogo alemão Frits Louis Archerman, que prestava serviços ao governo territorial, logo identificou como manganês. Outras amostras confirmaram a existência de ferro, tantalita, estanho. Mediante concessão do governo brasileiro, a ICOMI deu inicio a implantação de uma soberba infra-estrutura operacional para extrair e vender o manganês. A logística da empresa também foi magistral no tratamento de seus funcionários. Tudo que a ICOMI precisou levar para Serra do Navio saia do Porto de Santana, por via rodoviária até Porto Platon. Na sequência da viagem ocorria com o uso de pequenas embarcações, que também traziam amostras de minérios. Posteriormente, a empresa usou uma balsa de ferro e nela transportou as primeiras toneladas de manganês, da vila Santa Terezinha para Porto Platon. Em caçambas, o minério foi transferido para a área onde surgiria o píer e o cais da companhia, em Santana. Isso continuou acontecendo até entrar em operação a Estrada de Ferro do Amapá.

A construção foi iniciada em janeiro de 1954 e inaugurada em 5/1/1957. “Para a construção de suas instalações no Amapá, a ICOMI obteve um crédito no Eximbank, de Washington, de US4 67.500.000,00(sessenta e sete milhões e quinhentos mil dólares), a juros de 4-1/2%(quatro e meio por cento), para financiamento das importações de materiais e pagamento das despesas de construção no Brasil. Deste total,posto à disposição da empresa, foram dispendidos apenas, em números redondos, 55 milhões de dólares”.

A extensão da linha principal é de 193,594 km, acrescido de 12,832 km das linhas correspondentes aos pátios de manobras e desvios, perfazendo o total de 206,426 km. Cada quilômetros tem 1.765 dormentes. Em toda a extensão da linha há cerca de 368.679 dormentes. Na fase mais operosa da ICOMI, deslizaram sobre os trilhos da Estrada de Ferro do Amapá nove locomotivas: três GM Diesel Elétricas, modelo 1200 SW , uma modelo 1500 SW e quatro GE C 30-7. A empresa dispunha de 80 vagões para transporte de minérios com capacidade de 70 toneladas cada. Em 1997, a ICOMI encerrou suas atividades com a exploração de manganês.

Em 1998, retirou-se do Amapá. Os bens que ela deixou, na forma do contrato de concessão que lhe foi feito pelo Governo Federal, eles passaram a pertencer ao Governo do Estado do Amapá. Foi quando a desdita se abateu sobre a ferrovia. A gestão estadual não conseguiu manter as composições operando com a mesma competência revelada pela ICOMI. Surgiram três empresas, que também se revelaram tremendos fiascos: MMX(2006), Anglo American (2008) e a Zanim (2013). Esta última ainda foi contemplada da concessão da Estrada de Ferro, mas não deu conta do recado. Segundo registros disponíveis nas redes sociais dão conta de que, no dia 15 de dezembro de 2014, o trem de carga circulou pela última vez, entre Serra do Navio e o Porto de Santana. No ano posterior foi a vez do trem puxando vagões com passageiros. A partir de então, toda a estrutura existente nos 206,426 quilômetros vem sendo saqueada.

Em 2017, através de um relatório, a SETRAP afirma, que as áreas de segurança perto dos trilhos estão sendo invadida. As ocorrências foram registradas na Polícia, mas nada de prático poderá acontecer sem a intervenção judicial. Muita coisa já foi surrupiada e levada para fora do Estado.


Boto não vira gente


Essa conversa de que o boto vira gente, para seduzir mulheres que vivem nas margens de rios e igarapés, surgiu quando algumas jovens solteiras engravidavam e seus familiares cuidavam de proteger sua honra.

Em tempos mais recuados, quando uma mulher solteira engravidava dava um rolo danado. Com medo das ameaças do sujeito que lhe aplicara o “benefício”, não revelava sua identidade. Para todos os efeitos, o “beneficiador” tinha sido o boto vermelho.

Mas não eram apenas as solteiras que ficavam prenhes “misteriosamente”. Algumas mulheres casadas, amigadas ou amancebadas, cujos maridos passavam longo tempo fora de casa, perambulando pela floresta, riscando seringueira ou colhendo produtos extrativos, envolviam-se com outro homem e lançavam a culpa no pobre do boto.

Certamente, devido ao fato do boto ter pênis e ficar irrequieto quando uma mulher menstruada navega em pequena canoa, acompanhando-a o tempo todo, os índios e os caboclos inventaram a lenda de que o pobre mamífero da ordem dos cetáceos se transformava em homem para deflorar as virgens amazônidas que frequentavam festas dançantes de devoção ou de aniversário.

Como o “embarrigamento” de donzelas era relativamente acentuado, muitas famílias se apressavam em dizer que a “barriguda” tinha sido seduzida pelo boto. A lenda corresponde a uma história fantasiosa demais.

Ora, como é que um jovem estranho de roupas brancas, usando chapéu para encobrir o furo (respiradouro) no topo da cabeça e exalando um forte pixé, diferentemente dos caboclos que abusavam do perfume, não despertava curiosidade dos pais das moças e demais marmanjos? E, porque apenas o boto tinha o poder de se transformar em gente? A bota também deveria ter o mesmo poder.

É provável que os homens das próprias famílias mantivessem relações sexuais com filhas, sobrinhas, enteadas, cunhadas, sogras e agregadas, tirando proveito da lenda do boto pra lançar uma cortina de fumaça sobre o “estado interessante” das fêmeas da família.

O boto tem pênis, e a bota possui peitos e vagina. No período de acasalamento, que acontece de outubro e novembro, a bota expele uma secreção que tem o mesmo cheiro do sangue da mulher menstruada, que excita o boto, avisando-o de que está pronta para a reprodução.

A secreção não pode ser entendida como menstruação, haja vista que essa só ocorre nas mulheres e primatas (chimpanzés, gorilas e outras macacas). Na menstruação, o sangue que a mulher e as fêmeas primatas expelem pela vagina decorre da eliminação do endométrio devido à falta de fecundação dos óvulos. Nas fêmeas das demais espécies animais o endométrio é absorvido pelo útero.

Vale esclarecer que a cadela não menstrua, como muita gente pensa. O sangramento que algumas delas liberam provém do rompimento de pequenos vasos devido ao elevado fluxo de sangue no período do cio.

A ignorância dos índios e dos caboclos, em termos de anatomia, fez surgir a lenda. É claro que o homem só reproduz outro ser com mulheres. Pode transar com fêmeas de outras espécies, que nada acontece.

Conta-se que muitos caboclos realizavam tapagem de igarapés usando o “pari”, para capturar peixes, aprisionando botas caso elas estivessem no trecho interditado. Depois da vazante da maré, estando a bota indefesa sobre a lama, o pescador saciava seu apetite sexual. Existem registros de elementos que agiram dessa forma e eles são unânimes em dizer que as contrações dos músculos vaginais da bota deixam o ser humano estafado.
O cansaço não provinha do ato sexual em si, mas do esforço desprendido para se manter sobre a bota. De um modo geral, o caboclo matava a bota temendo que ela estivesse grávida.

Ao nascer, o boto vermelho tem a pele cinza. Seu nome científico é “Inia geoffrensis”. Coube ao francês Jacques Cousteau alterar a designação boto vermelho para boto cor de rosa. A outra espécie é preta, nominada tucuxi, mas parece que não tem o mesmo poder do boto vermelho.
No interior da Amazônia, o filho de mulher que não sabe quem é o pai do bruguelo é tido como “filho de boto”. Com certeza, boto de cinco dedos em cada mão. Como tudo acontece no Brasil, não estranhem se aparecer boto com apenas quatro dedos na mão esquerda.


Pontes ou escambaus ilustrados


Surgido no platô de terra firme onde está edificada a Fortaleza de São José, o povoado de Macapá enfrentou sérias dificuldades para expandir-se. O espaço era reduzido, delimitado pelas atuais Avenidas Maracá e Coaracy Nunes, Rua São José, Elesbão e Rio Amazonas. Quando a maré enchia tudo ficava cheio d’água impedindo o deslocamento das pessoas por terra. A partir de 1758, quando o povoado foi elevado à categoria de vila, o Senado da Câmara precisou mobilizar um bom contingente de trabalhadores para aterrar uma estradinha, cujo inicio era o final da atuar Avenida Cândido Mendes, que em diagonal demandava no sentido da Rua Vereador Binga Uchoa e seguia até alcançar a margem direita do igarapé do Igapó ou Bacaba. Sobre ele foi construída uma ponte de madeira relativamente robusta. Isso se fez necessário porque a vila de Macapá tinha sido delimitada em área de serrado, com elevação comparável ao nível do platô em relação ao Rio Amazonas. Por volta de 1761, quando a maioria dos prédios erigidos em torno do Largo de São Sebastião já estava com suas obras prontas, apenas os soldados do Forte de Faxina e os agricultores que mantiveram suas plantações na antiga área residencial faziam uso da ponte, transitando em cavalos e carros puxados por bois.

O tempo foi passando, mas a ponte permaneceu sendo utilizada, haja vista que os limites da vila não foram ultrapassados. A planta da Vila de Macapá indicava a existência de duas amplas praças, tituladas como Largo de São Sebastião (Praça Veiga Cabral e Largo de São João (Praça Barão do Rio Branco), Ruas e Travessas. Nos dias atuais, o perímetro compreende as Avenidas Professora Cora Rola de Carvalho/FAB e Ruas Cândido Mendes de Almeida e Tiradentes. A criação do Território Federal do Amapá, no dia 13 de setembro de 1943 e sua implantação a 25 de janeiro de 1944, atraíram um considerável número de trabalhadores e a implantação de novas atividades comerciais. Assim, lojas, botecos, biroscas, vendas, portas e outros pontos empresariais com denominações variadas foram surgindo e motivando a ocupação de espaços à direita e esquerda da Avenida Cândido Mendes na direção da Fortaleza de São José. O panorama era bem interessante.

No centro da área foi montada uma longa passarela. Dela partiam estivas ligando-a as casas comerciais. Mesmo havendo um projeto de aterro elaborado pelo Serviço Especial de Saúde Pública (Fundação SESP), a Prefeitura Municipal de Macapá não exigiu a edificação de imóveis com a altura recomendada. No inverno, notadamente por ocasião das marés laçantes (lançante ou lava-praia), os assoalhos das vendas ficavam debaixo d’água Era um transtorno medonho. Depois que a via publica ganhou aterro e os veículos motorizados puderam transitar no sentido dos emergentes bairros da Fortaleza e Trem, o governo mandou instalar uma ponte de madeira sobre o igarapé do Igapó, que a população chamava igarapé da Fortaleza. Mais tarde, a ponte de madeira cedeu espaço para outra construída em concreto, cuja base serviu para a configuração atual do citado bem sobre o canal da Avenida Joaquim Francisco de Mendonça Júnior. A ponte de concreto foi obra da empresa Platon Engenharia e Comércio, concebida, segundo alguns críticos, com as borda mais elevadas que os pontos de encontro dela com a Cândido Mendes. Meu pai, Francisco Torquato de Araújo, amigo dos Platon, aproveitou uma reunião do Rotary Clube de Macapá, no espaço “Hora do Companheirismo” para fazer uma saudável gozação, dizendo,que a ponte da Cândido Mendes era capaz de dizer o nome de quem a construiu. Quando um carro subia na ponte fazia “pla”. Quando descia gerava um “ton”: PLATON.

Os construtores afirmavam que a culpa do desnível foi de quem asfaltou as cabeceiras. Outras pontes de Macapá são como “escambaus ilustrados”, entre elas a “Sérgio Arruda”, que teria custado cinco milhões de reais e outra, sobre o canal do Jandiá, onde carros baixos ficam entalados no ponto mais alto. Agora, a campeã de esquisitice é a ponte sobre o Rio Matapi. Quem fez aquela barbaridade de lançar uma de suas cabeceiras no rumo de um terreno baldio precisa passar por reciclagem profissional.


A estrada de ferro que enferrujou


No inicio das atividades da Indústria e Comércio de Minérios S.A.- ICOMI, em Serra do Navio, o Rio Amapari era a via fluvial usada por quem, partindo de Porto Platon, pretendia alcançar aquela região onde estavam as jazidas de manganês. Antes da chegada da mineradora, faiscadores de ouro e pequenos comerciantes usavam a citada rota. O registro da existência do minério de manganês tinha sido realizado pelo geólogo Josalfredo Borges, em 1934. Em 1946, quando os trabalhos de instalação do governo do Território Federal do Amapá, do qual era o governador, o capitão Janary Gentil Nunes conclamou os cidadãos que atuavam em áreas de exploração mineral, a fornecer ao executivo, amostras de pedras com características de minerais. Um dos freqüentes usuários do rio Amapari, Mário Cruz, dono de uma ubá impulsionada por motor de popa archimedes de 12 HP, que mantinha em sua casa, na cidade de Belém, algumas pedras escuras, as quais ele imaginava serem ferro, transportou-as para Macapá e as apresentou à Divisão de Produção e Pesquisa.

O geólogo alemão Frits Louis Archerman, que prestava serviços ao governo territorial, logo identificou como manganês. Outras amostras confirmaram a existência de ferro, tantalita, estanho e cassiterita. Mediante concessão do governo brasileiro, a ICOMI deu inicio a implantação de uma soberba infra-estrutura operacional para extrair e vender o manganês. A logística da empresa também foi magistral no tratamento de seus funcionários. Tudo que a ICOMI precisou levar para Serra do Navio saia do Porto de Santana, por via rodoviária até Porto Platon. A seqüência da viagem ocorria com o uso de pequenas embarcações, que também traziam amostras de minérios. Posteriormente, a empresa usou uma balsa de ferro e nela transportou as primeiras toneladas de manganês, da vila Santa Terezinha para Porto Platon. Em caçambas, o minério foi transferido para a área onde surgiria o píer e o cais da companhia, em Santana. Isso continuou acontecendo até entrar em operação a Estrada de Ferro do Amapá.
A construção foi iniciada em janeiro de 1954 e inaugurada em 5/1/1957. “Para a construção de suas instalações no Amapá, a ICOMI obteve um crédito no Eximbank, de Washington, de US4 67.500.000,00(sessenta e sete milhões e quinhentos mil dólares), a juros de 4-1/2%(quatro e meio por cento), para financiamento das importações de materiais e pagamento das despesas de construção no Brasil. Deste total,posto à disposição da empresa, foram dispendidos apenas, em números redondos, 55 milhões de dólares”. A extensão da linha principal é de 193,594 km, acrescido de 12,832 km das linhas correspondentes aos pátios de manobras e desvios, perfazendo o total de 206,426 km. Cada quilômetros tem 1.765 dormentes. Em toda a extensão da linha há cerca de 368.679 dormentes. Na fase mais operosa da ICOMI, deslizaram sobre os trilhos da Estrada de Ferro do Amapá nove locomotivas: três GM Diesel Elétricas, modelo 1200 SW , uma modelo 1500 SW e quatro GE C 30-7. A empresa dispunha de 80 vagões para transporte de minérios com capacidade de 70 toneladas cada. Em 1997, a ICOMI encerrou suas atividades com a exploração de manganês. Em 1998, retirou-se do Amapá. Os bens que ela deixou, na forma do contrato de concessão que lhe foi feito pelo Governo Federal, eles passaram a pertencer ao Governo do Estado do Amapá. Foi quando a desdita se abateu sobre a ferrovia.

A gestão estadual não conseguiu manter as composições operando com a mesma competência revelada pela ICOMI. Surgiram três empresas, que também se revelaram tremendos fiascos: MMX(2006), Anglo American (2008) e a Zanim (2013). Esta última ainda foi contemplada da concessão da Estrada de Ferro, mas não deu conta do recado. Segundo registros disponíveis nas redes sociais dão conta de que, no dia 15 de dezembro de 2014, o trem de carga circulou pela última vez, entre Serra do Navio e o Porto de Santana. No ano posterior foi a vez do trem puxando vagões com passageiros. A partir de então, toda a estrutura existente nos 206,426 quilômetros vem sendo saqueada. Em 2017, através de um relatório, a SETRAP afirma, que as áreas de segurança perto dos trilhos estão sendo invadida. As ocorrências foram registradas na Polícia, mas nada de prático poderá acontecer sem a intervenção judicial. Muita coisa já foi surrupiada e levada para fora do Estado.


Festa Civica no dia do Laudo Suiço – 1ª parte


No dia 1º de dezembro de 1949, ocorreram em Macapá as cerimônias alusivas à data de assinatura do Laudo de Berna, assim chamada a decisão arbitral do presidente da Confederação Helvética, tomada há 49 anos, que assegurou ao Brasil os direitos sobre as terras compreendidas entre a margem esquerda do Rio Araguary e a margem direita do rio Oiapoque, que a França teimava em dizer que lhes pertenciam. Às 7h:30min foi rezada missa na Igreja de São José. Às 8 horas, no parque esportivo da praça capitão Augusto Assis de Vasconcelos (Veiga Cabral), houve demonstração de Educação Física, realizada pelos alunos e alunas do Grupo Escolar Barão do Rio Branco, sob a direção do então sargento Irineu da Gama Paes e da professora Wanda de Abreu Lima, instrutores de cultura física de nossos estudantes.

A exibição de ginástica rítmica compreendeu números de sueca e exercícios de bastão, tudo feito com a máxima precisão. Terminada a demonstração de educação física, as pessoas presentes foram convidadas a se dirigirem ao prédio do Grupo Escolar Barão do Rio Branco, onde seria realizada a exposição de prendas e trabalhos manuais dos alunos do citado educandário. Às 9 horas o governador do Território Federal do Amapá, Raul Montero Valdez cortou a fita simbólica que vedava a entrada da sala de aula onde os trabalhos estavam expostos, franqueando a visitação pública.

A diretora do Grupo Escolar, professora Maria Lúcia Brasil e o Dr. Marcilio Felgueiras Vianna, Diretor da Divisão de Educação, foram bastante cumprimentados pela bela iniciativa. As professoras de prendas Clarisse Lobo e Iza Pinto de Almeida receberam calorosas saudações dos convidados e estudantes. Em seguida à visitação aos trabalhos da Exposição de Prendas, o governador convidou a todos para dirigirem-se ao Cine Teatro Territorial onde haveria uma solenidade para premiar os melhores alunos do Grupo Escolar. A cerimônia foi conduzida por uma meda diretora composta pelo governador Raul Montero Valdez; Dr. Jarbas Amorim Cavalcanti, Juiz de Direito da Comarca de Macapá; Dr. Marcílio Felgueiras Vianna, Diretor da Divisão de Educação; professora Maria Lucia Sampaio Brasil,diretora do Grupo Barão do Rio Branco; Sr. Mário Dias Teixeira,chefe do Serviço de Fomento Animal da Divisão de Produção e Pesquisa;Sr. Felipe Gillet,chefe do Serviço de Fomento Vegetal da mesma Divisão de Produção, representando o diretor do órgão e o Sr. José Serra e Silva, Prefeito Municipal de Macapá.

Inicialmente foi realizada a entrega de prêmios aos alunos que lograram maiores médias nos exames finais: Pedro Maurício Naice Córdoba, do Jardim de Infância, com a média 70; Maria Duarte da Costa, da Alfabetização, com média 100; Fernando Dias Maciel, da 1ª série primária, com média 90; Maria de Nazaré Cunha,da 2ª série primária,com a média 75; Raimundo Amanajás de Brito, da 3ª série primária, com a média 85; Maria Stela Barbosa da Silva, da 4ª série primária, com a média 77;Regina Coeli Barriga Brito, da 5ª série, com média 71. Depois passou a ser feita a entrega dos boletins escolares, destacando-se os primeiros lugares obtidos nas diversas séries, com citação de suas professoras: Na época, havia 10 turmas de alfabetização funcionando no Grupo Escolar Barão do Rio Branco.

Os alunos com maior aproveitamento escolar durante o ano letivo de 1949 foram os seguintes: Antônio Almeida dos Anjos, média 76, professora Raimunda da Silva Virgolino; Sara Antônio Tito, média 94, professora Oscarina Santos; Getúlio do Espírito Santo Mota, média 86, professora Margarida Marques da Silva; Lúcia Tavares Souza, média 98, professora Elizetre Aymoré; Domitila Eufrásia dos Santos, média 87, professora Maria Cristina Botelho; Maria José dos Santos, média 87, professora Maria Nazaré Pinheiro; João dos Santos Nascimento, média 98, professora Elza Cunha; Francisco de Lima Soares, média 91, professora Raimunda Mendes Coutinho; Aurelinda Pereira da Costa e Amiraldo Elleres Nunes Filho,média 90, professora Odila Praxedes; Ivone Cruz da Silva, média 91, professora Maria Doroty Souza.( sequência na próxima edição)