Setembro Amarelo: primeiro semestre tem queda dos casos de suicídio no Amapá
Além do número 188, do Centro de Valorização da Vida (CVV), algumas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Macapá também disponibilizam atendimento gratuito.

Railana Pantoja
Da Redação
O Setembro Amarelo, mês escolhido para debater a prevenção ao suicídio e abordar discussões sobre saúde mental, trouxe um dado positivo para o Amapá: o primeiro semestre de 2020 teve queda significativa no número de casos de suicídio, comparado com o mesmo período de 2019. Foram 29 casos [em 2020], enquanto que no ano passado esse número foi de 46. A redução é de 37%.
Os dados são de um boletim da Superintendência de Vigilância em Saúde do Amapá (SVS) e foram divulgados nesta semana. Esses números são considerados importantes para que sejam implementadas as políticas públicas de vigilância, atenção, prevenção, promoção e de proteção e cuidado às pessoas vulneráveis a este tipo de agravo.
A enfermeira Michelle Maleamá, chefa da Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA), da SVS, explica que, embora tenhamos essa redução, ainda existem dados que preocupam.
“Nós percebemos que no decurso dos últimos três anos temos uma crescente nessa numeração, que segue sem estabilidade. Uma preocupação grande que colocamos no alerta epidemiológico de maio [do ano passado] foi a situação de vítimas de suicídio entre mulheres. Estávamos num patamar de 150%, e no fim do ano de 2019 refizemos o cálculo e percebemos que já houve uma certa redução. Mas o fato de termos 17 mortes a menos, com certeza é um ganho muito importante para o estado”, ponderou.
Michele diz que é preciso “adentrar um pouco mais o universo feminino” para entender essa alta de casos entre as mulheres. Quando a Superintendência diz “mulheres”, se refere às vítimas a partir dos 15 anos.
“Se fizermos uma análise mais detalhada, vamos perceber que não são só meninas em idade escolar, mas também mulheres que já têm filhos, constituíram família, moram dentro de um determinado lar, tem um contexto. E esse contexto a gente precisa avaliar se é um contexto que deixa essas mulheres mais vulneráveis ou não. Muitas vezes o sofrimento mental tem como pano de fundo outra forma de violência. Pode ser uma situação de abuso sexual, violência física, desenvolvimento da depressão; são questões que precisamos nos debruçar para pensar em medidas de prevenção, como trabalhar e alcançar essas meninas”, explicou Michele.
A chefa atribui a queda de casos no Amapá ao fato de que a sociedade passou a entender os problemas psicológicos que cada um pode enfrentar, ao entendimento da dor do outro e a vontade de ajudar que surge em muitos quando se deparam com pessoas vulneráveis.
“A gente percebe que as pessoas antes tratavam a depressão como algo que não deveria ser levado a sério, ‘era frescura’, e hoje nós percebemos uma mudança no olhar, na forma como a nossa sociedade lida com a situação. Essa mudança de paradigma com certeza favorece a introdução do cuidado precoce”, avaliou a profissional.
Em época de pandemia, de isolamento social, muita gente achava que os índices de suicídio seriam elevados. No entanto, felizmente, houve um resultado reverso.
“Nessa dinâmica social nós precisamos ficar mais dentro dos nossos lares, nos afastar de determinados convívios. E aí a gente questiona: Será que esses espaços sociais eram espaços que poderiam tornar a pessoa mais vulnerável? Será que o ambiente de casa, o começo do olhar pra dentro, conviver mais, esse olhar familiar favoreceu um pouco mais o cuidado com essas pessoas? Então, tudo isso a gente coloca como questão”, apontou.
Embora as mulheres sejam as vítimas mais comuns, a dificuldade em falar e externar as dores é comum entre os homens.
“Quando você fala, há um esvaziamento daquela angústia, você fica mais permeável ao cuidado. Consequentemente, os homens têm um pouco menos de espaço de palavra, mas a gente percebe que isso tem a ver com a construção machista, a ideia de que precisamos de um homem forte, que não chora; será que se desconstruirmos isso, a gente vai conseguir introduzir cuidado para esses homens?”, finalizou Michele Maleamá.
Se você sente que precisa de ajuda, saiba que existe uma rede de apoio gratuita disposta a cuidar. Ligue para o número 188 do Centro de Valorização da Vida (CVV) e converse com um voluntário, ou ainda, você pode procurar atendimento nos seguintes locais:
-AMBACS- Rua Redenção, nº 432, bairro Jardim Marco Zero;
-CAPS III Gentileza- Avenida Mãe Luzia, nº 994, bairro Laguinho;
-UBS Rosa Moita- Avenida Pequilo Góes de Almeida, nº 294, bairro Nova Esperança. Contato (96) 98813-3449;
-UBS São Pedro- Rua Jovino Dinoá, nº 3985, bairro Beirol. Contato (96) 98813-8813;
-UBS Pedro Barros- Passagem Dona Márcia, nº 0445, Fazendinha. Contato (96) 98113-3496.
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