Psicólogo defende mais engajamento do que só empatia por dramas como violência e queimadas
Psicólogo amapaense André Romero fala sobre as pressões exercidas pelos problemas como racismo, violência policial e doméstica, com impactos à saúde mental das pessoas.

Cleber Barbosa
Da Redação
O psicólogo André Romero, que assina a coluna “Saúde Mental” no programa Café com Notícia, da Diário FM (90,9) disse que mais do que ter empatia pelos dramas atuais como racismo, violência policial, doméstica e até as queimadas, as pessoas deveriam de fato se engajar e ajudar a combater tais práticas.
Ao lado do professor Daniel Chaves, que também assina coluna naquela atração jornalística, ele debateu com profundidade a conjuntura atual, lembrando que outros fatos de grande repercussão, como os incêndios na catedral de Notre-Dame ou no Museu Nacional do Rio de Janeiro, a tragédia de Brumadinho, quando as pessoas ensaiam engajamento, criando hastags e reproduzindo fotos da causa, fica por aí, sem avançar mais que isso.
Para ele, abordar os temas que tanto afligem o conjunto da sociedade é uma necesisdade para profissionais como os psicólogos. “Tudo que permassa a vida psíquica a gente a gente tem que estar comentando e obviamente que para falar de sociedade e de cultura termos que falar de saúde mental e vice-versa, então a saúde mental se constitui a partir do processo de cultura e devemos falar hoje e sempre sobre a questão da violência, do racismo, pois dispensa até referências [a necessidade]”, disse o especialista.
Violência policial
Sobre o lamentável episódio envolvendo uma pedagoga negra que ao lado de sua família foi vítima de abusos por parte de um policial militar em Macapá no fim de semana, ele disse que o sentimento de empatia das pessoas em relação ao episódio precisa ser colocado em xeque. “O caso só tomou essa proporção porque foi gravado, teve uma viralisação na web nacionalmente, e os casos de abuso de autoridade no dia a dia ocorrem aos milhares e as próprias poessoas que hoje estão criticando são aquelas que em outras situações legitimam e aprovam essa conduta, dizendo algo como ‘alguma pessoa estava devendo’ em relação a abordagem policial”, pondera.
Por fim, ele abordou questões ligadas a racismo, xenofobia e misogenia, uma subjetivação para a violência contra a mulher, ransos de uma sociedade machista, que ainda trata a mulher com repulsa e inferiorização, além de uma descabida fantasia masculina de poder, algo que todos precisam olhar para um ódio incompreensível.
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