Doações para campanhas via financiamento coletivo e pela internet atingem R$ 9,2 milhões
Valor ainda representa pouco da arrecadação geral dos candidatos. Apesar disso, PT, PSOL e Novo lideram com mais de 50% dos recursos repassados pelos eleitores

O financiamento coletivo de campanha, as chamadas vaquinhas, e as doações feitas pela internet somam até agora R$ 9,2 milhões. Embora todos os candidatos estejam autorizados a utilizar essa forma de arrecadação, cerca de 51% dos valores foram obtidos apenas por integrantes de PSOL, PT e Novo.
Comparado com o total de arrecadação de todas as candidaturas, o financiamento coletivo ou via internet ainda representa muito pouco, cerca de 0,5%, como mostra um levantamento feito nos dados de prestação de contas dos candidatos enviados.
Na avaliação do professor da FGV Direito Rio Michael Mohallem, parte do baixo percentual do financiamento coletivo é explicado pelo aumento expressivo dos fundos eleitoral e partidário. Somente o Fundo Eleitoral soma cerca de R$ 2 bilhões para este ano, o que acaba reduzindo o peso proporcional das demais fontes de financiamento.
Esta é a primeira eleição municipal em que foi autorizado financiamento coletivo para campanhas. O uso da internet como plataforma de arrecadação via site dos partidos ou do candidato, por outro lado, já tinha sido aplicado em 2016. Em 2018, na eleição nacional, o financiamento coletivo foi autorizado pela primeira vez no Brasil.
Para Mohallem, que também coordena o Centro de Justiça e Cidadania da FGV, a ampliação dos recursos públicos de campanha também explica o baixo interesse de muitos partidos por buscar formas e estratégias de financiamento coletivo mais eficientes.
“O financiamento coletivo e as doações pela internet, de fato, ainda não atingiram todo o seu potencial a meu ver. Houve um aumento expressivo dos recursos públicos, e isso gerou duas consequências. A primeira é que a proporção do financiamento coletivo ou via internet acaba ficando muito baixa, e a segunda é que os partidos foram desestimulados a buscarem doações dos eleitores. Não sou contra que haja algum tipo de financiamento público, porque ele é mais democrático. Mas o aumento expressivo do fundo eleitoral acomodou os partidos. Eles precisam desenvolver essa cultura de convencer os eleitores a doar recursos”, explica Mohallem.
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