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Retrospectiva 2020: Naufrágio na boca do Rio Jarí deixa 42 mortos

Navio tinha como destino a cidade de Santarém (PA). No total, 42 pessoas morreram e 51 foram resgatadas com vida.


Elden Carlos
Da Redação

 

Uma viagem que deveria durar 36 horas – entre as cidades de Santana (AP) e Santarém (PA) – foi interrompida cerca de 11 horas depois que o navio Anna Karoline III desatracou da área portuária de Santana, levando a bordo 94 pessoas entre tripulantes e passageiros.

Segundo as investigações, a causa principal do naufrágio foi excesso de carga. O navio tinha capacidade para transportar 89 toneladas de cargas, mas naquela viagem ficou constatado que o Anna Karoline levava 170 toneladas de produtos. Testemunhas relatam que por volta de 5h da madrugada de sábado (29) chovia e ventava forte. Outra embarcação estaria fazendo o reabastecimento do navio na região entre a Ilha de Aruãs e a Reserva Extrativista Rio Cajari, na boca do rio Cajari, quando a embarcação virou.

Muitas pessoas estavam dormindo em redes e camarotes. Uma única família, que viajava para participar de um aniversário em Santarém, perdeu pelo menos 16 familiares. Uma força-tarefa foi criada pelo governo do Amapá e contou com apoio do governo paraense. Aeronaves e embarcações foram enviadas para a região. O município de Gurupá (PA) serviu como base de operações por ser o local mais próximo para aterrissagem e decolagem de helicópteros e aviões e suporte para as embarcações envolvidas na missão de resgate.

Os corpos foram emergindo ao longo de duros, tristes e desgastantes dias de buscas. Alguns cadáveres foram recolhidos em avançado estado de decomposição. O trágico acidente marítimo resultou na morte de 42 pessoas. 51 foram resgatadas com vida. O corpo de um dos passageiros nunca foi encontrado.

No dia 21 de março foi iniciado o plano de reflutuação do navio. O Anna Karoline estava a 12 metros de profundidade e mais de 442 metros da margem do rio. Nove dias após a aprovação pela Marinha do Brasil, o comboio de embarcações responsável pela reflutuação chegou ao sul do Amapá para iniciar os primeiros procedimentos.

Após um mês do naufrágio, a embarcação foi retirada do leito do rio e arrastada até a margem. A operação de guerra contou com um comboio composto por embarcações e equipamentos como guindastes, flutuadores e materiais de mergulho. Além do maquinário, 33 profissionais da empresa contratada aturam na missão, com apoio de diversos órgãos e um esquema de segurança desenhado para o procedimento.

No dia 4 de abril o navio foi colocado na posição vertical para facilitar a vistoria nos compartimentos e 5 corpos foram encontrados subindo para 39, naquele momento, o número de mortos.
A embarcação, que já havia sido periciada no Amapá, onde cinco corpos foram retirados de camarotes, foi liberada para que a empresa proprietária providenciasse o reboque para Santarém. O navio chegou ao município paraense no dia 10 de abril e estava atracado em um porto no bairro Prainha.


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