Com sintomas iniciais leves, variante do coronavírus faz jovens agravarem, alerta cardiologista
Dra. Ana Chucre, cardiologista e integrante do Comitê Médico e Científico de Enfrentamento à Covid no Amapá, aponta alguns fatores que estão levando esse público a ser ‘alvo’ do vírus neste segundo pico da pandemia no país.

Railana Pantoja
Da Redação
Uma das características mais claras da variante brasileira do novo coronavírus é ter jovens infectados e agravando rapidamente. Ana Chucre, cardiologista e integrante do Comitê Médico e Científico de Enfrentamento à Covid no Amapá, aponta alguns fatores que estão levando esse público a ser ‘alvo’ do vírus neste segundo pico da pandemia no país.
“O que mudou do ano passado pra agora é que os jovens perderam o medo da Covid, as pessoas estão aglomerando. E quem se movimenta mais? Os jovens, adultos jovens na faixa etária de 20 a 45 anos, ou seja, ficam mais expostos. Uma característica da cepa nova é que os sintomas iniciais são quase imperceptíveis, muitos pacientes acham que é uma rinite alérgica ou quadro gripal leve. E aí, a fase viral passa despercebida e rapidamente evolui para a fase inflamatória”, avaliou Ana Chucre.
Segundo a médica, a Covid é uma doença inflamatória que “atinge logo os vasos e causa vasculite”.
“A vasculite é o processo inflamatório dos vasos de forma disseminada, pegando todo o corpo, do cérebro até a ponta do pé. E quais são os vasos mais importantes e fáceis de acometer com inflamação? Coronária, cerebral e renal. Se a gente consegue fazer diagnóstico de forma precoce, mesmo que digam que o tratamento é ‘20%’ eficaz, isso significa muita coisa, é melhor do que agravar. A população precisa entender que a cepa é muito mais contagiosa”, alertou.
Uma das explicações para o agravamento rápido de jovens, segundo a médica, é o fato de muitos terem comorbidades e não saberem. Além disso, já se sabe que a fração do vírus, mesmo inativado, libera proteínas que permitem processos inflamatórios.
“É uma doença que a gente aprende todo dia, mas sabe-se hoje que o paciente evoluído para a forma grave tem que ampliar o tempo de coagulante, precisamos ficar monitorando o paciente, principalmente aqueles que têm algum grau de comorbidade, como a diabetes, hipertensão e obesidade. Estamos vendo jovens morrerem, adoecendo de forma rápida, coisa que antes não acontecia”, ponderou a médica.
Dra. Ana Chucre finaliza frisando que “não adianta se encher de álcool e não usar máscara corretamente. Não adianta se esconder da polícia e da fiscalização nas festas clandestinas, tem que se esconder é do vírus, ele é que mata”.
Debate
Na manhã desta sexta-feira (12), a médica, que participou da criação do protocolo terapêutico de tratamento contra a Covid no Amapá, deu mais informações sobre a doença durante uma live com o ex-prefeito de Macapá, Clécio Luís.
“Dra Ana, Dr. Marco Túlio e Dr. Pedromar Valadares, juntamente com o enfermeiro Patrício Almeida, nos apresentaram uma alternativa de tratamento precoce que eles estavam elaborando, lá no começo da pandemia. Não tenho dúvidas que o tratamento precoce fez toda a diferença”, falou Clécio Luís.
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