1 ano de pandemia: em 2021, Amapá ‘revive’ transtornos de 2020 com efeitos mais devastadores
Não podemos dizer que este 1º ano de pandemia passou rápido. Para muitos, o tempo não passou, a ficha de ter perdido um ente querido sem chance de despedida ainda não caiu e o fato de estarmos revivendo os mesmos problemas de 2020 nos dão a sensação de aprisionamento no tempo.

Railana Pantoja
Da Redação
Pós-carnaval e o Brasil identificava a primeira contaminação pelo novo coronavírus, em 2020, enquanto a Europa já registrava centenas de casos da Covid-19. No Amapá, ainda em janeiro daquele ano, o Governo do Estado anunciava a criação de um Comitê, responsável pela elaboração do plano de contingenciamento para enfrentar o vírus.
Em março, o Brasil declara transmissão comunitária no país e, no mesmo mês, também registra a primeira morte pela doença. No Amapá, era 20 de março quando o governo estadual confirmou o primeiro caso da Covid-19. No mesmo dia, começa a vigorar o primeiro de muitos decretos recomendando o isolamento social e outras medidas restritivas.
Atividades comerciais, religiosas, culturais, esportivas, funcionalismo público e prestação de serviços não essenciais tiveram horário reduzido e posteriormente foram fechados. As forças de segurança davam início à operação Covid, orientando a população e fiscalizando estabelecimentos. A ação se repete até hoje, um ano depois, e decretos continuam sendo a orientação dos comportamentos sociais, embora muitos cidadãos descumpram.
4 de abril e o estado amapaense registra o primeiro óbito em decorrência do novo coronavírus. A vítima foi um homem, de 60 anos, morador de Macapá. Até então, eram apenas 29 casos positivos da doença.
Em 18 de abril, quando caminhávamos em alta, as máscaras passaram a ser de uso obrigatório em qualquer atividade ou espaço que estivesse autorizado a funcionar. No fim daquele mês, já eram registrados 1.016 casos positivos e 31 óbitos.
Daí em diante tivemos altas e mais altas, até que atingimos o nosso pico nos meses de maio e junho. Em maio, foram registrados 185 óbitos e os casos positivos já ultrapassavam a casa dos nove mil. Foi neste mês que o governo estadual optou por decretar o primeiro lockdown, a medida mais extrema para conter o avanço do novo coronavírus, dado o momento de pico da Covid-19 em todos os municípios e a saúde colapsando.
Em junho, mais um susto: 189 óbitos no mês. Em julho, 145. Agosto, mesmo com um número significativo ainda de mortes, houve uma queda e fechou o mês com 93 óbitos. Em setembro mantivemos a queda e entramos em estabilidade, registrando 46 óbitos. Outubro contabilizou 36 mortes. Novembro registrou 59 óbitos. E dezembro fechou o ano com 97 vidas perdidas.
Janeiro de 2021 e a esperança é acesa quando o Ministério da Saúde anuncia o início da imunização contra a Covid-19 em todo o país. No Amapá, no dia 19 de janeiro, uma enfermeira, um indígena e uma idosa institucionalizada foram os primeiros vacinados. Em seguida, teve início a vacinação de todos os profissionais da saúde, idosos institucionalizados e indígenas que moram em aldeias.
Em fevereiro a vacinação segue e alcança idosos não institucionalizados, com idade de 85 anos ou mais. Neste mês, houve uma pequena diminuição no número de mortes, comparando com dezembro de 2020: 87 vidas perdidas.
E em março de 2021, exatamente um ano após o início da pandemia no estado, estamos vivendo novamente o cenário de 2020, mas, desta vez, com uma agravante: as variantes do novo coronavírus. A cepa brasileira, mais transmissível e letal, foi identificada no Amapá. O Centro Covid HU abre leitos e mais leitos para tentar atender a demanda de pacientes.
9 de março e o governo do Estado volta a endurecer as medidas restritivas, decreta toque de recolher e fecha serviços não essenciais aos fins de semana. Mesmo assim, o estado segue em crescente e beira a classificação de risco roxo, a mais preocupante.
16 de março e o governador Waldez Góes apresenta dados epidemiológicos da semana anterior: o Amapá entrou na faixa roxa, de risco muito alto para a covid. Óbitos diários cresceram 82%, UBSs Covid têm alta de 84% nos atendimentos, hospitais particulares ultrapassam 97% de ocupação dos leitos de UTI e o público se aproxima dos 94%.
Para conter o avanço da doença, um novo decreto anuncia lockdown novamente no Amapá. A medida entra em validade no dia 18 de março e esta vez com duração de 7 dias. E novamente, quem cumpriu todas as medidas preventivas foi penalizado por culpa das pessoas que ignoram a presença do vírus.
Não podemos dizer que este 1º ano de pandemia passou rápido. Para muitos, o tempo não passou, a ficha de ter perdido um ente querido sem chance de despedida ainda não caiu e o fato de estarmos revivendo os mesmos problemas de 2020 nos dão a sensação de aprisionamento no tempo.
Qual é a nossa esperança? Vacina para todos. E mesmo depois de vacinados, por um tempo precisaremos continuar usando máscara e mantendo todas as medidas preventivas. Mas enquanto não tem vacina para todos, seguimos na esperança de dias melhores e com fé, independente da religião que você siga.
Imagens: Joelson Palheta/DA e Secom/GEA
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