Polícia

Polícia Civil reconstitui assassinato do tenente PM Kleber Santana

Kleber foi morto pelo colega de farda, o capitão reformado da Polícia Militar Joaquim Pereira da Silva, de 61 anos, que fugiu do local após ter efetuado quatro disparos. O acusado se apresentou no dia seguinte e alegou legítima defesa.


Elden Carlos
Editor-chefe

A Delegacia de Homicídios reconstituiu na manhã deste sábado (05) o assassinato do tenente PM Kleber dos Santos Santana, de 42 anos, que foi morto com um tiro na cabeça na manhã do dia 24 de fevereiro deste ano, no interior do carro que ele dirigia pela Rua Odilardo Silva, Centro. O caso ocorreu por volta de 7h no cruzamento com a Avenida Cora de Carvalho.

Kleber foi morto pelo colega de farda, o capitão reformado da Polícia Militar Joaquim Pereira da Silva, de 61 anos, que fugiu do local após ter efetuado quatro disparos. O acusado se apresentou no dia seguinte e alegou legítima defesa. Depois de ouvido, foi liberado para responder em liberdade.

De acordo com o delegado Luiz Carlos, que preside o inquérito, a reprodução deste sábado foi para esclarecer dúvidas que ainda pairavam sobre a dinâmica do crime. “Ainda havia várias ‘pontas soltas’ desse caso. Trouxemos algumas pessoas que testemunharam o crime e as posicionamos nos exatos locais onde elas se encontravam naquela manhã. A perícia também é decisiva para esclarecer a dinâmica dos segundos que antecederam os disparos e saber, por exemplo, se existiu a legítima defesa, ou não. A Politec tem dez dias para emitir o laudo conclusivo, mas acreditamos que isso ocorra antes do prazo legal. Em seguida, faremos a conclusão do inquérito. Ainda temos algumas testemunhas que serão ouvidas nos próximos dias para que não reste, ao fim, nenhuma dúvida”, declarou Luiz Carlos.


Delegado Luiz Carlos preside o inquérito

 

Acusação

O advogado Marcelino Freitas atua na acusação. Ele afirmou durante a reconstituição que o tenente Kleber foi assassinado de forma covarde, e que não havia necessidade dos disparos por parte do capitão reformado. “Legítima defesa? Não foi isso não. Houve um desentendimento corriqueiro no trânsito e o acusado perseguiu o carro do meu cliente e de maneira viu atirou pelas costas, sem dar chance de defesa à vítima. É importante esclarecer que o Kleber estava transportando o filho, de 4 anos, no banco de trás, e por um milagre a criança também não foi morta, já que foram disparados quatro tiros que passaram muito próximos a ela. Foi um assassinato covarde e por motivo fútil”, disse o advogado do tenente morto.


Marcelino Freitas foi contratado pela família da vítima para atuar na acusação

 

Defesa

A defesa do capitão Joaquim Pereira é patrocinada pelo advogado Charles Bordalo. Ele sustenta a tese de legítima defesa por parte do capitão reformado. “Não existe perseguição do meu cliente à vítima. O que houve, na verdade, foi que o tenente emparelhou o carro dele ao do meu cliente, baixou o vidro, o chamou de filho da p.. e apontou a arma. O Joaquim, como militar altamente preparado, ante a ameaça, desacelerou e efetuou os disparos com o carro em movimento. Depois, desembarcou e se abrigou. Então, houve claramente uma legítima defesa diante da ameaça imposta a ele. Infelizmente um dos disparos atingiu a vítima fatalmente”, declarou.


Advogado Charles Bordalo atua na defesa do capitão acusado do crime

Reportagem e fotos: Jair Zemberg


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