Wellington Silva

Nativos e desprotegidos


Não é a primeira vez que ativistas, ambientalistas, pesquisadores, e jornalistas são mortos na Amazônia por levantarem bandeiras em defesa das comunidades indígenas, de pescadores, ribeirinhos e comunidades tradicionais.

Já estava evidente demais que os desaparecimentos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips tinham motivação política com fortes implicações de dominação territorial. E, na tarde desta quinta-feira, dia 14, finalmente os restos mortais de ambos foram trazidos para Brasília em uma aeronave da Polícia Federal, para perícia médica, trabalho que será realizado pelo Instituto Nacional de Criminalística.

Mas, a grande questão crucial a ser discutida é:

Até quando as comunidades indígenas, tradicionais, ribeirinhas e de pescadores, que habitam a imensa região amazônica, ficarão desprotegidas e à mercê de invasores de toda sorte, verdadeiros predadores, poluidores de rios e saqueadores, onde tudo fazem e acontecem, como se estivessem num bordel ou em terra sem lei?

Até quando a Polícia Federal ficará sem a necessária suficiência de recursos humanos, aéreo, tecnológico, logístico, físico, para eficientemente combater tais crimes?

Até quando as Forças Armadas não disporão de recursos suficientes para eficientemente proteger nosso sofrido povo nativo?

Entra governo e sai governo, tempo passa e aqui e acolá nos deparamos com fatos desagradáveis e vergonhosos desta natureza, envergonhados perante a comunidade internacional.

O Estado do Amapá, por exemplo, é um clássico e histórico exemplo. A única aeronave de asa rotativa que dispomos é um helicóptero adquirido pelo governo amapaense, o GTA, e, antes, dois aviões Bandeirantes, ambos adquiridos no governo Annibal Barcellos, nos anos 80. Não dispomos sequer de um Grupamento Tático Aéreo Transportado, C-130, Búfalo ou algo mais moderno, muito menos de helicópteros de patrulha ou um caça Tucano. E de lembrar que o Amapá é uma região eminentemente estratégica, isso se olharmos a sua posição geográfica em relação ao mundo.

É somente durante a Segunda Guerra Mundial (1.938/1945) que nossa região é seriamente olhada como necessária área a ser patrulhada. Esse olhar estratégico partiu justamente dos americanos, arquitetos e construtores da Base Aérea do Amapá, hoje, lamentavelmente abandonada.

Urge e já passou o tempo do governo federal construir um olhar mais sério e estratégico sobre a Amazônia envolvendo Forças Armadas, Polícia Federal e forças estaduais de segurança, seja oferecendo recursos suficientes para tal empreitada, seja imediatamente providenciando a aquisição de aeronaves, helicópteros de patrulha e ataque e caças para ataque interceptação, bem como fuzis, munições, armas e recursos suficientes para atividades das equipes de patrulha em solo.

Que tal criar e treinar grupamentos, pelotões ou batalhões indígenas, dotando-os de recursos, armas, equipamentos suficientes para sua defesa, justamente incluindo-os em forças de segurança federal e estadual, quer seja no Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Federal, IBAMA e Batalhões Ambientais?

Senhores, eis um caminho racional e plausível!