Wellington Silva
A urgente necessidade de se discutir a diversidade

O auditório da Universidade do Estado do Amapá-UEAP foi recentemente palco de interessante encontro de professores e acadêmicos para debater a cultura e a diversidade na educação das crianças da Amazônia.
Foram apresentados interessantes trabalhos acadêmicos sobre o tema, tais como o da professora Socorro Crespo, que fez uma abordagem sobre os estereótipos muito presentes em “historinhas” de contos de fadas, na verdade, nada mais que cenários culturais europeus que em quase nada tem de relação com a nossa histórica identidade cultural afro-ameríndia, por exemplo.
Convicta de que o momento foi fundamental para um bom processo de discussão e de amadurecimento da questão, a pesquisadora foi enfática:
“Poder ter o contato direto com esses professores que vieram até o seminário é muito importante. Espero que a mesa de hoje incentive-os a ressignificar em sala de aula algumas imagens trazidas por histórias infantis, muitas vezes importadas de uma realidade europeia distante da nossa, que pode até atrapalhar a criança em relação a questões como a compreensão de sua identidade e imposição de padrões de beleza”.
Chamou também a atenção a conferência da professora doutora da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Tânia Lobato, que abordou a temática “Culturas e diversidades amazônicas: o protagonismo das crianças nas pesquisas”. Falou da necessidade de se observar as peculiaridades e as diversidades que devem ser levadas em conta quando o educador olhar a sua programação de atividades para as crianças da Região Norte do Brasil.
É mister novamente afirmar, e não me canso de dizer isso, que profissão de fé é uma coisa e a identidade cultural de um povo é outra coisa completamente diferente!
Evidentemente, a fé não se discute, se sente!
Já a identidade cultural de uma comunidade, obviamente, é algo historicamente intrínseco como processo perene de pleno pertencimento, como no caso, o nosso tradicional e secular Marabaixo.
Entender o outro, o diferente, aquilo que culturalmente não se conhece, e não se sabe o que é, hoje é muito mais do que um simples fator de curiosidade. É uma necessidade vital para a boa convivência harmônica com aquilo que culturalmente classificamos de “diferente”, de “oculto”, justamente porque não sabemos e desconhecemos o conceito e o que é exatamente aquilo que nós erroneamente entendemos ou interpretamos como algo “demoníaco”, e tudo por pura e completa falta de leitura!
E foi exatamente neste sentido que no período de 20 a 21 de outubro de 2016 nós realizamos no Museu Sacaca, como o apoio da Academia Amapaense Maçônica de Letras, o I Encontro da Diversidade Cultural e Religiosa no Estado do Amapá. Isto, quando o tema diversidade ainda era um grande “tabu” e muito pouco falado.
Mas, no frigir dos ovos, o evento foi um sucesso tanto a nível de participação como de grande congraçamento entre culturas, entre religiosos, e enfim, entre a nossa tão rica diversidade cultural, a um tal ponto, de realizarmos o II Encontro no dia 13 de outubro de 2017, também no Museu Sacaca.
Hoje, mais que nunca, discutir, conhecer e procurar entender a nossa rica diversidade deve ser sempre algo plural com o envolvimento de toda a comunidade tucuju.
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