Polícia

Crime organizado deixa de faturar R$ 20 milhões em comércio extorsivo de alimentos no Iapen

Revelação é do diretor da penitenciária, delegado Luiz Carlos, durante esclarecimento a respeito dos acontecimentos do fim de semana no local, por causa de atrasos na entrega de refeições aos presos


 

Douglas Lima
Editor

 

O crime organizado que opera dentro do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen) nos últimos dois anos deixou de faturar cerca de R$ 20 milhões no comércio extorsivo de alimentos que fazia no estabelecimento.

 

A revelação foi dada nesta terça-feira, 13, no programa ‘LuizMeloEntrevista’ (Diário FM 90,9), pelo diretor do Iapen, delegado de polícia civil Luiz Carlos Júnior, durante fala sobre as ocorrências do último fim de semana acerca das refeições fornecidas aos presos por empresa particular.

 

 

O diretor lembrou que quando ele assumiu o cargo na penitenciária, há dois anos, havia uma empresa que fornecia três refeições por dia aos detentos. Como reclamavam que passavam fome, alegando que as três alimentações não eram suficientes, a Vara de Execuções Penais autorizou que familiares levassem comida para eles.

 

O delegado Luiz Carlos revelou que com a entrada de alimentos o crime organizado no Iapen passou a ter uma nova fonte de renda. Tomando à força o quê entrava de comida no local, os integrantes das facções passaram a comercializar tudo, internamente, a preços absurdos. E mais: exigiam que as famílias levassem ainda mais produtos de consumo alimentar sob pena dos presos sofrerem castigos.

 

Luiz Carlos Júnior, como providência, abriu licitação para contratação de outra empresa fornecedora de alimentos, desta feita para entrega de cinco refeições, diariamente, eliminando, assim, a entrada de alimentos levados pelas famílias dos apenados e, por conseguinte, a milionária fonte de renda do crime organizado.

 

Fim de semana

A respeito dos acontecimentos do último fim de semana, o diretor da penitenciária, Luiz Carlos Júnior, deixou implícito que foi algo organizado, em razão da velocidade com que o caso chegou nas redes sociais e até com rápida manifestação de cerca de 60 pessoas em frente ao estabelecimento, dizendo que os presos estavam passando fome.

 

“Não dá pra afirmar que foi um caso programado, mas, cerca de uma hora depois houve uma ação coordenada nas redes sociais com uma série de ataques, e ainda a manifestação em frente ao Iapen”, descreveu o delegado, ressaltando que o motivo deva ter sido o processo licitatório que ora corre para contratação de nova empresa fornecedora de alimentos.

 

O diretor da penitenciária descreveu que concretamente a janta de sábado chegou atrasada com erro no peso e sem proteína. Os presos protestaram, batendo nas grades. A direção do Iapen procurou a empresa, que prometeu fazer correção, mas no domingo houve atraso de três horas na entrega novamente da janta. E então todo o protesto nas redes sociais foi logo deflagrado, bem como a manifestação dos familiares de presos.

 


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