Entrevista

“Não existe justiça social sem saneamento básico”

Em sua primeira entrevista após tomar posse no cargo de superintendente, Valdir Ribeiro fala sobre a refundação da Funasa, foco na zona rural, parcerias com municípios e entrega de melhorias sanitárias de Oiapoque ao Vale do Jari


 

Cléber Barbosa
Da Redação

 

Diário – Superintendente Valdir Ribeiro, seja bem-vindo à Rádio Diário FM. Parabéns pelo novo desafio. Qual a importância dessa primeira conversa com a sociedade e principalmente com os municípios?
Valdir Ribeiro – Muito obrigado. Agradeço ao Sistema Diário por abrir esse espaço pra iniciar um primeiro diálogo com a comunidade e com os municípios. Eu quero que essa entrevista chegue aos municípios, porque é muito importante que eles estejam atentos. A Funasa está aqui para fazer parceria e fazer com que o saneamento básico e a educação ambiental se espalhem por todo o nosso estado.

 

Diário – Esse diálogo hoje passa a ser direto com os municípios, então?
Valdir – Exatamente. A Funasa tem por objeto ajudar a desenvolver projetos na área de saneamento básico e educação ambiental. Nosso “cliente” potencial são os municípios, principalmente os que têm zona rural e comunidades ribeirinhas. O planejamento nacional para 2026 tem foco forte na região Norte, em especial a Amazônia. Então nossas ações vão se voltar completamente para os municípios, inclusive para resgatar convênios vencidos e implementar novos projetos.

 

Diário – Muita gente ainda não conhece a Funasa e associa ao passado, à antiga Sucam. Como foi exatamente essa mudança que a Funasa passou?
Valdir – Mudou. Infelizmente, muitos ainda associam à antiga Sucam, mas hoje a Funasa trata especificamente de saneamento básico e educação ambiental. Esse espaço é importante para explicar o que a Funasa faz e por que ela é relevante, especialmente para o gestor municipal acessar convênios e editais.

 

Diário – O senhor mencionou a Sucam. Ainda existem servidores dessa época em atuação?
Valdir – Sim, eu ainda tenho na equipe funcionários da antiga Sucam. E é importante lembrar que a Funasa é resultado da fusão de dois órgãos: a FESP, que atuava em saneamento em áreas distantes, e a Sucam, ligada às endemias. A Funasa existe desde 1991 e hoje concentra sua atuação em saneamento e educação ambiental.

 

Diário – A Funasa chegou a ser extinta e depois voltou. O que muda nessa refundação?
Valdir – A Funasa passou por um processo de extinção, com divergências políticas, mas felizmente continua existindo, agora num processo completo de refundação. Um marco central é a construção do Plano Nacional Rural de Saneamento Básico, porque o plano urbano já é robusto. Agora precisamos olhar para o rural, para comunidades tradicionais, ribeirinhas e quilombolas. E também reforçar a transparência em relação aos convênios e tudo aquilo que é ofertado pela Funasa.

 

Diário – O senhor chegou a dizer uma frase forte: saneamento tem impacto direto na saúde pública. Poderia explicar melhor?
Valdir – Não existe justiça social sem saneamento básico. O saneamento tem impacto direto na saúde pública, porque ajuda a evitar doenças e problemas que depois sobrecarregam as unidades de saúde. E a educação ambiental é essencial para preparar comunidade e gestores sobre tratamento de água, coleta de lixo, módulos sanitários e tudo isso.

 

Diário – Já há entregas previstas no Amapá?
Valdir – Sim. Em março, devemos inaugurar melhorias sanitárias domiciliares (MSD). Devem ser entregues 32 unidades em Vitória do Jari e 31 em Laranjal do Jari. Isso é dignidade: tem gente que não tem vaso sanitário, não tem local adequado para banho. A Funasa vai, constrói, entrega e isso também é saúde pública.

 

Diário – A Funasa é ligada ao Ministério da Saúde. Como foi sua nomeação e esse início de trabalho, especialmente com a nova realidade da concessão pública para a iniciativa privada?
Valdir – Sim, ligada ao Ministério da Saúde. Minha nomeação saiu no dia 6 de janeiro, tomei posse no dia 9 e logo fui a Brasília para uma imersão na sede nacional, entender o processo de refundação e dialogar com o presidente nacional, Alexandre Mota, que é muito dedicado e hoje é um militante do saneamento básico. A gente se inspira nele para fazer um trabalho com excelência no Amapá. O processo de privatização passa a ser responsabilidade da empresa. O foco da Funasa é especialmente nas áreas rurais e nos municípios com menos de 50 mil habitantes, onde o interesse privado não chega. A Funasa vai lá para ofertar saneamento de qualidade.

 

Perfil

Valdir Ribeiro – Graduado em História, tem experiência em diferentes esferas do Poder Legislativo, incluindo passagens na Câmara de Vereadores de Macapá, na Assembleia Legislativa do Amapá, no Senado Federal e na Câmara dos Deputados.

 

BREVE CURRÍCULO
-Além da atuação legislativa, o novo superintendente traz experiência técnica da Superintendência da Vigilância em Saúde do Estado do Amapá, nas gerências de Gestão e Logística e de Patrimônio. “Trabalhando com vigilância em saúde, há um entendimento de como o saneamento é importante para a prevenção de doenças e a melhoria da qualidade de vida da população”, explica Valdir Ribeiro.
– A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) anuncia a nomeação de Valdir Ribeiro como novo superintendente estadual no Amapá, no lugar da servidora Nubia Margarete Neri. Com trajetória na gestão pública e no Legislativo, Ribeiro assume o cargo com a missão de fortalecer a presença da instituição no estado e ampliar as entregas em saneamento básico e saúde ambiental, áreas fundamentais para a qualidade de vida da população amapaense.

 

AÇÕES
– Em suas primeiras agendas Ribeiro participou de reuniões na sede da Funasa, em Brasília, para realizar um levantamento técnico das capacidades da Funasa frente às demandas do Amapá.

 

 


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