Delegado esclarece investigação que levou à prisão de feminicida
Paulo Hemerson alegou que esposa tinha sido vítima de latrocínio; após inconsistência de narrativas e aprofundamento da polícia no caso, ele passou a ser acusado do crime

Elen Costa
Da Redação
Após a prisão de Paulo Hemerson de Oliveira, de 46 anos, pela morte de sua companheira, Locylene Ramos Figueiredo, o delegado que presidiu o inquérito, José Pacheco, da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam, falou sobre as investigações que apontaram a autoria do crime para o marido da vítima.
Inicialmente, devido à versão apresentada pelo suspeito, o caso foi tratado como latrocínio – roubo com resultado morte. Entretanto, após inconsistência de narrativas e aprofundamento na investigação, Paulo Hemerson passou a ser acusado de feminicídio
“Esse é um daqueles casos que nos dá orgulho de ser policial. A princípio o crime foi registrado como uma suposta tentativa de roubo. Só que com o desenrolar das investigações, verificamos que o principal suspeito era o companheiro da vítima. Então, a gente sente orgulho, porque poderia ser mais um homicida solto pela cidade”, declarou Pacheco no Programa LuizMeloEntrevista (90,9) desta quarta-feira, 28.
O crime ocorreu em março de 2023. Locylene tinha 44 anos de idade à época. Ela deu entrada em uma unidade hospitalar com grave ferimento na região da cabeça, inicialmente atribuído à suposta tentativa de assalto. Mas, dias depois, em razão de complicações decorrentes de traumatismo cranioencefálico, ela não resistiu e foi a óbito.
“Quando ele a levou para o hospital ela estava consciente, e ele alegou que ela tinha ido buscar atendimento por causa de uma dor de dente e no trajeto foi agredida por dois homens num suposto roubo. Só que essa alegação caiu por terra, porque a retirou da unidade hospitalar, não permitiu que ela fizesse a tomografia e a levou de volta pra casa, sem avisar nenhum familiar dela. Isso nos incomodou e fomos atrás da verdade. Conseguimos comprovar por meio de testemunhas e legais, que ela era vítima de violência física, emocional e patrimonial”, detalhou a autoridade policial.
No curso das investigações foi descoberto que Locylene tinha sido agredida com um objeto pontudo e não com coronhadas, como foi dito pelo companheiro dela.
“A gente não sabe se ele usou um vergalhão, um estoque, mas a Politec concluiu que foi ferimento com algo perfurocontundente”, disse o delegado.
No mesmo dia, depois de passar mal, Locylene foi levada de volta ao hospital, mas já estava inconsciente. Paulo Hemerson foi capturado por agentes da Deam nesta terça-feira, 27, no barracão de uma escola na Cidade do Samba, na avenida Ivaldo Veras, no bairro Jardim Marco Zero, zona sul de Macapá. Ele teve o mandado de prisão preventiva expedido pela Vara do Tribunal do Júri.
Pacheco destacou que embora Locylene fosse vítima constante de violência doméstica, ela não registrou nenhum boletim de ocorrência contra o agressor.
“Ela era totalmente dependente dele, emocionalmente. E esse tipo de vítima não tem coragem de ir a uma delegacia. Então, aproveito o espaço e faço um alerta em nome da Polícia Civil, para que vizinhos, amigos, familiares que tenham conhecimento de alguma situação semelhante, de alguma mulher que esteja sofrendo qualquer tipo de violência, que esteja sendo agredida, que essa pessoa busque as redes de apoio, as unidades policiais, ou até mesmo o 180 e faça a denúncia, inclusive de maneira anônima, para que a gente possa tomar conhecimento e agir”, orientou o delegado.
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