Nota 10

Festival de Iemanjá celebra 20 anos de resistência e tradição afro-religiosa

Ritual dedicado à divindade das águas reuniu 75 comunidades e abriu a programação oficial pelos 268 anos de Macapá


 

O Governo do Amapá apoiou, nesta segunda-feira, 2, a 20ª edição do Festival de Iemanjá – Tributo à Grande Mãe. O evento, realizado no Complexo do bairro Cidade Nova, na Orla do Jandiá, em Macapá, teve como foco o combate à intolerância e a promoção do diálogo inter-religioso.

 

Consolidado como um dos maiores pilares de valorização das religiões de matriz africana no Norte do Brasil, o festival é realizado pela Federação dos Cultos Afro-Religiosos de Umbanda e Mina Nagô do Amapá (Fecarumina), com o suporte da Fundação Estadual de Promoção de Políticas de Igualdade Racial (Feppir – Fundação Marabaixo).

 

 

A celebração reafirma o compromisso do Estado com a preservação ancestral e abre oficialmente a programação pelos 268 anos de Macapá, comemorados em 4 de fevereiro. A diretora-presidente da Fundação Marabaixo, Josilana Santos, representou o governador Clécio Luís no evento.

 

“O Governo do Amapá apoia o festival como parte de sua política afirmativa e do programa Amapá Afro. Esta é uma celebração da cultura da paz e de combate ao racismo religioso. O governador Clécio Luís incluiu o Festival de Iemanjá no calendário oficial do aniversário de Macapá por reconhecer a importância de valorizar a identidade negra e a nossa ancestralidade”, ressaltou Josilana.

 

Ritos e Tradição

Membros de 75 terreiros de Umbanda e Candomblé se reuniram às margens do Rio Amazonas para entoar cânticos e danças. O tradicional ritual de oferendas priorizou o uso de materiais biodegradáveis, com flores brancas, perfumes e frutas.

 

A presidente da Fecarumina, Mãe Lolete Nunes, de 73 anos, destacou o crescimento do evento.

 

“É motivo de muito orgulho ver o aumento na participação das comunidades. Nossa fé, tradição e devoção estão sendo valorizadas cada vez mais pelo Governo e pela população”, afirmou.

 

Durante a cerimônia, foi anunciado o lançamento da 2ª edição do Edital “Mãe Duce”, voltado para a seleção de projetos de políticas sociais, estruturação, economia do axé, cultura e agroecologia para povos de terreiro.

 

Histórias de Fé

Pela primeira vez na celebração, a aposentada Maria Hilda Prazeres, de 76 anos, expressou sua emoção.

 

“Sinto a presença forte de Iemanjá e dos Pretos-Velhos. Venho de uma família de curadores e hoje busco estudar para me aproximar mais dessa espiritualidade”, relatou.

 

Já a Mãe Jose, do Centro Cultural Axé Alaremi, destacou a resistência da comunidade.

 

“Essa celebração marca nossa fé. Iemanjá me dá paz e serenidade. Infelizmente a discriminação ainda existe, mas continuaremos resistindo”, frisou.

 

Expansão da Política de Inclusão

A edição de 2026 consolidou a expansão do programa para 114 “casas” em sete municípios amapaenses: Macapá, Santana, Mazagão, Calçoene, Laranjal do Jari, Vitória do Jari e Oiapoque. A iniciativa garante que comunidades tradicionais de diferentes regiões tenham acesso a recursos e maior visibilidade institucional.

 

 


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