Maracatu da Favela, marca da tradição do carnaval amapaense
Origem da agremiação está ligada ao processo de urbanização de Macapá, marcado migração de habitantes

Evandro Luiz
Da Redação
O Grêmio Recreativo Escola de Samba Maracatu da Favela é uma tradicional instituição carnavalesca de Macapá, sediada no bairro Santa Rita, conhecido como Favela.
A origem da agremiação está ligada ao processo de urbanização da cidade, quando parte da população migrou para os bairros do Laguinho e da Favela, movimento liderado por dona Gertrudes, responsável por levar para a região elementos culturais, religiosos e da ancestralidade afro-amapaense.
Nesse contexto, dona Gertrudes fundou o Marabaixo da Favela e, juntamente com outros moradores, criou um bloco de sujos que deu origem à Escola de Samba Maracatu da Favela.
O território da Favela, inicialmente consolidado como espaço de resistência cultural, foi ao longo dos anos incorporado à malha urbana, ficando atualmente dividido entre os bairros Santa Rita e Centro, área hoje valorizada pela urbanização e pela especulação imobiliária.
Embora tenha sido registrada oficialmente em 15 de dezembro de 1957, a história da escola remonta ao fim da década de 1940, com o bloco ‘Bandoleiros da Orgia’, criado pelo carioca Vagalume e formado por trabalhadores da empresa Icomi. Posteriormente, o grupo passou a se chamar ‘Tricolores da Folia’, até adotar definitivamente o nome Grêmio Recreativo Escola de Samba Maracatu da Favela, em reunião realizada na residência de dona Gertrudes, com a participação de antigos integrantes.
As cores azul, branco e preto foram mantidas do pavilhão original, sendo acrescidas as cores verde e rosa apenas na década de 1970, durante a presidência de Azedo Picanço.
O brasão oficial da escola é composto por quatro símbolos: o surdo, que representa o samba; a coroa, símbolo da realeza do samba no Amapá; as folhas de louro, que remetem às vitórias; e a Pomba da Santíssima Trindade, que expressa a religiosidade do bairro.
O Maracatu da Favela participou de todas as batalhas de confetes e dos desfiles oficiais do carnaval amapaense, conquistando nove títulos pela Liga das Escolas de Samba do Amapá, nos anos de 1976, 1978, 1983, 1985, 1999, 2003, 2007, 2012 e 2013.
O bicampeonato foi alcançado com os enredos ‘Espelho, espelho meu…’ (2012) e ‘Tic-tac – é tempo de folia’ (2013).
A escola também se destaca por ações formativas, sendo a primeira do Amapá a criar uma escola preparatória para casais de mestre-sala e porta-bandeira e a única a manter uma escola de samba mirim no estado, que desfila na terça-feira de carnaval pelas ruas do bairro Santa Rita.
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