Movimento ‘SOS Soli’ ganha força e comunidade pede afastamento do presidente da Escola Solidariedade
De acordo com representantes, há insatisfação com a condução administrativa da escola ao longo dos últimos anos; atual presidente está à frente da agremiação desde 2013; estatuto instituiria modelo de presidência vitalícia e com possibilidade de sucessão hereditária

Douglas Lima
Editor
Representantes da tradicional Escola de Samba Solidariedade, do bairro Jesus de Nazaré, antigo Jacareacanga, estiveram nesta quinta-feira, 19, no programa ‘LuizMeloEntrevista’ (Diário FM 90,9), para tornar públicas as reivindicações do movimento ‘SOS Soli’, que pede mudanças na gestão da agremiação e o afastamento do atual presidente, Jair Sampaio Participaram da entrevista Élcio do Rosário, conhecido como ‘Perereca’, e Marcelo Borges, ambos integrantes da comunidade e do movimento que, segundo eles, já vem sendo articulado há mais de um ano.
De acordo com os representantes, o movimento nasceu da insatisfação da comunidade com a condução administrativa da escola ao longo dos últimos anos. O atual presidente está à frente da agremiação desde 2013. “Essa luta não começou agora. A situação vem se agravando ao longo do tempo. A comunidade sempre ajudou, sempre entrou para completar alas, finalizar fantasias, para colocar a escola na avenida. Mas chegou um momento em que não dá mais”, afirmou Marcelo Borges.
Um dos pontos centrais das críticas diz respeito a alterações no estatuto da escola que, segundo o movimento, teriam instituído um modelo de presidência vitalícia e com possibilidade de sucessão hereditária. Os representantes também questionam a composição do conselho deliberativo. “Hoje, quem tira e quem coloca é um conselho que ele mesmo criou e preside. A comunidade ficou sem voz. Não temos acesso às decisões e não participamos da gestão”, declarou Élcio do Rosário.
Desfile marcado por tensão
Durante a entrevista, os integrantes do SOS Soli também comentaram o episódio ocorrido no desfile deste ano, quando a escola entrou na avenida com atraso superior a 30 minutos. Parte da comunidade não desfilou e acompanhou a apresentação como espectadora, em forma de protesto silencioso. Eles rechaçaram a acusação de ‘operação tartaruga’ ou qualquer tipo de ação articulada para prejudicar a agremiação.
“Não houve operação nenhuma. A comunidade jamais faria algo contra a própria escola. O que houve foi falta de gestão. A gente estava ali com o coração partido, mas de forma pacífica”, reforçou Marcelo.
Medidas judiciais e pedido de afastamento
Segundo os representantes, integrantes do movimento foram acionados judicialmente pelo presidente sob alegação de calúnia e difamação. No entanto, afirmam que decisões recentes da Justiça reconheceram a legitimidade do movimento. Agora, o grupo se organiza para protocolar formalmente pedido de afastamento do dirigente, com base nas mudanças estatutárias e na forma de condução administrativa da escola.
“Nossa luta é pacífica e ordeira. Estamos nos organizando dentro da legalidade para devolver a escola à comunidade”, afirmou Élcio.
Apelo pelo resgate da história
Fundada por lideranças históricas do bairro, a Solidariedade é considerada símbolo cultural do antigo Jacareacanga. Durante a entrevista, os representantes destacaram que a escola possui sede própria, construída com esforço coletivo da comunidade, e lamentaram o que classificam como afastamento dos fundadores e da base comunitária.
“Não se faz carnaval sem comunidade, sem história. A Solidariedade nasceu do povo do bairro e é para o povo do bairro”, disse Élcio, emocionado.
O movimento informou que continuará mobilizando moradores e simpatizantes, inclusive com atos públicos e manifestações pacíficas, até que haja mudanças na condução da agremiação.
Deixe seu comentário
Publicidade


