Lúcia Tucuju apresenta espetáculo com histórias indígenas em Macapá
Arandu será apresentado nesta terça-feira, 31, às 18h30, na Biblioteca Elcy Lacerda, com entrada gratuita e classificação livre

Douglas Lima
Editor
Depois de percorrer palcos pelo Brasil e até no exterior, a artista amapaense indígena, Lúcia Tucuju, retorna à terra para uma apresentação especial e carregada de significado. Nesta terça-feira, 31, ela sobe ao palco da Biblioteca Pública Elcy Lacerda com o espetáculo ‘Arandu: Histórias Indígenas’, em sessão gratuita, a partir das 18h30.
Mais do que uma apresentação artística, o espetáculo é um reencontro com a memória, a ancestralidade e a identidade amazônica. Inspirada nas narrativas que ouviu ainda na infância, contadas por sua avó, Lúcia conduz o público por histórias que atravessam gerações e resistem ao tempo, não como lendas, mas como vivências reais dos povos originários.
“São histórias que eu ouvi quando criança, que foram sendo revisitadas ao longo da minha trajetória. Para nós, não são lendas. São histórias que fazem parte da nossa existência”, destacou a artista durante fala no programa ‘LuizMeloEntrevista’ (Diário FM 90,9) desta terça-feira.
Especialista em literatura infantojuvenil e também em psicopedagogia, Lúcia construiu uma carreira que une arte, educação e militância cultural. Além de atriz e contadora de histórias, ela também atua como escritora e palestrante, levando saberes indígenas para escolas e espaços culturais em diferentes regiões do país.
No espetáculo, o público pode esperar uma experiência sensorial e intimista, marcada por música, oralidade e interação. Instrumentos tradicionais, como o maracá, o chocalho e o chamado pau de chuva, ajudam a recriar sons da natureza e ambientar as narrativas, que incluem histórias como a da vitória-régia, do dia e da noite e da carambola — sempre com forte participação do público, especialmente das crianças.
Outro ponto central do trabalho da artista é o cuidado com a linguagem e o respeito às identidades. Durante a entrevista, Lúcia reforçou a importância do uso do termo “indígena”, em vez de “índio”, considerado por ela e por muitos povos originários como inadequado e carregado de estereótipos históricos.
“Indígena significa originário da terra. Já ‘índio’ é um termo criado a partir de um erro histórico e que não representa a diversidade dos nossos povos”, explicou.
Integrante do povo Galibi Marworno, com raízes no município de Oiapoque, no extremo norte do Amapá, Lúcia também destaca a urgência de preservar saberes tradicionais, como os das benzedeiras, parteiras e puxadeiras, práticas que, segundo ela, correm o risco de desaparecer diante das transformações sociais e tecnológicas.
A apresentação desta terça-feira é também um ato de resistência cultural. Em um formato mais próximo do público, a artista aposta na força da palavra e da escuta para manter vivas histórias que são, antes de tudo, identidade. “Pode não ter a grandiosidade dos grandes teatros, mas as histórias estão em mim. E isso é o que importa”, afirma.
O espetáculo Arandu: Histórias Indígenas é aberto ao público e promete encantar pessoas de todas as idades, convidando à reflexão sobre cultura, pertencimento e memória.
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