Wellington Silva

Entendendo o “Deus, Pátria e Família”


 

A expressão propaganda “Deus, Pátria e Família” não vem de hoje!

Ela foi inicialmente cunhada pelo fascismo de Benito Mussolini e depois pelo nazismo de Adolf Hitler. Ganhou força retórica, em meados dos anos 40, como forma estratégica de comunicação de massa para atrair simpatizantes.

No Brasil, o lema foi muito “badalado” através do chamado movimento integralista brasileiro, movimento fundado na década de 30, por Plínio Salgado. Tal movimento, em nosso país, teve inspiração direta no fascismo e no nazismo europeu.

A expressão, em si, embora pareça apropriada, sugestiva e inocente para um leigo, na prática carrega fortes sentimentos supremacistas e de exclusão de minorias.

Historicamente, a velha retórica associada a este lema sempre foi frequentemente utilizada para justificar políticas autoritárias, de exclusão, medo, preconceito racial, polarização social, ressentimentos e conflitos sociais e religiosos.

Recentemente, o velho lema foi novamente abraçado no Brasil, desta vez pelo bolsonarismo, uma reapropriação ideológica com vistas a invocar e pregar um nacionalismo supremacista ultra conservador bem nos moldes radicais de seus idealizadores.

Eu, hoje, sinceramente começo a pensar que o deus desta gente, com “d” minúsculo, não é o Deus Único Verdadeiro, a Fonte Fecunda de Luz, de Felicidade e de Virtude, mas sim um deu$ demônio, vil, ambicioso, absolutista, perverso, obtuso, preconceituoso.

Penso, que a tal “pátria” deles, com “p” minúsculo, deve ser uma “pátria” bem egocêntrica, covarde e supremacista e que a tal “família” que tanto falam, deve ser, com certeza e com cerveja, um “modelito” de família cega, tapada, objeto permanente de cabresto ideológico, todos com a “mansidão” necessária para dizer “sim senhor” aos atos mais absurdos e estapafúrdios.

Eu até hoje fico me perguntando o que este pessoal tem na cabeça!?

Já não é o suficiente e já não basta todo o festival de absurdos e aberrações a que o Brasil foi submetido, de tentativa de golpe de estado a tentativa de assassinato de autoridades públicas, tentativa de atentado a bomba no Aeroporto Internacional de Brasília, tentativa de obstrução de votação de eleitores no Nordeste, nas eleições passadas para presidente da República, e por aí vai!?

Não, senhoras e senhores, este deu$ de vocês só pode ser o “coisa ruim”, o “bicho feio”, o “kalunga”. A tal pátria que imaginam só pode ser o caos social e moral, a involução de pátria, a inversão de valores de tudo aquilo que conceitualmente se concebe como Pátria, democraticamente.

E a família, para vocês, como conceito moral com certeza também deve ser uma aversão aos valores gnósticos, sociais, antropológicos, ao estado laico brasileiro.

Misericórdia Senhor!