Terapeuta de pets defende educação baseada em empatia e prevenção de comportamentos em animais
Em fala no LuizMeloEntrevista (Diário FM 90,9), Gabriel Tentes destacou importância do trabalho com filhotes, convivência em apartamentos e criticou métodos autoritários na relação com cães

Douglas Lima
Editor
A relação entre humanos e animais domésticos tem passado por transformações significativas, com novas abordagens no cuidado e na educação dos pets. Em fala nesta terça-feira, 7, no programa ‘LuizMeloEntrevista’ (Diário FM 90,9), o terapeuta de pets Gabriel Tentes explicou como o trabalho comportamental com animais vai além do adestramento tradicional. É preciso priorizar a empatia, a compreensão e a prevenção de problemas futuros.
Segundo Gabriel, o termo adestrador ainda é amplamente utilizado por ser mais popular, mas não traduz totalmente a proposta atual da atividade. “Hoje, o que muitas pessoas conhecem como adestramento é, na verdade, uma terapia comportamental voltada para a boa convivência entre a família e o pet”, explicou.
Especializado no atendimento a filhotes, o profissional destacou que os primeiros meses de vida são decisivos para a formação do comportamento dos animais. “Existe uma janela neural muito sensível, principalmente até os quatro meses, em que o filhote aprende tudo com mais facilidade. É nesse período que conseguimos construir os comportamentos desejados para a vida adulta”.
Gabriel ressaltou que seu trabalho busca evitar problemas futuros. “Quando atuamos cedo, muitas vezes não será necessário corrigir comportamentos na fase adulta”, disse. Ele também abordou mudanças na forma como a sociedade enxerga os animais. “Antes, os pets eram tratados de forma muito básica. Hoje, existe uma maior consciência sobre os direitos e as necessidades deles, inclusive emocionais e comportamentais”, pontuou.
O terapeuta destacou que parte fundamental do processo é ensinar o tutor a compreender o animal, e falou da importância das brincadeiras para cães e gatos, independentemente da idade. Segundo Gabriel, a interação está ligada a instintos naturais, como a caça. “Quando o cachorro corre atrás de uma bola, ele não está apenas brincando, está simulando um comportamento instintivo. Isso é essencial para o bem-estar dele”.
Sobre a criação de animais em apartamentos (realidade cada vez mais comum), o especialista afirmou que é possível, desde que haja responsabilidade. “Nem todo cachorro se adapta bem a esse ambiente. Raças com alta demanda de energia precisam de estímulos constantes. O tutor precisa estar disposto a suprir essas necessidades”, alertou.
Em relação à ideia de que alguns cães são naturalmente agressivos, Gabriel fez um alerta. “Não gosto de rotular raças como perigosas. A agressividade pode ter fatores genéticos, mas também envolve experiências, traumas e a forma como o animal é criado”, esclareceu.
O terapeuta ainda criticou conceitos antigos, como a necessidade de o tutor se impor como “alfa” na relação com o animal. “Essa teoria já foi derrubada. A relação deve ser baseada em respeito e compreensão, não em autoritarismo”, afirmou.
Atendendo presencialmente em Macapá e Santana, além de consultas on-line, Gabriel Tentes finalizou dizendo que o acompanhamento começa sempre com uma avaliação individualizada. “O mesmo comportamento pode ter causas diferentes. Por isso, é essencial entender a origem do problema antes de qualquer intervenção”, concluiu.
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