Wellington Silva
Irmão, qual o seu caminho?

No Brasil, na época do império, durante a fase final do reinado de D. Pedro II, ainda havia divisões e discussões internas dentro daMaçonaria entre monarquistas e livres defensores da república, mesmo e apesar de, tudo, o que os Inconfidentes sofreram como resultado final de sua luta pela independência do Brasil, alguns atéperdendo sua vida no cadafalso.
Apesar dos traidores o nobre ideal dos Inconfidentes e de Gonçalves Ledo ainda permanecia vivo no coração de muitos Irmãos progressistas republicanos, todos inspirados no pensamento de Rousseau e Voltaire, de que a criatura humana é naturalmente livre, nasce livre, é evolutiva, e não pode jamais ficar submissa a senhores que ditam regras absolutistas como forma perpétua do controle coletivo.
Exemplo histórico clássico no Brasil é o de nosso Querido Irmão, Padre Feijó, fundador do Partido Liberal, professor de História, Geografia e Francês e grande estudioso de Filosofia,adversário político de José Bonifácio de Andrada e Silva, que era monarquista.
Ele, Diogo Antônio Feijó, chegou a abandonar a Assembleia Legislativa antes da aprovação da Constituição, por claras e acertadas motivações de discordância. Suas emendas expressavam os princípios básicos do liberalismo, a fidelidade aos direitos do homem, e um sentido mais amplo e democrático as instituições de Estado. Trabalho tão valoroso, lamentavelmente desprezado pelasforças conservadoras da época.
O penoso sofrimento de Jacques de Molay e os templários, na fogueira da Inquisição, assim como o dos Inconfidentes, somado ao exílio e a penosa luta de Gonçalves Ledo em prol da República, no Brasil, não foram fatos suficientes para mudar a mentalidade míope, oportunista, monarquista e absolutista de alguns, isso meses antes da proclamação da República Federativa do Brasil, em 1.889.
O Marechal Deodoro da Fonseca e o grande Rui Barbosa eram monarquistas. Ambos, só aderiram ao movimento republicano, após muita pressão e discussão com Benjamin Constant e com outras figuras progressistas, líderes do movimento libertário contra a coroa portuguesa.
E disse o valoroso Irmão, Frei Caneca, clérigo, escritor e jornalista, grande ativista da Revolução Pernambucana, em 1.817, e mártir da Confederação do Equador, em 1.824:
“Quem bebe da minha caneca tem sede de liberdade”!
Se o livre arbítrio e a liberdade são legados de Deus, a luta histórica pela garantia das liberdades individuais e coletivas e a conquista do estado democrático de direito obviamente que são valores consagrados, inspirados neste legado Divino, valores que simplesmente não podem ser, de forma alguma, ignorados, menosprezados, para depois serem soterrados por líderes totalitários.
É exatamente contra este monstro chamado totalitarismo ou supremacismo, como queiram, que a Maçonaria e valorosos maçons sempre se insurgiram, no tempo e no espaço, pois que ele frontalmente depõe contra toda uma história de lutas de nossos antepassados em defesa da liberdade, da democracia, dos direitos fundamentais da pessoa humana.
O totalitarismo supremacista ocorre com aimposição cultural, em primeiro momento, através do envolvimento da população desinformada. Foi assim com o fascismo de Benito Mussoline, na Itália, e com o nazismo de Adolf Hitler, na Alemanha.
A partir de 1.938 em diante Lojas Maçônicas sãofechadas na Alemanha e diversos líderes religiosos, maçônicos e políticos ou foram perseguidos ou mortos, muitos perseguidos se exilando em outros países para fugir das garras do nazismo.
Atualmente, no Brasil, a clara tentativa de ruptura institucional através da tentativa de golpe de estado foi sem dúvida alguma o mais absurdo ato de negação da história de lutas da Maçonaria em defesa do estado democrático de direito.
Se nossa Milenar Ordem é uma Instituição democrática, evolucionista, PROGRESSISTA, e tem por dever moral o combate ao sectarismo político e religioso, por força de juramento e históricos princípios temos o DEVER de defender tais valores, mesmo que seja com a própria vida, como o ocorrido durante a Segunda Grande Guerra Mundial, contra o nazifascismo, onde diversos Irmãos se uniram, se organizaram e lutaram contra a barbárie, tais como nosso ilustre irmão americano Dwight D. Eisenhower, que denunciou ao mundo os horrores dos campos de concentração nazistas, já no final da Segunda Grande Guerra Mundial.
Naqueles dias sombrios do final da guerra a elite alemã ainda achava que os campos de concentração não passavam de pura campanha de difamação contra o seu “amado” Fuher, até se darem conta, ao vivo, do brutal horror da realidade. Ao se depararem com tamanho horror muitas pessoas choravam copiosamente enquanto que outras simplesmente desmaiavam.
Aqui, hoje, no Brasil, espero sinceramente que a sociedade brasileira nunca e jamais chegue ou retorne a barbárie pelas vias políticas do extremismo, pois já não é suficientemente absurdo a tentativa de golpe de estado, tentativa de assassinato de autoridades públicas, tentativa de atentado a bomba no Aeroporto Internacional de Brasília e detonação de artefatos explosivos no corpo de um fanático militante político, frente ao prédio do STF, ele ceifando assim sua própria vida por absurdamente considerar que o estado brasileiro e todo mundo estão errados e ele certo?
Refletir, é preciso, sobre estas perigosasinfluencias nas vias do fanatismo, do extremismo, do pensamento supremacista.
E fica a pergunta, que não quer calar:
Irmão, qual o seu, o nosso caminho!?
Mais que nunca, hoje, se faz muitíssimo necessário refletir sobre a Iluminada Trilogia Concebida:
LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE!