Artistas visuais apresentam performances e provocam debate sobre gênero e raça em escola pública de Macapá
Projeto pedagógico ‘Preto, minha cor’ recebe intervenções do Mizura Performance e convida estudantes a refletirem sobre violência, identidade e estruturas de poder

Os professores Bruno Chagas e Luciana Pereira, do Ensino Médio da Escola Estadual Professora Jacinta Maria Rodrigues de Carvalho, no bairro Vale Verde, em Macapá, trazem para a disciplina eletiva Relações Étnico-Raciais e de Gênero o tema “Preto, minha cor”. A proposta busca promover, entre os estudantes, reflexões sobre preconceito, diversidade, identidade e as estruturas de poder que atravessam a sociedade contemporânea.
Dentro dessa perspectiva, o artista performer Nau Vegar, coordenador geral do projeto Mizura Performance, foi convidado para apresentar o ‘Vento’, uma performance relâmpago que antecede a Mostra Mizura. A ação integra uma série de intervenções artísticas que acontecem de forma itinerante — em escolas, espaços públicos, comunidades ribeirinhas, na capital, no interior do estado e até em outros estados.
Além de Nau Vegar, a performer Juliane Monteiro também participa da programação com a obra “Rubro-Rubor”, que propõe uma experiência silenciosa, simbólica e visceral.
Para Nau Vegar, a performance é um território onde o corpo deixa de ser apenas presença e se torna linguagem ativa de enfrentamento. “O corpo, na performance, não é neutro: ele carrega marcas históricas, sociais e políticas. Quando ocupa o espaço, ele evoca memórias, denuncia violências e rompe silenciamentos. É um corpo que tensiona, que incomoda e que se recusa a permanecer submisso às estruturas que historicamente o oprimem”, destaca o artista. Segundo ele, suas obras dialogam diretamente com questões como a violência contra a mulher, o silenciamento e a necessidade de ruptura com padrões patriarcais enraizados.
O Vento — nome derivado da palavra “evento” — traduz essa efemeridade: uma ação que passa rapidamente, mas deixa marcas profundas. O conceito é inspirado no coletivo Corpos Informáticos, de Brasília, e propõe justamente essa ideia de algo que atravessa o espaço como um vento — breve, mas transformador.
Vaso de Barro
Na performance “Vaso de Barro”, Nau Vegar sobe em um pequeno banco e, ao som da música Homem com H, quebra, um a um, 12 vasos de barro. Cada peça carrega palavras que evocam o machismo, simbolizando a ruptura com estereótipos patriarcais e a desconstrução de violências naturalizadas.
Rubro-rubor
Já em Rubro-Rubor, Juliane Monteiro constrói uma intervenção que desloca o vermelho — cor historicamente associada ao feminino — para uma dimensão inquietante. A obra transforma o que poderia ser apenas estética em denúncia. O vermelho, nesse contexto, deixa de adornar e passa a revelar: torna-se símbolo e sintoma de violências que marcam corpos femininos.
A performance também provoca uma reflexão sobre a repetição constante de notícias de violência contra mulheres, que pode gerar uma perigosa anestesia social, tornando o horror invisível. Sem oferecer respostas fáceis, a obra confronta o público com essa realidade.
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